Como foram construídas as Sete Maravilhas do Mundo Antigo?
Apesar de famosas, as Sete Maravilhas do Mundo Antigo são bastante misteriosas. Muito do que sabemos sobre esses monumentos (que não existem mais) vem de mitos e tradições locais. De concreto, temos pouco sobre a construção. Contamos, entretanto, com pesquisas arqueológicas que revelam alguns segredos de partes da história humana. Como foram construídas as grandes pirâmides do Egito? Spoiler: não foram aliens Apenas uma das sete maravilhas do mundo antigo nunca foi localizada; saiba qual A Pirâmide de Quéops Também chamada de Grande Pirâmide de Gizé, a imponente obra é a única das maravilhas ainda em pé e majoritariamente intacta. Sendo a maior do trio de pirâmides da Necrópole de Gizé, sua construção começou em cerca de 2.560 a.C. e levou entre 10 e 20 anos. O responsável, segundo relatos, foi Hemiunu, vizir do faraó Quéops, que ordenou o projeto. As pedras teriam sido empilhadas com facilidade, mas, à medida que foi crescendo, trabalhadores começaram a utilizar sistemas de rampas feitos com troncos e cordas. -Entre no Canal do WhatsApp do Canaltech e fique por dentro das últimas notícias sobre tecnologia, lançamentos, dicas e tutoriais incríveis.- A Grande Pirâmide de Gizé, ou de Quéops, tinha um revestimento de pedras brancas e ouro no topo, mas foi saqueada ao longo dos milênios — ela está em pé há mais de 4.000 anos (Imagem: Ahmed ashraf/Unsplash) Alguns especialistas acreditam que as rampas teriam sido internas, enquanto outros creem na hipótese de estarem do lado de fora. Há, ainda, a versão que aposta em uma rampa única, em um dos lados. Sabe-se, contudo, que cem mil construtores trabalharam, pagos com comida e cerveja. Pesquisas recentes mostram que um fluxo já extinto do Rio Nilo passava próximo, indicando que os blocos de pedra (2,3 milhões), chegaram por via fluvial. A Estátua de Zeus Com mais de 12 metros, a Estátua de Zeus, em Olímpia, foi construída em cerca de 435 a.C. Na cidade, gregos antigos realizavam as olimpíadas. A escultura foi encomendada pelo então governante de Atenas, Péricles, ao escultor Fídias (famoso pelas suas habilidades), e era composta de madeira com placas de marfim e paineis de ouro. Reproduzia Zeus sentado num trono de cedro, com ornamentos em ébano, marfim e pedras preciosas. A Estátua de Zeus em Olímpia é bem descrita: o deu segurava a deusa Nice, da vitória, na mão direita, e um cetro com águia no topo na esquerda (Imagem: Ubisoft/Divulgação) Uma escada em espiral levava a uma galeria no pé-direito do templo, de onde se podia ver a águia no topo do cetro, símbolo de poder. A ostentação, contudo, teve um fim trágico: a obra, que foi levada a Constantinopla em 394 d.C., queimou em um incêndio em 462 d.C. O Mausoléu de Halicarnasso Pronto em 321 a.C., o Mausoléu de Halicarnasso foi tão importante que levou à criação e ao uso do próprio termo mausoléu como um grande túmulo. Com 45 metros de altura, teve a construção ordenada por Mausolo, um sátrapa (governante das províncias gregas, as também chamadas satrapias) da Cária, que escolheu a Halicarnasso como sua capital. O Mausoléu de Halicarnasso foi um túmulo tão famoso que originou a palavra Mausoléu, já que nele foi enterrado Mausolo (Imagem: Carole Raddato/CC-BY-S.A-2.0) Mausolo morreu em 353 a.C., sem ver o túmulo pronto. Sua irmã e esposa Artemísia II seguiu com a construção (também morrendo dois anos depois, mas antes do término). Foram os operários que terminaram o monumento funerário, que incluía três pisos. No primeiro, havia esculturas em alto-relevo de uma batalha; no segundo, cenas cotidianas; no terceiro, de caça a animais; no topo, 36 colunas erguiam-se até o teto, com estátuas de Mausolo e Artemísia. Uma quadriga puxava os líderes acima da pirâmide com um terço da altura final. O monumento foi sendo demolido a partir do século XV para a construção de castelos, mas já era descrito como uma ruína. Em 1522, ocorre a demolição completa, mas há restos presentes no Museu Britânico, em Londres, e em Bodrum (antiga Halicarnasso), na Turquia. O Templo de Ártemis Construído em Éfeso, na Grécia, no século VI a.C., o Templo de Ártemis tinha 127 colunas de mármore de 20 metros, homenageando a deusa da caça e dos animais selvagens. Na arquitrave (um grande triângulo no frontão) esculturas mostravam amazonas míticas armadas, aparentando uma invasão. Pouco sobrou do Templo de Ártemis: esta é uma miniatura representando o monumento em seu auge, em Istambul, Turquia (Imagem: Zee Prime/CC-BY-S.A-3.0) O local contava com uma estátua de Ártemis com 15 metros feita de ouro, ébano e prata, ostentando inúmeros seios em sinal de fertilidade. Reconstruído após um incêndio em 356 a.C., o templo foi destruído em 262 d.C. pelos godos (povo germânico). Atualmente, há apenas uma coluna em pé, após restauração. O Colosso de Rodes Com 33 metros de altura e feito de bronze, o Colosso de Rodes homenageava Hélios, o deus-titã do Sol na mitologia grega, e ficava na ilha de mesmo nome. Há controvérsi

Apesar de famosas, as Sete Maravilhas do Mundo Antigo são bastante misteriosas. Muito do que sabemos sobre esses monumentos (que não existem mais) vem de mitos e tradições locais. De concreto, temos pouco sobre a construção. Contamos, entretanto, com pesquisas arqueológicas que revelam alguns segredos de partes da história humana.
- Como foram construídas as grandes pirâmides do Egito? Spoiler: não foram aliens
- Apenas uma das sete maravilhas do mundo antigo nunca foi localizada; saiba qual
A Pirâmide de Quéops
Também chamada de Grande Pirâmide de Gizé, a imponente obra é a única das maravilhas ainda em pé e majoritariamente intacta. Sendo a maior do trio de pirâmides da Necrópole de Gizé, sua construção começou em cerca de 2.560 a.C. e levou entre 10 e 20 anos. O responsável, segundo relatos, foi Hemiunu, vizir do faraó Quéops, que ordenou o projeto.
As pedras teriam sido empilhadas com facilidade, mas, à medida que foi crescendo, trabalhadores começaram a utilizar sistemas de rampas feitos com troncos e cordas.
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Alguns especialistas acreditam que as rampas teriam sido internas, enquanto outros creem na hipótese de estarem do lado de fora. Há, ainda, a versão que aposta em uma rampa única, em um dos lados. Sabe-se, contudo, que cem mil construtores trabalharam, pagos com comida e cerveja. Pesquisas recentes mostram que um fluxo já extinto do Rio Nilo passava próximo, indicando que os blocos de pedra (2,3 milhões), chegaram por via fluvial.
A Estátua de Zeus
Com mais de 12 metros, a Estátua de Zeus, em Olímpia, foi construída em cerca de 435 a.C. Na cidade, gregos antigos realizavam as olimpíadas. A escultura foi encomendada pelo então governante de Atenas, Péricles, ao escultor Fídias (famoso pelas suas habilidades), e era composta de madeira com placas de marfim e paineis de ouro. Reproduzia Zeus sentado num trono de cedro, com ornamentos em ébano, marfim e pedras preciosas.
Uma escada em espiral levava a uma galeria no pé-direito do templo, de onde se podia ver a águia no topo do cetro, símbolo de poder. A ostentação, contudo, teve um fim trágico: a obra, que foi levada a Constantinopla em 394 d.C., queimou em um incêndio em 462 d.C.
O Mausoléu de Halicarnasso
Pronto em 321 a.C., o Mausoléu de Halicarnasso foi tão importante que levou à criação e ao uso do próprio termo mausoléu como um grande túmulo. Com 45 metros de altura, teve a construção ordenada por Mausolo, um sátrapa (governante das províncias gregas, as também chamadas satrapias) da Cária, que escolheu a Halicarnasso como sua capital.
Mausolo morreu em 353 a.C., sem ver o túmulo pronto. Sua irmã e esposa Artemísia II seguiu com a construção (também morrendo dois anos depois, mas antes do término). Foram os operários que terminaram o monumento funerário, que incluía três pisos. No primeiro, havia esculturas em alto-relevo de uma batalha; no segundo, cenas cotidianas; no terceiro, de caça a animais; no topo, 36 colunas erguiam-se até o teto, com estátuas de Mausolo e Artemísia. Uma quadriga puxava os líderes acima da pirâmide com um terço da altura final.
O monumento foi sendo demolido a partir do século XV para a construção de castelos, mas já era descrito como uma ruína. Em 1522, ocorre a demolição completa, mas há restos presentes no Museu Britânico, em Londres, e em Bodrum (antiga Halicarnasso), na Turquia.
O Templo de Ártemis
Construído em Éfeso, na Grécia, no século VI a.C., o Templo de Ártemis tinha 127 colunas de mármore de 20 metros, homenageando a deusa da caça e dos animais selvagens. Na arquitrave (um grande triângulo no frontão) esculturas mostravam amazonas míticas armadas, aparentando uma invasão.
O local contava com uma estátua de Ártemis com 15 metros feita de ouro, ébano e prata, ostentando inúmeros seios em sinal de fertilidade. Reconstruído após um incêndio em 356 a.C., o templo foi destruído em 262 d.C. pelos godos (povo germânico). Atualmente, há apenas uma coluna em pé, após restauração.
O Colosso de Rodes
Com 33 metros de altura e feito de bronze, o Colosso de Rodes homenageava Hélios, o deus-titã do Sol na mitologia grega, e ficava na ilha de mesmo nome. Há controvérsias, porém, sobre a localização. Relatos contam que teria sido feita no porto, mas há quem diga que ficava sobre uma colina. A cabeça, provavelmente, tinha raios solares, mas não há muitos detalhes. A obra sobreviveu por poucas décadas, ruindo num terremoto em 226 a.C.
Sua construção foi iniciada em 292 a.C. (até 280 a.C) e derivou do conflito entre sucessores de Alexandre, o Grande, que herdaram satrapias do monarca. Ptolemeu I do Egito impediu uma invasão de Demétrio, um dos sátrapas, a Rodes. Em agradecimento, os moradores da ilha venderam os equipamentos militares abandonados pelos derrotados e usaram o dinheiro para financiar a obra. Feito pelo escultor Chares, o monumento foi erguido em um pedestal de mármore de três metros de altura e 18 metros de diâmetro.
O Farol de Alexandria
Construído entre 280 a.C. e 247 a.C., ficava na ilha de Faros, em frente à cidade de Alexandria. A obra foi ideia de Ptolemeu I (mesmo de Rodes), e concluída por seu filho.
A base do Farol de Alexandria era quadrada, com uma torre em três partes. A primeira era um grande retângulo; enquanto, a segunda, octogonal, e, a terceira, cilíndrica. Uma fogueira no topo refletia as chamas para grandes espelhos de bronze que iluminavam o porto. Com 134 metros, o alcance do farol era de 50 km. No topo, havia uma estátua – de Zeus ou de Poseidon. A massa dos blocos alvenaria levava chumbo derretido para aguentar as ondas.
Grandes terremotos registrados causaram danos nos anos de 956 d.C.,1303 e 1323. Em 1480, o restante foi usado para construir uma fortaleza e há restos no fundo do Mar Mediterrâneo. Sua importância rendeu ao local — Ilha de Faros — a origem da palavra “farol”.
Os Jardins Suspensos da Babilônia
Terminamos a lista com a mais enigmática das Sete Maravilhas do Mundo Antigo: os Jardins Suspensos da Babilônia. Não há relatos confiáveis sobre a forma ou localização.
A obra teria sido ideia de Nabucodonosor II, segundo imperador neobabilônico, no século VI a.C, para agradar a esposa Amytis, do reino da Média (atual Irã), que sentia falta de verde. Canais traziam a água do rio Eufrates, regando as plantas e refrescando o local. Teria sido feito com tijolos de argila e decorações azuis, impermeabilizado com junco, piche e chumbo
Há algumas teorias; a primeira prega que os relatos romanos e gregos seriam ficcionais; a segunda que os jardins eram na Babilônia mesmo (atual Iraque), mas foram destruídos no século I d.C; e uma terceira coloca os jardins em Nínive, conhecida como Nova Babilônia.
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