Inteligência Artificial e educação sexual: como o futuro pode ajudar as mulheres?
Iniciativas de empresas, avanços da tecnologia e ações governamentais expandem o conhecimento sobre o tema para as mulheres

Nos últimos anos, muito se tem falado sobre os progressos da Inteligência Artificial (IA) e da tecnologia em diversos setores, incluindo a educação sexual. Essa evolução tem facilitado o acesso à informação para mulheres de diferentes origens e regiões, possibilitando um conhecimento que antes lhes era amplamente negado.
Sexualidade feminina foi censurada por séculos
“Por séculos, a sexualidade feminina foi controlada por um sistema patriarcal que nos silenciou de diversas maneiras, inclusive na intimidade. O acesso à educação sexual, quando ocorre, frequentemente aborda de forma superficial apenas os aspectos biológicos da sexualidade, como doenças e gravidez, devido a fatores sociais, culturais e religiosos. Essa abordagem rasa impede o debate aberto sobre o tema em escolas e comunidades, contribuindo para a perpetuação de tabus”, avalia a sexóloga Chris Marcello.
Problema é maior em áreas rurais
Em áreas rurais, a desinformação sobre saúde sexual e reprodutiva tende a ser ainda maior, mesmo com ações governamentais como a distribuição de cartilhas e programas. Isso reforça a importância da tecnologia e das redes sociais para que as informações circulem de forma mais aberta e inclusiva.
Como a IA entra como aliada na educação em sexualidade
“A Inteligência Artificial (IA) e as tecnologias digitais têm se mostrado ferramentas poderosas para superar barreiras culturais e geográficas, promovendo uma educação sexual mais acessível e informativa. Elas permitem a personalização do aprendizado, oferecendo conteúdos adaptados às necessidades de cada indivíduo, como, por exemplo, pessoas LGBTQIA+, mulheres em áreas rurais, pessoas com deficiência, entre outros grupos marginalizados, de forma acolhedora”, avalia a CEO da ItSophie, marca de produtos de autocuidado e bem-estar sexual.
Quais ferramentas de IA podem ser usadas na vida sexual?
Chris cita aplicativos baseados em IA, como Flo e Clue, como fontes de informações confiáveis sobre saúde sexual, métodos contraceptivos e prevenção de doenças, além de plataformas como o “WebEducaçãoSexual“, que utilizam tecnologias digitais na modalidade de Ensino à Distância (EAD) para formar professores e profissionais da educação sobre temas como diversidade sexual, relações de gênero e violência sexual.
“O OlimpIA, por exemplo, é um aplicativo que utiliza inteligência artificial para oferecer suporte anônimo e seguro a vítimas de violência sexual digital. Embora seu foco principal seja o apoio emocional e jurídico, ele também cria um espaço seguro para discussões sensíveis, promovendo o diálogo de forma confidencial”, explica.
Tendências de IA em Educação Sexual
“Outro benefício significativo da IA é a sua capacidade de realizar análises de dados e tendências sobre questões de saúde sexual. Isso permite identificar padrões e informar políticas públicas e programas educativos que atendam às necessidades específicas de diferentes comunidades”, continua a sexóloga.
Empresas e instituições vem adotando chatbots educativos para fornecer informações rápidas e confiáveis sobre saúde sexual e reprodutiva, enquanto garantem o anonimato.
O que vem por aí?
O conceito de “Digissexualidades“, que explora a interseção entre sexualidade e tecnologia, vai avançar. Além da onda já em curso, com aplicativos e plataformas online para facilitar discussões e promover acesso à educação sexual, a segunda onda vai incorporar IA e robótica para criar interações personalizadas e experiências imersivas, como robôs sociais e assistentes virtuais, prevê Chris.
Ainda de acordo com a especialista, existem iniciativas como a da Share Your Sex, que desenvolveu um sistema de automação, robôs e agentes de IA para empresas do setor de bem-estar sexual. Essa tecnologia é usada para agilizar tarefas operacionais e repetitivas, como a criação de conteúdo de qualidade, gestão de comunidades e atendimento ao cliente.
“No âmbito público, o Ministério da Saúde lançou a cartilha digital ‘Caminhos para a Construção de uma Educação Sexual Transformadora’, que, embora eu saiba que não é exclusivamente baseada em IA, utiliza tecnologias digitais para promover debates sobre temas como diversidade sexual, desigualdade de gênero e direitos reprodutivos”, afirma.
IA integrada a plataformas de telemedicina
Algumas empresas privadas têm integrado IA em plataformas de telemedicina para oferecer consultas e orientações sobre saúde sexual e reprodutiva, garantindo suporte profissional, segurança e confidencialidade.
Além disso, mesmo que você não perceba, a Inteligência Artificial já é utilizada por meio de algoritmos que influenciam o tipo de material exibido para você, como vídeos, artigos ou interações nas redes sociais.
“A transformação cultural necessária para acompanhar esses avanços é um processo lento e desafiador, sendo, muitas vezes, o maior obstáculo para o uso pleno dessas ferramentas. Reconhecer a necessidade de nos capacitar para viver e abordar a sexualidade de forma natural e saudável é o primeiro passo para a construção de um conhecimento mais ético e inclusivo”, finaliza.
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