É Tudo Verdade chega à 30ª edição com homenagem a Vladimir Carvalho
Festival exibe 85 filmes de 30 países e celebra o documentário brasileiro com sessões em São Paulo e Rio de Janeiro


Evento celebra legado de Carvalho
O Festival É Tudo Verdade inicia sua 30ª edição nesta quinta-feira (4/4), com uma programação que reúne 85 produções de 30 países. O evento ocorre até 13 de abril em São Paulo e no Rio de Janeiro, com sessões gratuitas.
Homenagem especial
Para marcar as três décadas de existência, o festival presta homenagem ao documentarista Vladimir Carvalho, morto em outubro de 2023, e exibe clássicos que marcaram sua trajetória. O cineasta paraibano retratou grandes personagens nordestinos (do escritor José Lins do Rego ao senador Teotônio Vilela) e o destino de Brasília (da construção à explosão roqueira nos anos 1980). Seu trabalho autoral, com obras como “O País de São Saruê”, está representado na programação, além de “Cabra Marcado para Morrer”, produzido por Carvalho e dirigido por Eduardo Coutinho, considerado um divisor de águas no documentário brasileiro. Lançado em 1984, o filme teve sua origem em 1964 como uma ficção com elementos documentais, interrompida pelo golpe militar e retomada duas décadas depois.
Em entrevista à Folha de S. Paulo, Labaki lembrou que a criação do É Tudo Verdade foi inspirada por conversas com Carvalho e Coutinho, quando dirigia o Museu da Imagem e do Som em São Paulo. A trajetória do festival é, de acordo com seu criador, uma resposta à dificuldade histórica de distribuir documentários nas salas de cinema. “A ficção autoral tem as mesmas dificuldades que o documentário”, observa. “Não é que um documentário não leva público à sala. Não tem sala e não tem estratégia de mercado para o documentário.”
Programação com cineastas estreantes
A programação também apresentará retrospectiva do diretor britânico Humphrey Jennings, que filmou seu país durante a 2ª Guerra Mundial, além das mostras competitivas (com longas ou médias-metragens de um lado e curtas do outro) nacionais e internacionais, a mostra Foco Latino-Americano e sessões especiais.
Este ano, três dos sete documentários da competição nacional são dirigidos por estreantes, como “Mundurukuyü: a Floresta das Mulheres Peixe”, assinado por três cineastas indígenas. Dos 12 diretores da disputa internacional, dez são inéditos no festival, como o cubano Miguel Coyula, que pinta um retrato de seu país a partir de gravações de áudio clandestinas, captadas por celulares escondidos.
Retrospectiva de 30 edições
A programação da 30ª edição inclui também produções consagradas como “O Velho: A História de Luiz Carlos Prestes”, de Toni Venturi, e o alemão “Noel Field: A Lenda de um Espião”, de Werner Schweizer — vencedores da primeira mostra competitiva em 1997. Ao longo dos anos, o É Tudo Verdade exibiu obras de nomes como Wim Wenders, Werner Herzog e João Moreira Salles, consolidando-se como o principal espaço para o cinema documental no Brasil.
Os ingressos para as sessões presenciais são gratuitos e distribuídos até uma hora antes do início das exibições. Além disso, a programação também contará com uma seleção de curtas exibidos online entre os dias 14 e 30 de abril na plataforma Itaú Cultural Play. Informações completas estão disponíveis no site oficial do festival (https://etudoverdade.com.br/).