Microsoft 50 Anos – a empresa que mudou o mundo – Parte 1
Descubra como Bill Gates e Paul Allen transformaram a Microsoft em uma gigante da tecnologia, desde os primeiros passos até a revolução dos computadores pessoais Microsoft 50 Anos – a empresa que mudou o mundo – Parte 1

Em espírito, a Microsoft surgiu bem antes de 1975, mas nem em seus mais desvairados sonhos Bill Gates e Paul Allen imaginavam o impacto que ela teria no tecido da sociedade.
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Paul Allen e Bill Gates, nos primórdios da Microsoft (Crédito: Microsoft)
A semente da Microsoft surgiu em 1968, quando Bill Gates, então com 13 anos, foi transferido para a Lakeside Prep School, uma escola de elite em Seattle. Com uma visão bem progressista, a escola promovia e aceitava várias iniciativas pouco ortodoxas, como quando a Associação de Mães fez um brechó e juntaram dinheiro para instalar terminais de computador, usados por alunos e professores.
Bill Gates era o protótipo do nerd, e com a curiosidade típica dos garotos de 13 anos, mergulhou de cabeça, aprendendo BASIC junto com Paul Allen, que se tornaria um amigo de uma vida inteira.
Quando o contrato com a empresa que disponibilizava o acesso ao computador acabou, Gates conseguiu acesso aos terminais de uma tal de Computer Center Corporation, mas o acordo não durou muito, depois que a empresa descobriu que os moleques eram hackers e estavam maceteando o sistema para ter acesso a muito mais tempo de máquina do que tinham direito.
Passado algum tempo, os ânimos se acalmaram e a turma do Gates acabou contratada para debugar os sistemas da CCC, em troca de tempo de máquina.
Com 17 anos, Gates foi contratado pela própria escola para escrever o sistema de agendamento de aulas, e como bom hacker, ele incluiu uma sub-rotina para colocar as alunas mais gatinhas na turma dele.
Apesar de ser de família rica, Gates não foi criado para ficar em casa fumando cigarrinho de artista ouvindo rock pauleira. Foi ensinado a ser ambicioso e competitivo, o que o levou a fundar, com Paul Allen, uma empresa chamada Traf-o-Data.
Para monitorar tráfego em estradas, prefeituras usam tubos pneumáticos que atravessam a rua, e quando um carro passa por cima, acionam um sensor que grava uma fita de papel com um valor em 16 bits, indicando hora, data, etc. A leitura dessa fita era manual.
Gates queria construir um computador para ler a fita de papel e gerar os relatórios muito mais rápido e barato do que outras empresas, Paul Allen escreveu um emulador do processador Intel 8008 para testar o software, mas eles esqueceram que não tinham a menor experiência com hardware.
Acabou que o computador deles não funcionou direito, e tiveram que oferecer o serviço manualmente, até que a Revolução dos Computadores caiu no colo dos dois:

A Popular Electronics que mudou o mundo (Crédito: Reprodução Internet)
A edição de janeiro da Popular Electronics trazia na capa o primeiro kit completo de um computador pessoal, o Altair 8800. Não era barato. Era vendido em kit ou montado. A versão montada custava o equivalente em 2025 a US3700, e não havia muito o que fazer com ele.
O Altair era um computador muito engraçado, não tinha BASIC, não tinha nada. Não tinha teclado, não tinha monitor, não tinha nem ROM, que dirá sistema operacional. Você precisava inserir um programa LOADER, em binário, por meio de chaves no painel frontal, para então o Altair conseguir ler dados de uma porta serial, em geral, ligada a um leitor de fita de papel.
Mesmo assim era revolucionário, era um computador de verdade na mão de fuçadores e entusiastas, e o bicho vendeu feito água, para surpresa da MITS, a empresa fabricante, até então especializada em kits de calculadoras e equipamentos eletrônicos menores.

Altair 8800 conectado a um terminal (Crédito: Wikimedia Commons)
Apesar das vendas expressivas, a MITS sabia que precisava de uma linguagem, programar o Altair em linguagem de máquina era chato, complicado e limitava a quantidade de gente com conhecimento para usar (e se interessar) o equipamento.
Gates e Allen viram a oportunidade, Allen criou um emulador do Intel 8080, a CPU do Altair, e juntos escreveram um interpretador BASIC, sem nunca terem chegado perto de um Altair de verdade.
Voaram para Albuquerque, não fizeram curva errada, ao contrário de alguns coelhos, e fizeram uma apresentação para Ed Roberts, da MITS, que presenciou Paul Allen inserir o bootloader no painel frontal, ler a fita de papel com o software, e o terminal escrever READY.
Allen digitou “PRINT 2+2” A MITS fechou imediatamente com Allen e a Micro-Soft (o hífen cairia um tempo depois) e o Altair 8800 passou a vender duas versões, o BASIC 4K, para máquinas básicas, e o BASIC 8K, para computadores com expansão de memória.
A versão 4K custava o equivalente a US$ 890 em 2025. A 8K, US$ 1.200. E você reclamando do preço de jogos...
Todo mundo ganhou bastante dinheiro nessa época, mas a Microsoft também foi responsável pelo surgimento de um fenômeno novo: A Pirataria.
Não havia qualquer proteção de software na época, copiar um programa era tão simples quanto ligar um leitor de fita em uma perfuradora. E uma versão do BASIC da Microsoft acabou vazando.
No final de 1975, Bill Gates publicou uma “Carta aos Hobbystas”, reclamando da pirataria do Altair BASIC, e digamos que não foi bem-recebida pela comunidade, que não nadava em dinheiro.
Bill Gates foi pioneiro até na criação do Textão (Crédito: Reprodução Internet) Produzindo versões de BASIC para diversos computadores que foram surgindo, a Microsoft foi se consolidando, até 1980, quando a empresa lançou seu primeiro sistema operacional, e se você acha que era o DOS, parabéns, errou e isso me rendeu um uísque apostado em uma Feira do Livro com funcionários da empresa, muitos anos atrás.
O primeiro Sistema Operacional da Microsoft foi o Xenix, uma versão licenciada do Unix, não Linux, que surgiria só 11 anos depois.
O DOS só surgiria no final do ano, meio a contra-gosto. Bill Gates não estava interessado, queria só licenciar BASIC para a IBM, que também não estava dando atenção. O IBM-PC era um projeto menor, dos engenheiros da empresa na unidade de Boca Raton, na Flórida.
A IBM não acreditava em PCs, computadores menores que uma sala eram brinquedo e uma distração, não havia como competir com mainframes, mas para fazer os engenheiros felizes, podiam gastar alguns milhões de dólares nesse projeto que não daria em nada. Mas isso é assunto para a Parte 2...