A Geração Z está mudando a forma como que o mundo consome vinho
Jovens dessa geração têm hábitos de consumo distintos, pautados pela inovação e sustentabilidade. Será que transformação pode ser positiva para o setor?

A chegada da Geração Z ao cenário de consumo global está reverberando em diversos mercados, e o universo do vinho não é exceção. Longe de serem meros espectadores, esses jovens adultos estão ativamente moldando a forma como a bebida é produzida, comercializada e, principalmente, consumida.
Com valores e prioridades distintas das gerações anteriores, esse grupo emerge como uma força transformadora, contestando tradições e abrindo novas — e também desafiadoras — perspectivas para o setor vitivinícola.
Segundo avalia Fernando Moreira, especialista em vinhos exclusivos, diferentemente das gerações anteriores, esse novo público tem hábitos pautados pela inovação e sustentabilidade. “Enquanto os millennials ajudaram a consolidar o consumo de vinhos premium, os jovens da Geração Z estão moldando o setor com novas exigências e comportamentos”, avalia o proprietário da Santo Vino Importadora e DiVinho Vinhos.
Vinho com responsabilidade social
Uma das mudanças mais significativas impulsionadas por essa geração reside na crescente demanda por transparência e responsabilidade social. Para a Geração Z, o vinho não é apenas uma bebida, mas também um reflexo de práticas e valores.
Nesse cenário, vinhos produzidos de maneira sustentável, com respeito ao meio ambiente e ética em toda a cadeia produtiva, ganham destaque em suas escolhas. “Esse interesse crescente levou ao aumento da demanda por vinhos orgânicos, biodinâmicos e naturais, bem como por produtores que adotam práticas ecológicas e certificações ambientais”, comenta Fernando.
Segundo o especialista, a relação intrínseca da Geração Z com o mundo digital também redefine as estratégias de marketing e descoberta de vinhos.
Segundo ele, por estarem acostumados a consumir informações e interagir online, esses jovens exploram ativamente plataformas como Instagram, TikTok e YouTube para descobrir novas marcas, aprender sobre harmonizações e se aprofundar no universo do vinho de maneira descontraída e acessível.
“Influenciadores e sommeliers digitais ganham cada vez mais relevância na tomada de decisão, muitas vezes substituindo as recomendações tradicionais de especialistas e enólogos”, diz o sommelier.
Experimentação e a personalização
Outro fato curioso é que, por estarem desvinculados de preconceitos e tradições arraigadas, os jovens GenZ que consomem vinho demonstram curiosidade por novidades, vinhos de regiões emergentes e combinações inusitadas – indo muito além dos rótulos do Velho Mundo.
Segundo as análises de Fernando, a busca por experiências únicas e personalizadas estimula a inovação em diversos aspectos, desde a produção de vinhos com perfis sensoriais diferenciados até embalagens criativas e formatos de consumo mais flexíveis. Dessa forma, a rigidez dos rótulos clássicos cede espaço à exploração e à descoberta.
Uma geração que consome menos álcool

Contudo, essa influência não está isenta de desafios. De acordo com o último relatório do Silicon Valley Bank, uma parcela significativa da Geração Z — 25% — é abstêmia, e 35% não consome vinho.
Pesquisas reforçam esses dados, apontando que, entre 1960 e 2022, o consumo individual de álcool caiu 60% entre os franceses, um país conhecido por seus vinhedos de excelência e forte tradição vinícola.
A Geração Z compra apenas metade do volume de vinho adquirido pelos millennials mais velhos
Segundo o Conselho Interprofissional do Vinho de Bordeaux (CIVB), o consumo de vinho tinto na França caiu cerca de 90% desde a década de 1970. No geral, o consumo total de vinhos (brancos, rosés e tintos) no país diminuiu mais de 80% desde 1945. Essa tendência se acentua entre a Geração Z, que compra apenas metade do volume adquirido pelos millennials mais velhos, segundo a Nielsen.
“Além disso, essa geração demonstra preferência por experiências interativas. Eventos imersivos, degustações digitais e visitas a vinícolas que oferecem experiências exclusivas são cada vez mais populares. O ato de beber vinho vai além da simples apreciação da bebida e se torna um momento social e cultural, frequentemente compartilhado nas redes sociais”, analisa Fernando sobre o cenário.
Essa tendência, observada inclusive em países com forte tradição vinícola, exige uma reflexão por parte do setor sobre como engajar essa parcela da população sem comprometer seus valores e preocupações com saúde e bem-estar.
Um novo olhar para o universo do vinho

Apesar dos dados de diminuição do consumo, a Geração Z também oferece oportunidades valiosas para o setor. Sua busca por experiências memoráveis impulsiona a popularidade de eventos imersivos, degustações interativas e visitas a vinícolas que oferecem algo além da simples prova da bebida.
Para esses consumidores, o vinho está intrinsecamente ligado a momentos sociais e culturais, frequentemente compartilhados online, o que pode gerar um poderoso marketing boca a boca para as marcas que souberem criar conexões autênticas.
O ato de beber vinho vai além da simples apreciação da bebida e se torna um momento social e cultural
“Investir em sustentabilidade, presença digital e inovação são elementos-chave para atrair a Geração Z e garantir um posicionamento sólido no futuro do mercado de vinhos. Com um olhar atento às tendências e disposição para dialogar com esses jovens consumidores, o setor vitivinícola pode se reinventar e expandir ainda mais seu alcance”, conclui o especialista.
A Geração Z não está apenas consumindo vinho de forma diferente, mas sim redefinindo o próprio mercado. Sua busca por autenticidade, sustentabilidade, experiências digitais e personalização está forçando o setor a se adaptar e inovar.
As marcas e produtores que compreenderem as nuances dessa geração e se mostrarem dispostos a dialogar e evoluir certamente colherão os frutos dessa transformação, pavimentando o caminho para um futuro do vinho mais dinâmico, consciente e conectado com as novas demandas.
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