Tribunal francês torna Le Pen inelegível e muda cenário político

Decisão contra Le Pen gera reações internacionais e abala a extrema direita francesa; aliados criticam veredito e tentam reverter sentença Um tribunal da França sentenciou a líder de extrema direita Marine Le Pen à prisão e a impediu de participar de eleições após ser considerada culpada de desviar recursos do Parlamento Europeu. O tribunal de […] O post Tribunal francês torna Le Pen inelegível e muda cenário político apareceu primeiro em O Cafezinho.

Abr 3, 2025 - 10:27
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Tribunal francês torna Le Pen inelegível e muda cenário político

Decisão contra Le Pen gera reações internacionais e abala a extrema direita francesa; aliados criticam veredito e tentam reverter sentença


Um tribunal da França sentenciou a líder de extrema direita Marine Le Pen à prisão e a impediu de participar de eleições após ser considerada culpada de desviar recursos do Parlamento Europeu. O tribunal de Paris concluiu que Le Pen utilizou mais de 3 milhões de euros (US$ 3,3 milhões) para remunerar funcionários de seu partido, o Rally Nacional (RN), com verbas destinadas ao órgão europeu.

Durante a leitura da sentença, o juiz principal declarou que a figura política nacionalista ficará inelegível por cinco anos, com aplicação imediata. A pena inclui quatro anos de prisão, dos quais dois foram suspensos e os outros dois serão cumpridos sob monitoramento eletrônico em vez de detenção convencional.

Além disso, ela foi obrigada a pagar uma multa de 100.000 euros (US$ 108.000), enquanto o RN foi penalizado com 2 milhões de euros (US$ 2,16 milhões).

“O tribunal ponderou, além do risco de reincidência, a grande perturbação da ordem pública se uma pessoa já condenada… pudesse concorrer na eleição presidencial”, afirmou a juíza presidente Benedicte de Perthuis.

A decisão coloca em risco a participação de Le Pen nas eleições presidenciais de 2027, onde atualmente aparece como favorita nas pesquisas de intenção de voto.

A dirigente nacionalista acusou os promotores de tentarem sua “morte política”. Ela planeja recorrer do veredito, abrindo caminho para um embate jurídico potencialmente prolongado.

Antes do fim da sessão, ela deixou o tribunal acompanhada por seguranças.

Quem substituirá a líder da extrema direita?

“Se Marine Le Pen for impedida de concorrer, isso alteraria profundamente o cenário da extrema direita francesa e suas chances futuras”, disse Natacha Butler, correspondente da Al Jazeera no tribunal de Paris. “O nome mais provável para ocupar seu lugar seria Jordan Bardella, atual presidente do RN.

“No entanto, ele é muito jovem e não possui o mesmo carisma dominante de Marine Le Pen”, continuou. “Ele não tem o mesmo reconhecimento que muitos na França têm dela, então alguns argumentam que enfrentaria mais dificuldades na corrida de 2027.

“Por outro lado, outros acreditam que um rosto novo pode ser exatamente o necessário.”

Presidente do partido RN e principal eurodeputado Jordan Bardella / AFP
Presidente do partido RN e principal eurodeputado Jordan Bardella / AFP

Outros oito membros do RN que atuaram como parlamentares europeus durante o desvio de fundos, além de 12 assistentes legislativos, também foram considerados culpados.

A reação dos apoiadores nacionalistas em defesa da líder do RN foi imediata.

Bardella afirmou que a democracia francesa foi “executada” pelo veredito “injusto”.

“Hoje não foi apenas Marine Le Pen quem foi injustamente punida: foi a democracia francesa que foi assassinada”, declarou.

‘Princípios democráticos’

O adversário ideológico de Le Pen, Eric Zemmour, criticou a sentença e defendeu o direito da líder do RN de se candidatar ao eleitorado.

O Kremlin também condenou a decisão, contradizendo sua posição habitual de exigir que outros países não interfiram em seus assuntos internos.

“Cada vez mais capitais europeias estão adotando práticas que violam os princípios democráticos”, declarou o porta-voz Dmitry Peskov aos jornalistas.

O primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orban, autoproclamado defensor dos estados “patrióticos” da UE, demonstrou apoio a Le Pen, publicando no X: “Je suis Marine!” (“Eu sou Marine.”)

O vice-primeiro-ministro de extrema direita da Itália, Matteo Salvini, pareceu confundir geografia ao classificar o veredito como “uma declaração de guerra de Bruxelas”.

“Espero que ela reverta a decisão em recurso e se torne presidente da França”, comentou o líder holandês de extrema direita Geert Wilders.

No entanto, o eurodeputado Daniel Freund, que lidera o grupo anticorrupção no Parlamento Europeu, destacou que o caso contra Le Pen representa o maior escândalo de fraude na história do órgão.

“O judiciário francês demonstra que o Estado de direito vale para todos, independentemente das pesquisas de opinião”, ressaltou.

Com informações de Al Jazeera e agências de notícias

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