Este livro só pode ser lido se estiver molhado e chama a atenção para uma crise. Curioso?

Nos últimos três meses, uma pequena tipografia em Toronto tem sido palco de um projeto inovador: um livro que só pode ser lido quando é molhado.

Mar 28, 2025 - 20:56
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Este livro só pode ser lido se estiver molhado e chama a atenção para uma crise. Curioso?

Nos últimos três meses, uma pequena tipografia em Toronto tem sido palco de um projeto inovador: um livro que só pode ser lido quando é molhado. Batizado de “Dehydrating Book”, este é o primeiro do género e foi impresso com uma tinta hidrocromática especial, que se torna visível apenas quando entra em contato com água.

A ideia do projeto é aumentar a consciencialização sobre a crise global da água. Criado em parceria pela organização sem fins lucrativos Water for People, a agência de comunicação Edelman e o estúdio gráfico Gas Company, o livro foi produzido em edição limitada de 130 unidades.

“Este livro precisa de água. Assim como milhões de crianças na América Latina.” A frase, que abre o site da Water for People, resume a mensagem por trás da iniciativa.

De acordo com um estudo da UNICEF de 2021, mais de 1,42 mil milhões de pessoas – incluindo 450 milhões de crianças – não têm acesso adequado à água potável. Esse cenário impacta diretamente a saúde e a educação infantil, reduzindo a capacidade de aprendizagem e desenvolvimento cognitivo.

“O Dehydrating Book é um símbolo da realidade enfrentada por muitas comunidades na América Latina”, afirma Mark Duey, CEO da Water for People. “A região enfrenta uma crise hídrica que está prejudicando o futuro de milhares de crianças.”

Para divulgar o livro, a Water For People lançou um pequeno vídeo, dando aos espectadores uma visão dos bastidores do enredo do livro e do desenvolvimento dos personagens, desde o processo de produção às perspectivas únicas das crianças que ajudaram a inspirá-lo.


Como se faz um livro à prova d’água?

Doug Laxdal, fundador da Gas Company, já era conhecido por seus projetos inovadores. Em 2022, a sua equipa criou uma versão incombustível de “O Conto da Aia”, de Margaret Atwood, para alertar sobre a censura literária nos EUA. Mas criar um livro resistente à água foi um desafio inédito.

“Um livro à prova d’água é como colocar metal no micro-ondas. Simplesmente não se faz”, brincou Laxdal.

Foram meses de testes para encontrar os materiais certos até chegar ao resultado final que usa papel sintético SuperYupo, capas de acrílico e tinta hidrocromática aplicada em camadas para revelar o texto ao ser molhada. O livro vem selado num estojo plástico cheio de água, que precisa ser aberto para que a história possa ser lida.

A história foi escrita em parceria com estudantes da vila de Palmira, no Peru, e acompanha um beija-flor chamado Lupita numa jornada em busca de água.