SP: morte de crianças e adolescentes pela PM mais do que dobram

Levantamento do Unicef e do Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostrou ainda que, considerando todas as crianças e os adolescentes vítimas de mortes violentas em 2024 no estado, 34% foram mortos por policiais

Abr 4, 2025 - 01:00
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SP: morte de crianças e adolescentes pela PM mais do que dobram

A violência policial tem impactado diretamente a juventude em São Paulo. Um levantamento do Unicef e do Fórum Brasileiro de Segurança Pública revelou que, considerando todas as crianças e os adolescentes vítimas de mortes violentas em 2024 no estado, 34% foram mortos por policiais. Em 2022, eram 24%. Em números absolutos, o total de jovens entre 10 e 19 anos mortos em intervenções policiais saltou de 35 em 2022 para 77 em 2024, representando um aumento de 120%.

Casos recentes evidenciam essa realidade. Em novembro do ano passado, Ryan da Silva Andrade Santos, de 4 anos, foi morto durante uma operação policial no Morro São Bento, em Santos. O laudo da perícia confirmou que o disparo partiu da arma de um policial militar. O caso gerou forte repercussão e levou ao afastamento de sete agentes.

Outro episódio que marcou a atuação da polícia no estado ocorreu em 2019, durante uma ação em um baile funk em Paraisópolis, na Zona Sul da capital. Na ocasião, nove jovens morreram pisoteados enquanto tentavam fugir de investidas da PM. A operação ocorreu em meio a denúncias de excessos e práticas violentas por parte dos agentes. 

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A letalidade policial no Brasil, aliás, é um problema histórico. Dados indicam que, entre 1999 e 2004, as polícias de São Paulo e do Rio de Janeiro foram responsáveis por quase 10 mil mortes classificadas como "resistência seguida de morte". Organizações de direitos humanos denunciam a falta de controle externo das corporações e cobram a adoção de medidas para reduzir o número de vítimas, especialmente entre jovens negros e periféricos, que representam a maior parte dos atingidos.

Leonardo Carvalho, pesquisador sênior do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), destaca que os dados revelam um padrão recorrente entre as vítimas da letalidade policial no Brasil. “O perfil de pessoas mortas pela polícia foi levantado em diferentes estudos e pesquisas, considerando diferentes unidades da Federação e dados em âmbito nacional. Vemos um perfil muito bem delimitado onde a maioria são: homens, negros, jovens, moradores de áreas carentes de políticas públicas”, comenta. “Esse perfil não é exclusivo de São Paulo”, emenda o especialista.

O Correio Braziliense entrou em contato com a assessoria do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e com a Polícia Militar de São Paulo para comentar os dados do levantamento, mas não recebeu resposta até a publicação desta matéria.

*Estagiária sob supervisão de Andreia Castro