Reino Unido desenvolve bateria que dura mais de cinco milênios sem carregar

Uma equipe da Universidade de Bristol, no Reino Unido, em colaboração com a Autoridade de Energia Atômica do país (UKAEA), anunciou o desenvolvimento da primeira bateria de diamante baseada em carbono-14 do mundo. O dispositivo, segundo os pesquisadores, é capaz de gerar eletricidade de forma contínua por milhares de anos sem necessidade de recarga. A […] O post Reino Unido desenvolve bateria que dura mais de cinco milênios sem carregar apareceu primeiro em O Cafezinho.

Abr 6, 2025 - 02:48
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Reino Unido desenvolve bateria que dura mais de cinco milênios sem carregar

Uma equipe da Universidade de Bristol, no Reino Unido, em colaboração com a Autoridade de Energia Atômica do país (UKAEA), anunciou o desenvolvimento da primeira bateria de diamante baseada em carbono-14 do mundo.

O dispositivo, segundo os pesquisadores, é capaz de gerar eletricidade de forma contínua por milhares de anos sem necessidade de recarga.

A tecnologia utiliza o carbono-14, um isótopo radioativo normalmente empregado na datação de materiais orgânicos antigos, como fonte primária de energia.

O funcionamento da bateria se dá pela conversão da energia liberada na decomposição radioativa do carbono-14 em eletricidade, encapsulada em uma estrutura de diamante sintético.

De acordo com a Universidade de Bristol, o projeto visa atender à demanda por fontes energéticas duradouras em contextos específicos, como equipamentos médicos implantáveis, sondas espaciais e dispositivos eletrônicos de difícil acesso.

A proposta é fornecer uma alternativa às baterias convencionais, que exigem recarga frequente e possuem vida útil limitada.

Os pesquisadores explicam que o carbono-14 é extraído de resíduos radioativos, como grafite irradiado utilizado em reatores nucleares. Esse material passa por um processo de extração e purificação antes de ser convertido em diamante sintético. O diamante resultante atua simultaneamente como fonte de energia e como blindagem contra a radiação emitida.

“A bateria de diamante representa uma nova forma de geração de energia, que é segura, estável e de longa duração”, afirma a equipe da universidade. O grupo também ressalta que a quantidade de radiação emitida é mínima e não representa riscos para seres humanos, devido à blindagem natural do diamante.

Segundo os responsáveis pelo projeto, a vida útil da bateria está diretamente relacionada à meia-vida do carbono-14, estimada em cerca de 5.730 anos.

Com isso, o dispositivo tem potencial para operar continuamente por todo esse período, o que o torna apropriado para usos em que substituições frequentes são inviáveis.

A equipe de pesquisa está avaliando possíveis aplicações da tecnologia em ambientes extremos, incluindo missões espaciais de longa duração, sistemas de monitoramento em locais remotos e implantes médicos que exigem funcionamento contínuo.

“Essa bateria pode ser usada onde não há acesso fácil para manutenção ou recarga”, destaca o grupo de cientistas.

Além da durabilidade, a bateria não possui partes móveis nem requer manutenção. Os pesquisadores também apontam que a tecnologia pode contribuir para a reutilização de resíduos nucleares, ao transformar grafite irradiado em um componente funcional, reduzindo a necessidade de armazenamento de materiais perigosos.

O projeto integra uma série de iniciativas de pesquisa em energia avançada conduzidas pela Universidade de Bristol e pela UKAEA.

A expectativa é que, com o avanço das pesquisas e a superação de barreiras tecnológicas, o dispositivo possa ser produzido em escala e integrado a sistemas energéticos especializados.

Até o momento, a bateria encontra-se em fase de desenvolvimento experimental, com foco em testes de eficiência, segurança e viabilidade técnica.

Os pesquisadores indicam que a comercialização ainda depende de regulamentações e da conclusão de etapas de validação científica e industrial.

A Universidade de Bristol informou que colabora com instituições do setor nuclear e da indústria aeroespacial para ampliar o escopo da pesquisa e acelerar a aplicação da tecnologia em cenários práticos.

Também estão em andamento estudos sobre o impacto ambiental da produção e utilização da bateria, incluindo o reaproveitamento de resíduos radioativos.

A UKAEA considera que a inovação pode contribuir para a diversificação das fontes energéticas em setores críticos. “Estamos investigando como essa tecnologia pode ser integrada com outras formas de geração de energia segura e de longo prazo”, afirma a autoridade.

A equipe ainda não divulgou estimativas de custo de produção nem projeções comerciais. O foco atual permanece na consolidação científica do conceito e na comprovação de seu desempenho ao longo do tempo em condições reais de uso.

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