André Chitas, sócio e realizador da B Groove Company: “quero ser um aglutinador de talentos nacionais”
Nesta conversa, fala-se sobre a parceria estratégica com a Barry Company, a importância da criatividade e da inovação na produção de conteúdos e os objetivos da nova produtora para o futuro.


André Chitas é sócio e realizador da B Groove Company, uma nova produtora em terras lusas que promete redefinir a conexão entre Portugal, o Brasil e a América Latina. Com uma vasta experiência no setor audiovisual e publicitário, Chitas revela, em entrevista à Marketeer, as motivações por trás da criação da produtora, os desafios da internacionalização e as oportunidades que vê no mercado português.
Nesta conversa, fala-se sobre a parceria estratégica com a Barry Company, a importância da criatividade e da inovação na produção de conteúdos e os objetivos da B Groove Company para o futuro. Além disso, o realizador destaca como pretende contribuir para um setor publicitário e cinematográfico mais dinâmico e colaborativo.
O que motivou a criação da B Groove Company e como define o conceito da produtora?
A principal motivação foi o desejo de voltar a trabalhar com antigos parceiros, já que iniciei minha trajetória profissional em Lisboa. Além disso, sempre tive vontade de construir uma ponte pessoal entre o Brasil, onde vivo há 13 anos, e a América Latina, morei dois anos em Bogotá e seis meses em Cuba.
Essa imersão de quase 15 anos na América Latina despertou-me a vontade de retribuir a aprendizagem no lugar onde comecei a minha jornada e pelo qual tenho um carinho enorme, tanto na publicidade quanto na ficção. A conexão entre Brasil/América Latina e Portugal/Ibéria é uma inevitabilidade pessoal e histórica.
Por outro lado – porque não estou sozinho neste movimento –, os meus sócios, Krysse Mello e René Sampaio, veem uma oportunidade de expandir os negócios e a produção em solo ibérico. Estamos animados.
Como prevê que a parceria com a Barry Company, reconhecida por sucessos como “Impuros”, possa contribuir para a expansão e o posicionamento da B Groove Company no mercado português?
A Barry Company, a nossa associada no Brasil, onde também sou realizador, possui em seu portfólio diverso de projetos de grande relevância internacional, tanto em séries quanto em longas-metragens. A nossa equipa vive um momento intenso de produção, contando com uma estrutura sólida e uma expertise consolidada na criação e no desenvolvimento de projetos para os grandes players do mercado, além da captação de financiamento público e coproduções internacionais.
Em Portugal, nossa parceria na área de ficção com a Page e a colaboração com o Fernando Serzedelo, que está comigo nesta iniciativa de criar um laboratório e uma curadoria voltados para projetos nacionais e coproduções internacionais, farão esse triângulo com a Barry Company.
Além disso, a Barry Company atua como estrutura fundamental para a viabilização e o desenvolvimento desses projetos, fortalecendo a conexão entre Brasil/ América Latina e Portugal e a região ibérica.
Quais serão os principais objetivos estratégicos da produtora a curto e a longo prazo no campo da publicidade e do entretenimento?
No campo da publicidade, quero apresentar ao mercado o nosso know-how e a nossa cultura de produção e criatividade. Além de mim, contamos com outros talentos que vivem em solo europeu e que têm total capacidade de atuar no mercado.
Como já mencionei noutras entrevistas, no jogo do xadrez, uma única peça em movimento pode abrir caminho para novas oportunidades. No momento, estamos focados em conquistar e estabelecer um diálogo com as agências locais. Já recebemos pedidos neste ano de 2025, o que é um ótimo sinal. Quanto ao futuro… puxando meu lado brasileiro, só Deus sabe!
Já na área de ficção e entretenimento, estamos a desenvolver dois projetos ainda em fase inicial. Tenho conversado com vários colegas realizadores portugueses com o objetivo de trazê-los para a nossa mesa criativa. Há muito talento e sangue novo em Portugal e, com a estrutura certa, essas ideias podem sair do papel.
Em termos de marketing, quais são as suas estratégias para atrair novos clientes e consolidar a posição da B Groove Company no setor audiovisual?
Apresentar bons tratamentos, contribuir com criatividade e estar próximo dos criativos para, juntos, elevar a produção nacional. Outros colegas já fazem esse trabalho, serei mais um nesse movimento.
De que forma a colaboração com a Page complementará a operação da produtora em Lisboa?
Como mencionei, a Page está presente em ambas as frentes: no nosso laboratório de ficção e na publicidade. A Page é um selo de excelência em produção tanto nacional quanto internacional, agregando qualidade e experiência aos nossos projetos.
Como avalia o atual mercado publicitário e audiovisual em Portugal e que impacto espera que a B Groove Company tenha nesse panorama?
Acredito, acima de tudo, na resiliência da criatividade. Vivemos um processo global de transformação, em que o advento das novas medias mudou completamente as regras do jogo. Ainda assim, Portugal continua a ser um mercado relativamente tradicional na distribuição de recursos publicitários, com a maior parte das verbas concentradas na TV.
Noutros países, essa mudança tem sido ainda mais impactante, com orçamentos cada vez mais fragmentados. Nesse cenário, o nosso modelo de negócio precisa adaptar-se constantemente para ser relevante. Essa resiliência será o nosso foco. Queremos mostrar que é possível criar, inovar e alcançar grandes resultados quando produtoras, agências e clientes estabelecem um diálogo verdadeiro.
Acreditamos que o sucesso, nesse novo contexto, depende de um processo colaborativo e pedagógico. Os realizadores têm um papel fundamental nesse movimento, atuando lado a lado com as agências para transformar desafios em oportunidades e concretizar grandes ideias.
De que forma a B Groove Company pretende marcar a diferença, não só em nível nacional, mas também no contexto internacional, em termos de produção e inovação?
O meu papel como realizador e sócio da B Groove Company é exatamente este: ser resiliente no ato criativo, procurar constantemente novos caminhos e soluções criativas. Vamos falar, trocar ideias e criar juntos. Esta é a beleza da nossa profissão: brincar com conceitos, imagens, signos e arquétipos. Somos privilegiados por poder transformar ideias em algo tangível e inspirador. Quem perde o gosto por essa “brincadeira” transforma-se num adulto chato. Na parte da ficção, quero ser um aglutinador de talentos nacionais.
Ah, e para quem não sabe… também gostamos de fazer com que as pessoas dançem. Mas isso já é assunto para outra entrevista…