Marina destaca urgência de novo plano para eliminar dependência em combustíveis fósseis

No entanto, enquanto a ministra do Meio Ambiente reforça a necessidade de reduzir a dependência do petróleo, Minas e Energia e Petrobras defendem a exploração de novas reservas, especialmente na Margem Equatorial, na região da Foz do Amazonas

Abr 4, 2025 - 01:00
 0
Marina destaca urgência de novo plano para eliminar dependência em combustíveis fósseis

A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, reforçou nesta quinta-feira (3/4) a urgência de um plano global para reduzir a dependência dos combustíveis fósseis. Durante a 11ª reunião com ministros do Meio Ambiente dos países do Brics, realizada no Palácio do Itamaraty, em Brasília, Marina afirmou que a transição energética é inadiável e precisa ser conduzida de forma justa para todas as nações.

“No caso dos combustíveis fósseis, fonte de cerca de 75% das emissões globais de gases de efeito estufa, é inadiável desenvolvermos um plano internacional que nos leve de maneira justa e ordenada para o fim da dependência que o mundo ainda tem dessa fonte de geração de energia”, declarou.

A fala de Marina Silva acontece em um momento sensível para o Brasil, que neste ano assume a presidência do Brics e será sede da COP30, a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas. O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem colocado a agenda ambiental como prioridade nos fóruns internacionais, destacando o desenvolvimento sustentável e o financiamento de iniciativas para reduzir as emissões de carbono.

Contradições dentro do governo

Apesar da defesa pública da transição energética, o próprio governo brasileiro enfrenta um dilema interno. Enquanto Marina Silva reforça a necessidade de reduzir a dependência do petróleo, o Ministério de Minas e Energia e a Petrobras defendem a exploração de novas reservas, especialmente na Margem Equatorial, na região da Foz do Amazonas.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, por sua vez, continua reforçando o posicionamento de que Marina “jamais será contra” exportar petróleo na Foz do Amazonas.

“Sou favorável e sonho que um dia a gente não precise de combustível fóssil. Acho que um dia não vamos precisar de combustível fóssil, mas esse dia está longe ainda. A humanidade vai precisar de muito tempo. Isso estou falando para vocês porque tem gente que diz que não pode pesquisar a Margem Equatorial para saber se a gente tem petróleo”, disse o petista, em fevereiro, em um evento de Belém, sede da COP30, rebatendo as críticas sobre energia limpa. 

A justificativa dos setores favoráveis à exploração é que a produção do pré-sal deve começar a declinar a partir de 2030, e que o Brasil não pode se tornar importador de petróleo. Além disso, eles argumentam que a receita gerada poderia ser utilizada para financiar a transição energética sem impactar a conta de luz para a população brasileira.

O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) já alertou que a região é ambientalmente sensível e precisa passar por uma análise rigorosa antes de qualquer decisão sobre exploração. 

Siga o canal do Correio no WhatsApp e receba as principais notícias do dia no seu celular

Apesar disso, recentemente, o órgão ambiental aprovou um projeto da Petrobras que determinou a limpeza da sonda que será usada na exploração da Margem Equatorial. A liberação gerou comemoração por parte do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), que disse em nota que “a autorização representa um passo fundamental para que a companhia obtenha a licença ambiental necessária para avançar com a atividade exploratória de forma responsável e sustentável”. 

Desafio global

A discussão sobre a transição energética não é exclusiva do Brasil. Durante a COP28, realizada no fim de 2023 nos Emirados Árabes, os países concordaram que é preciso substituir os combustíveis fósseis por fontes limpas até 2050. O problema é que o compromisso foi firmado sem um plano concreto de como essa mudança será feita.

Assim, mesmo com metas ambiciosas no papel, muitas nações continuam investindo na exploração de petróleo. O Brasil não é exceção. Enquanto tenta equilibrar sua imagem como liderança ambiental global, enfrenta desafios políticos e econômicos internos que tornam a transição energética um caminho menos linear do que os discursos sugerem.