Guerra comercial entre China e EUA amplia espaço para exportações brasileiras

A intensificação da guerra comercial entre China e Estados Unidos reacendeu preocupações em mercados internacionais e abriu possibilidade de expansão para produtos brasileiros, especialmente no setor agropecuário. Com o anúncio de novas tarifas entre as duas maiores economias do mundo, produtos norte-americanos se tornam menos competitivos no mercado chinês, o que pode beneficiar o Brasil […] O post Guerra comercial entre China e EUA amplia espaço para exportações brasileiras apareceu primeiro em O Cafezinho.

Abr 5, 2025 - 15:54
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Guerra comercial entre China e EUA amplia espaço para exportações brasileiras

A intensificação da guerra comercial entre China e Estados Unidos reacendeu preocupações em mercados internacionais e abriu possibilidade de expansão para produtos brasileiros, especialmente no setor agropecuário.

Com o anúncio de novas tarifas entre as duas maiores economias do mundo, produtos norte-americanos se tornam menos competitivos no mercado chinês, o que pode beneficiar o Brasil em segmentos como soja, carne suína e milho.

Na última sexta-feira, 4, o governo chinês anunciou uma tarifa adicional de 34% sobre todos os produtos norte-americanos. A medida entra em vigor a partir de 10 de abril e foi uma resposta direta ao aumento de impostos determinado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre mercadorias chinesas.

A nova rodada de tarifas eleva os custos dos produtos dos EUA na China, reduzindo sua atratividade comercial. Com isso, fornecedores de outros países, como o Brasil, podem ocupar espaços deixados pelos norte-americanos.

A soja, principal item da pauta de exportações do Brasil para a China, é apontada por analistas como o primeiro produto a sentir os impactos da escalada tarifária. Embora os Estados Unidos ainda sejam o segundo maior fornecedor do grão para os chineses, há expectativa de que Pequim amplie as compras do Brasil para evitar os custos adicionais.

O setor de carnes também está no centro das projeções. A carne suína brasileira pode registrar aumento nas exportações em função da nova política tarifária chinesa. Analistas do setor preveem que o Brasil precisará rever para cima suas estimativas de vendas externas do produto, diante da perda de competitividade dos fornecedores norte-americanos.

Em relação à carne bovina, o cenário é mais incerto. O governo chinês iniciou no fim de 2024 uma investigação para avaliar os impactos das importações sobre a produção doméstica.

Há possibilidade de que tarifas adicionais sejam impostas à carne bovina importada, o que pode frear a expansão das vendas brasileiras nesse segmento. Por outro lado, o aumento da demanda por proteínas animais na China e o compromisso de Pequim com a segurança alimentar da população podem manter o fluxo de compras.

No setor de grãos, o milho aparece com perspectivas limitadas no curto prazo. Apesar de o Brasil ser um dos principais exportadores mundiais do cereal, a boa safra chinesa em 2024 reduziu a necessidade de importações. Além disso, a produção brasileira tem sido impactada por condições climáticas adversas, como a escassez de chuvas em regiões produtoras.

Ainda assim, especialistas não descartam uma reversão desse cenário. Caso o conflito comercial entre China e Estados Unidos se prolongue e a próxima safra chinesa apresente queda de produtividade, o Brasil pode aumentar sua participação nesse mercado.

A disputa tarifária entre Washington e Pequim também envolve setores estratégicos da economia global. O governo chinês anunciou restrições à exportação de elementos de terras raras para os Estados Unidos.

Entre os itens incluídos estão samário, disprósio e térbio — metais utilizados na fabricação de armamentos, semicondutores e veículos elétricos. A medida tem como alvo empresas do setor de alta tecnologia, que já enfrentam dificuldades devido à fragmentação das cadeias de suprimento.

Além das restrições comerciais, a China adicionou 16 empresas norte-americanas à sua lista de controle de exportações e incluiu outras 11 na chamada “lista de entidades não confiáveis”. As empresas listadas ficam sujeitas a sanções, como proibição de atividades comerciais na China e congelamento de ativos.

O Brasil, enquanto observa a intensificação das disputas entre as duas potências, busca se consolidar como um parceiro confiável no comércio internacional. A perspectiva de aumento da demanda chinesa por produtos brasileiros, especialmente no agronegócio, pode reforçar a balança comercial nacional.

Diplomatas e representantes do setor produtivo brasileiro avaliam que a posição do país fora da disputa direta entre China e Estados Unidos pode favorecer acordos bilaterais e fortalecer a presença do Brasil em mercados estratégicos. No entanto, analistas destacam que esse movimento exige planejamento, estrutura logística e capacidade produtiva para atender à demanda adicional.

Enquanto o cenário internacional permanece instável, o Brasil monitora os desdobramentos da guerra comercial com foco em oportunidades de exportação e posicionamento estratégico nas cadeias globais de suprimentos.

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