O papel de Haddad na articulação com deputados pelo projeto do IR
Chamada ‘reforma da renda’ é aposta de Lula para recuperar popularidade e melhorar posição para as eleições de 2026

O ministro Fernando Haddad vai mergulhar de vez, em abril, na articulação política com deputados pelo avanço do projeto de lei da isenção do Imposto de Renda para quem ganha até 5.000 reais.
Nos próximos dias, ele deve se reunir com os líderes de bancadas governistas para discutir estratégias para a tramitação do texto –aposta de Lula para recuperar a popularidade rumo às eleições.
Além disso, o ministro da Fazenda deve comparecer à Comissão de Finanças e Tributação (CFT) da Câmara em 23 de abril para explicar o projeto e tirar dúvidas de deputados.
O convite partiu de Rogério Correia (PT-MG) e Florentino Neto (PT-PI), respectivamente presidente e vice-presidente do colegiado.
Durante a tramitação, a prioridade do Palácio do Planalto é evitar a desidratação do projeto. Por isso, um dos temas da conversa com líderes será a escolha do relator.
Há um consenso sobre a importância de se designar para o posto um parlamentar de centro, com possibilidade de negociar e manter diálogos com colegas do PT ao PL.
Nos bastidores, alguns nomes já são especulados, como Claudio Cajado (PP-BA), que foi relator do novo arcabouço fiscal; Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), que relatou a PEC da reforma tributária; e Mauro Benevides Filho (PDT-CE), responsável pelo texto do segundo projeto da regulamentação da reforma tributária.
Também é pacífico que o maior risco, para o governo, de desidratação do projeto da isenção do IR recai sobre a criação de uma alíquota mínima, que cresce progressivamente de 0% a 10%, a ser aplicada sobre todos que ganham mais de 50.000 reais por mês.
Há receio de que, durante a tramitação da proposta, deputados de direita e centro-direita tentem trocar essa compensação fiscal por obrigações de corte de gastos ao Executivo.