Nave de Loucos

Há precisamente 110 anos, Theodore Roosevelt lançou o alerta com estas palavras sábias, referindo-se aos Estados Unidos da América: «A única forma absolutamente segura de levar esta nação à ruína, de a impedir de continuar a ser uma nação, seria permitir que se transformasse num emaranhado de nacionalidades em disputa.» A advertência nunca veio tão a propósito. Se em vez de «emaranhado de nacionalidades em disputa» estiver a expressão "guerra cultural", que fractura de alto a baixo a sociedade estadunidense, é um retrato dos EUA do nosso tempo. Com um traço insólito: esta fractura é hoje incentivada por quem teria a missão de funcionar como traço de união entre os norte-americanos, não como factor de clivagem profunda.  Donald Trump devia meditar nas palavras de Roosevelt, que até era do Partido Republicano como ele e foi um dos mais prestigiados inquilinos da Casa Branca - ao ponto de ter a sua efígie esculpida no Monte Rushmore. O próprio Trump gostaria de lá ver a sua imagem - aliás, uma iniciativa legislativa nesse sentido já deu entrada no Congresso. O culto da personalidade em torno do sucessor de Joe Biden raia um fanatismo inusitado em sistemas democráticos. Só estamos habituados a tal cenário em ditaduras. O que torna ainda mais actuais as palavras de Theodore Roosevelt - galardoado em 1906 com o Nobel da Paz. Há quem diga que conquistar este prémio constitui a aspiração máxima do actual chefe da Casa Branca. Sonhar é fácil, mas jamais irá conseguir tal desígnio. Precisamente porque nada faz para o merecer. Com ele ao leme em Washington, o país está mais inseguro e o mundo está mais perigoso. O edifício do n.º 1600 da Avenida Pensilvânia, na capital federal dos EUA, parece transformado numa nave de loucos.

Abr 5, 2025 - 02:27
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Nave de Loucos

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Há precisamente 110 anos, Theodore Roosevelt lançou o alerta com estas palavras sábias, referindo-se aos Estados Unidos da América:

«A única forma absolutamente segura de levar esta nação à ruína, de a impedir de continuar a ser uma nação, seria permitir que se transformasse num emaranhado de nacionalidades em disputa.»

A advertência nunca veio tão a propósito. Se em vez de «emaranhado de nacionalidades em disputa» estiver a expressão "guerra cultural", que fractura de alto a baixo a sociedade estadunidense, é um retrato dos EUA do nosso tempo. Com um traço insólito: esta fractura é hoje incentivada por quem teria a missão de funcionar como traço de união entre os norte-americanos, não como factor de clivagem profunda. 

Donald Trump devia meditar nas palavras de Roosevelt, que até era do Partido Republicano como ele e foi um dos mais prestigiados inquilinos da Casa Branca - ao ponto de ter a sua efígie esculpida no Monte Rushmore.

O próprio Trump gostaria de lá ver a sua imagem - aliás, uma iniciativa legislativa nesse sentido já deu entrada no Congresso. O culto da personalidade em torno do sucessor de Joe Biden raia um fanatismo inusitado em sistemas democráticos. Só estamos habituados a tal cenário em ditaduras.

O que torna ainda mais actuais as palavras de Theodore Roosevelt - galardoado em 1906 com o Nobel da Paz. Há quem diga que conquistar este prémio constitui a aspiração máxima do actual chefe da Casa Branca. Sonhar é fácil, mas jamais irá conseguir tal desígnio. Precisamente porque nada faz para o merecer. Com ele ao leme em Washington, o país está mais inseguro e o mundo está mais perigoso. O edifício do n.º 1600 da Avenida Pensilvânia, na capital federal dos EUA, parece transformado numa nave de loucos.