As explicações do presidente do BRB sobre a compra do banco Master

Em entrevsta ao Radar, Paulo Henrique Costa disse confiar na autorização do negócio pelo Banco Central; 'é uma documentação robusta, completa, extensa'

Mar 31, 2025 - 22:22
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As explicações do presidente do BRB sobre a compra do banco Master

Anunciada na última sexta-feira, a decisão do BRB, o Banco de Brasília, de comprar 58% do capital total do Banco Master logo gerou rumores no mercado de que a operação pode não ser aprovada pelo Banco Central.

Em entrevista exclusiva ao Radar, o presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, demonstrou confiança na autorização do negócio — que é estimado em mais de 2 bilhões de reais. Na tarde desta segunda-feira, ele será recebido pelo presidente do BC, Gabriel Galípolo, em Brasília.

“Na minha visão, é muito cedo para a gente falar de alguma coisa assim, né? A documentação foi submetida ao Banco Central na noite da sexta. É uma documentação robusta, completa, extensa. É natural que o Banco Central leve um tempo e faça uma análise bastante detalhada, responsável e atenta de todo o material que é submetido a ele”, afirmou o executivo, na tarde deste domingo.

Segundo Costa, o BC tem sempre “um olhar muito prudente e muito focado na busca da higidez do sistema”.

“E a gente acredita que essa operação, em sendo autorizada e ao constituir um novo conglomerado, maior, mais diversificado, mais completo, mais rentável, com fontes de captação de recursos mais estáveis, diversificadas e até mais baratas, termina contribuindo para o sistema financeiro, para os clientes da sociedade. Existem sinergias importantes entre as duas instituições”, declarou.

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Ele lembrou que, por lei, o Banco Central tem prazo regulamentar de 360 dias para se posicionar sobre a operação, mas disse acreditar que, em um tema tão importante, a análise possa ser feita em menos tempo. “É difícil falar de prazo específico”, comentou.

O executivo contou que, a partir de agora, procuraria a instituição para explicar cada documento apresentado, para que o BC possa fazer uma análise detalhada.

Caso a operação seja autorizada, tanto pelo Banco Central quando pelo Cade, a previsão é que o BRB tenha cerca de 112 bilhões de reais em ativos, 71 bilhões em carteira de crédito, 100 bilhões em captações, além de aproximadamente 15 milhões de clientes. Com isso, tornaria-se o nono maior banco brasileiro em carteira de crédito.

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“É esse tamanho que também nos interessa, porque a gente precisa ter escala, precisa ter presença no país inteiro. Não adianta a gente ser só um banco de varejo. Para a gente competir de igual para igual com os outros, eu preciso ter os outros segmentos. Preciso atuar com médias e grandes empresas, preciso atuar com o câmbio, com conta internacional, que hoje tantos clientes têm, a gente precisa atuar com o comércio exterior”, justificou Costa.O presidente da instituição apontou que Brasília tem 150 representações de outros países, que fazem operações de câmbio o tempo inteiro, que não são feitas pelo BRB, mas sim pelo Master. “Isso vai nos dar acesso a esse tipo de negócio”, comentou.

“A gente precisa atuar em mercados e capitais. Hoje, muitos clientes de médio e grande porte nos procuram e querem fazer uma estruturação de um CRI, de uma emissão de uma debênture ou uma securitização, o BRB não faz. Tem que indicar para uma outra instituição financeira”, afirmou.

“Pegando no caso do varejo, o Master é muito conhecido pelo cartão de crédito consignado que ele tem. Hoje, o BRB oferece consignado, mas não tem o cartão de crédito. Ou seja, se eu passo a incorporar esse tipo de produto no nosso portfólio, eu fico mais forte e mais completo na atuação também com o servidor público. Essa visão de complementariedade é que o mercado ainda não conhece. Faz um dia e meio que a gente anunciou a operação. Então acho que vai ficar mais claro para todo mundo esses benefícios e como isso é importante para o BRB ficar mais forte”, complementou.

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Paulo Henrique Costa ressaltou ainda que, por causa de “todos os ruídos” envolvendo o Master, todo mundo está olhando muito sobre a perspectiva do banco a ser incorporado, e “não sobre a perspectiva do BRB”. “Por que a gente escolheu o Master? Por que a gente tem interesse? O que é que exatamente a gente está buscando lá? São esses segmentos, são esses clientes, essa complementariedade na atuação, é o fato de o BRB passar, sendo aprovada a operação, a ter um braço privado, que vai me permitir competir igual para igual com outros bancos privados, ter uma presença em outras regiões do país. Isso é o que nos interessa de verdade”, afirmou.

O BRB começou a comprar carteiras de crédito consignada do Master em agosto do ano passado. Em outubro, segundo o presidente do banco, surgiu o interesse em outros segmentos. E, em janeiro deste ano, houve o contato formal do Master com o BRB sobre o possível interesse de fazer “alguma parceira estratégica ou alguma sociedade”.

Na sequência, o Banco de Brasília contratou os serviços de consultoria da PricewaterhouseCoopers (PwC) e do escritório de advocacia Lefosse para analisar a operação. “É uma negociação pelo menos de outubro para cá, tem mais de seis meses. E não é uma operação qualquer, está encaixada dentro de um contexto de crescimento amplo do BRB, de propósito, coerente com toda a trajetória. Essa é a oitava operação do tipo que o BRB faz”, relatou.

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Sobre as críticas de que o banco público estará assumindo um risco por assumir o Master com um “rombo” bilionário, Costa disse achar “uma pena que a gente tente politizar uma operação técnica, estratégica e comercial do BRB”.

“A gente deveria olhar sob a ótica de como isso transforma o BRB num banco maior, num banco mais forte e como isso beneficia Brasília. É uma operação muito estudada, que mais de 54 pessoas participaram fazendo análises técnicas. Então, é difícil alguém sair prejulgando sem fazer uma análise aprofundada”, comentou.

Ele destacou que o escopo exato da transação foi definido excluindo ativos que o BRB não tem interesse, “seja porque são ilíquidos, seja porque são mais arriscados”, antes da entrada do banco.

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“Então, por exemplo, precatórios, direitos creditórios de ações judiciais, fundos de ações em outras empresas que não fazem parte do escopo da operação, tudo e uma reorganização societária do Master, precisam sair do escopo antes de a gente entrar e desse novo conglomerado começar a operar. O mercado não tem essa informação ainda com clareza”, declarou.

“Então, virão para o BRB, nesse novo conglomerado, aqueles ativos que o BRB tem interesse. E não muda nada nem para cliente, nem empregado, nem agora, nem no futuro, porque os dois bancos continuam existindo em separado. Eles continuam como duas instituições independentes, mas que são interligadas somente para fins de know-how, tecnologia, definição de estratégia e questões regulamentares”, finalizou.

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