Lavareda: clima político se reverteu e Lula volta a ser favorito em 2026
Na manhã deste sábado, 5 de abril de 2025, o cientista político e sociólogo Antônio Lavareda participou da programação ao vivo da CNN Brasil para comentar os resultados da nova pesquisa Datafolha sobre a avaliação do governo Lula. Lavareda, que também é apresentador do programa CNN Eleições 2026 e colunista do site da emissora, trouxe […] O post Lavareda: clima político se reverteu e Lula volta a ser favorito em 2026 apareceu primeiro em O Cafezinho.

Na manhã deste sábado, 5 de abril de 2025, o cientista político e sociólogo Antônio Lavareda participou da programação ao vivo da CNN Brasil para comentar os resultados da nova pesquisa Datafolha sobre a avaliação do governo Lula. Lavareda, que também é apresentador do programa CNN Eleições 2026 e colunista do site da emissora, trouxe uma leitura otimista sobre o desempenho do governo, afirmando que os dados marcam uma virada de percepção positiva na opinião pública e sinalizam que o presidente tem motivos para comemorar.
Segundo Lavareda, o levantamento do Datafolha indica uma inversão de tendência em relação a outras pesquisas recentes, como a da Genial/Quaest, que apontavam queda de popularidade. Ele explica que, no caso da Quaest, houve um hiato metodológico — a ausência de uma medição em fevereiro — que gerou uma falsa ideia de deterioração contínua na avaliação do governo. A nova pesquisa Datafolha, com metodologia regular e credibilidade consolidada, mostra o oposto: o governo Lula parou de piorar e começou a melhorar.
O cientista político destacou que o dado mais relevante da pesquisa não está apenas nos números de “ótimo” e “bom”, mas na taxa de aprovação direta do governo. Pela primeira vez na história, o Datafolha incluiu esse item no questionário.
Segundo o levantamento, 48% dos brasileiros aprovam o governo Lula, o que representa uma melhora substancial em relação aos índices anteriores. Para Lavareda, esse resultado tem peso político estratégico, sobretudo quando comparado ao índice CNN, que em março mostrava Lula com saldo negativo de 13 pontos em aprovação. Agora, com apenas um ponto negativo, o presidente se aproxima de um cenário de estabilidade e competitividade eleitoral.
Lavareda lembrou que, em artigo recente publicado no site da CNN, havia escrito que com 41% de aprovação, Lula não teria condições de reeleição em 2026.
Para alcançar competitividade, segundo ele, seria necessário atingir pelo menos 45%. A pesquisa Datafolha, ao apontar 48%, coloca o presidente “na direção dos 50%”, marca considerada ideal para quem deseja se consolidar como favorito à reeleição.
Outro ponto enfatizado foi a capacidade do governo de usar a chamada “vantagem do incumbente” — o poder que quem ocupa o cargo tem para influenciar a agenda pública. Lavareda apontou que o governo passou a utilizar esse recurso com mais intensidade: ampliou ações de comunicação, reforçou a presença midiática, aumentou a interlocução com o Congresso e anunciou medidas populares, como a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil, o crédito consignado para seletistas com garantia do FGTS e os ganhos econômicos das viagens internacionais, como as ao Japão e Vietnã.
Essas iniciativas, segundo Lavareda, compõem um pacote de “boas notícias” que foram bem recebidas pela população. Ele avaliou que o governo acertou ao reagir politicamente e mobilizar sua estrutura de comunicação e articulação. Para ele, o salto de cinco pontos na avaliação positiva e a queda de três na negativa geram um movimento combinado de oito pontos, algo “muito expressivo” do ponto de vista estatístico e simbólico.
Por fim, Lavareda disse que a pesquisa do Datafolha oferece ao governo um motivo real de comemoração, não apenas pela melhora numérica, mas porque representa uma mudança de clima político.
Ele usou um tom bem-humorado ao afirmar que a comunicação do governo “pode estar soltando fogos” e que o responsável pela área, sendo baiano, “deve estar homenageando todos os orixás”. Ainda brincou dizendo que, se não é hora de abrir o champanhe, “dá para abrir a cerveja com direito a acarajé”.
Com essa leitura, Lavareda sinaliza que o presidente Lula ganha fôlego político em um momento chave do governo e, se mantiver a tendência de alta, reentra no jogo sucessório com chances reais de se consolidar como candidato competitivo para 2026.
Trechos da fala de Lavareda:
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Olha, respondendo à sua questão, eu diria sinteticamente que o Sidonio, a área de comunicação do governo, pode estar soltando fogos nesse sábado. Débora, aliás, como o Sidonio é baiano, ele deve estar homenageando todos os orixás dele também, como sinal de regozijo aí, por essa pesquisa do Datafolha, que inverte, que de certa forma contrarresta, se contrapõe, à análise de algumas pesquisas divulgadas essa semana, mais especificamente a pesquisa da Genial Quest, que retratava uma queda, uma suposta queda. […] Então, para a área de comunicação, para o governo, é, de fato, uma excelente notícia. Não é ainda tempo de soltar champanhe, mas dá pra abrir a cerveja. E com direito a acarajé, se for o caso. Porque inverte o clima, inverte a narrativa que vinha se consolidando, né, de que o governo estava em queda livre.
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A mudança do Datafolha é significativa quando você combina os números de avaliação positiva, Débora e Basília, de avaliação negativa, e vê os movimentos desses dois números. Movimento da avaliação positiva foi de mais cinco. Movimento da avaliação negativa foi de menos três.
Então você tem um movimento combinado de oito pontos. Isso é muito expressivo, muito significativo. Agora, por que isso ocorreu? É muito importante nós pensarmos por que isso ocorreu. […] O governo passou a utilizar com intensidade a vantagem do incumbente […] com destaque, além das ações de PR, de relações públicas e novos contatos com a classe política etc., forte teor de propaganda, de publicidade governamental. É assim que os governos conseguem reagir.
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O número mais importante para o governo, me permitam Basília e Débora, dessa pesquisa, mais do que esse ótimo e bom de 29 versus ruim e péssimo de 38, é essa aprovação.
O Datafolha, pela primeira vez na sua história, mede aprovação. O índice CNN mostrou em março, naquele momento, um saldo de 13 pontos negativos, menos 13. Então esse menos um de agora é uma coisa, como eu disse, para o Sidonio comemorar muito. Eu também escrevi naquele artigo — só concluindo, me desculpa por me estender — que daqueles 41% que o presidente tinha em março, segundo o índice CNN, aquele percentual não era alviçareiro para nenhum incumbente que pretenda reeleição.
Eu fui mais taxativo: com 41% ele não se reelege. Eu escrevi também: ele precisará chegar aos 45 para se tornar competitivo e se aproximar dos 50 para ser visto como favorito.
Pois bem, ele tá entre 45 e 50, ele ultrapassou, segundo o Datafolha, os 45 e tá na direção dos 50 aí com esses 48%. Do ponto de vista de projeto eleitoral, o presidente Lula também tem muito a comemorar com essa pesquisa do Datafolha.