Ibovespa suporta o baque das tarifas de Trump: estamos diante de uma oportunidade em meio à guerra comercial? 

Brasil recebeu alíquota mínima de 10% e pode se beneficiar do rearranjo comercial imposto pelo “tarifaço” de Trump, mas é necessário "capacidade diplomática", avalia analista O post Ibovespa suporta o baque das tarifas de Trump: estamos diante de uma oportunidade em meio à guerra comercial?  apareceu primeiro em Empiricus.

Abr 3, 2025 - 19:18
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Ibovespa suporta o baque das tarifas de Trump: estamos diante de uma oportunidade em meio à guerra comercial? 

Os mercados globais vivem um “banho de sangue” no dia seguinte ao anúncio de Donald Trump das tarifas recíprocas aos parceiros comerciais dos Estados Unidos. Na contramão disso, está o Ibovespa, que negocia em leve alta de 0,2% na tarde desta quinta-feira (3).

O principal índice de ações brasileiro chegou a subir quase 1% pela manhã, mas perdeu força ao longo do pregão. Ainda assim, o desempenho é favorável na comparação com as principais bolsas ao redor do mundo. 

Confira o desempenho de alguns índices globais nesta segunda-feira, por volta das 14h30:

  • Nasdaq (EUA): -4,9%
  • S&P 500 (EUA): -3,8%
  • DAX (Alemanha): -3%
  • FTSE 100 (Reino Unido): -1%

No mesmo horário, o barril de petróleo brent caía mais de 6%, enquanto o dólar perdia força. Os títulos do tesouro americano também recuavam, com o Treasury de 10 anos perto dos 4%.

Na ásia, as bolsas também repercutiram mal o “tarifaço” de Trump e encerraram o pregão em baixa.

Por que o Ibovespa está ‘suportando’ o ‘tarifaço’ de Trump?

Em primeiro lugar, é importante mencionar que a tarifa imposta por Trump ao Brasil, embora alta (10%), representa a alíquota mínima estipulada pelos Estados Unidos.

A China foi “premiada” com um alíquota de 34%, sem contar as taxas anteriores impostas ao país por Trump. Taiwan, um país importante para o desenvolvimento de chips de inteligência artificial, foi tarifado em 32%.

A União Europeia recebeu uma alíquota de 20%, enquanto países como a Síria, o Vietnã, o Camboja e o Laos receberam taxações acima de 40%.

Na visão do analista macroeconômico da Empiricus, Matheus Spiess, a alíquota mínima coloca o país em posição “menos desconfortável”, o que, em tese, pode favorecer os ativos locais

“O momento abre espaço para uma diferenciação relevante entre países, e o Brasil parece relativamente bem posicionado para aproveitar parte desse novo rearranjo comercial”, avalia.

No entanto, ele lembra que algumas teses, em especial as empresas exportadoras e negócios mais integrados às cadeias globais, devem sentir o baque. Prova disso é que as duas companhias de maior peso no Ibovespa, Petrobras (PETR4) e Vale (VALE3), têm sofrido no pregão.

Governo brasileiro tem oportunidade de aproveitar vacância deixada pelos grandes penalizados das tarifas – mas precisa ser estratégico

Segundo Spiess, a diferença entre o “tombo” e a “travessia suave” do Brasil em meio a guerra tarifária está na “capacidade diplomática do governo”. 

“A inclusão do Brasil na lista, mesmo que com a tarifa mínima, sugere que não estamos exatamente na mira de Washington, e sim no que poderíamos chamar de “zona cinzenta” da política comercial americana. Em outras palavras, há margem maior para negociação. Cabe ao governo entender esse sinal e usá-lo com inteligência estratégica e não com a retórica de retaliação”, avaliou.

O Wall Street Journal, principal jornal de notícias econômicas norte-americano colocou, inclusive, o Brasil como um dos beneficiados indiretos da reconfiguração das rotas comerciais ocasionada pelas tarifas de Trump.

“Com habilidade, o país pode aprofundar suas relações com mercados estratégicos no Sudeste Asiático e na Europa, aproveitando a vacância deixada por outros fornecedores penalizados pelas novas tarifas americanas. É um momento de cautela, sim. Mas também de oportunidade, desde que não se perca tempo com bravatas”, disse. 

O analista Enzo Pacheco, da Empiricus, avalia que o desempenho resiliente do Ibovespa no pregão seguinte ao tarifaço se deve, também, ao valuation muito baixo da bolsa local, que se encontra em ponto de entrada atrativo para os investidores. 

No programa Giro do Mercado, do Money Times, portal parceiro da Empiricus, Pacheco se debruçou sobre o dia seguinte do que Trump chamou de “Dia da Libertação”. Para conferir a entrevista completa do analista, basta clicar no player abaixo: 

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