Autonomia financeira das empresas cresce pelo nono trimestre consecutivo, fixando-se em 45,6%
O Banco de Portugal publica hoje as estatísticas das empresas da central de balanços atualizadas para o quarto trimestre de 2024. Nelas conclui que a autonomia financeira das empresas manteve a tendência crescente pelo nono trimestre consecutivo, fixando-se em 45,6%.


O Banco de Portugal publica hoje as estatísticas das empresas da central de balanços atualizadas para o quarto trimestre de 2024. Nelas conclui que a autonomia financeira das empresas manteve a tendência crescente pelo nono trimestre consecutivo, fixando-se em 45,6%.
A autonomia financeira das empresas, medida pelo peso do capital próprio no total do ativo, era de 44,1% no período homólogo.
No final do quarto trimestre de 2024, a autonomia financeira das empresas privadas era de 45,8%. Em comparação com o período homólogo, este indicador aumentou em todos os setores, com exceção das sedes sociais. A subida foi mais acentuada no setor do comércio, +2,1 pontos percentuais (pp).
O BdP diz que o aumento da autonomia financeira reflete a retenção de resultados das empresas e foi transversal a todos os setores de atividade. Por classe de dimensão, o crescimento foi mais acentuado nas pequenas e médias empresas (PME). A autonomia financeira das PME aumentou 1,9 pp relativamente ao trimestre homólogo, para 46,0%. Nas grandes empresas, o acréscimo foi de 1,3 pp, para 41,4%.
Já a autonomia financeira das empresas públicas cresceu de 36,9%, no final do quarto trimestre de 2023, para 37,2% no final do quarto trimestre de 2024.
Para o total das empresas, o peso dos financiamentos obtidos no total do ativo diminuiu de 27,6% para 26,6%. “Esta descida reflete a redução continuada dos empréstimos contraídos junto do setor financeiro e junto de empresas do grupo. O decréscimo foi transversal a todas as classes de dimensão e a todos os setores, com exceção das sedes sociais e das empresas públicas. Em ambas se observou um aumento do financiamento por títulos de dívida”, revela o BdP.
Por outro lado o custo dos financiamentos obtidos pelas empresas reduziu-se pela primeira vez desde o segundo trimestre de 2022, fixando-se em 4,8%. Após nove trimestres consecutivos a aumentar, o custo dos financiamentos obtidos reduziu-se.
O banco central destaca que “apesar da redução verificada neste trimestre, o custo dos financiamentos obtidos era ainda 0,3 pp superior ao registado no período homólogo, situação que foi transversal a todos os setores de atividade, com exceção da construção”.
A cobertura dos gastos de financiamento das empresas (medida de pressão financeira que quantifica o número de vezes que o EBITDA gerado pelas empresas é superior aos seus gastos de financiamento) reduziu-se, em termos homólogos, de 7,4 para 7,1. Para esta redução contribuíram as indústrias e as sedes sociais. Pelo contrário, no setor da construção, a cobertura dos gastos de financiamento aumentou.
Já a rendibilidade das empresas foi de 9,4%, praticamente não se alterando nos últimos cinco trimestres. “No quarto trimestre de 2024, a rendibilidade das empresas ― medida pelo rácio entre os resultados antes de amortizações, depreciações, juros e impostos (EBITDA) e o total do ativo ― foi de 9,4% (valor igual ao do terceiro trimestre de 2024 e ligeiramente inferior aos 9,5% registados no período homólogo)”, refere o banco central que sublinha que “nos últimos cinco trimestres, verificou-se uma estabilidade da rendibilidade do ativo para o total das empresas”.
A rendibilidade do ativo das empresas privadas diminuiu 0,1 pp relativamente ao período homólogo, para 9,5%.
Os setores das sedes sociais e indústrias foram aqueles em que a rendibilidade do ativo mais se reduziu (-1,5 pp e -1,1 pp, respetivamente). O O BdP detalha que nas sedes sociais, a redução foi justificada pela incorporação de menores resultados das subsidiárias. No caso das indústrias, acresceu o efeito da diminuição do EBITDA decorrente do aumento dos gastos com pessoal.
Nas empresas dos setores dos transportes e armazenagem e da construção, a evolução foi diferente: a rendibilidade aumentou em relação ao trimestre homólogo (+1,3 pp e +0,9 pp, respetivamente). Para o crescimento registado nos transportes e armazenagem contribuiu o aumento do EBITDA em atividades de tráfego aeroportuário. Na construção, a subida refletiu a melhoria generalizada do EBITDA do setor.
A rendibilidade das empresas públicas foi de 7,3% (+0,5 pp do que no período homólogo).