Manejo integrado do fogo previne incêndios e preserva ecossistemas
Doutor em ciências do ambiente, Heitor Sousa defende o uso consciente do fogo para conter incêndios florestais no país

O Brasil registrou mais de 30,8 milhões de hectares queimados em 2024, um aumento de 79% em relação ao ano anterior, segundo o Monitor do Fogo, do MapBiomas. Diante desse cenário, foi sancionada a Política Nacional de Manejo Integrado do Fogo (Lei nº 14.944/2024), que estabelece diretrizes para o uso responsável do fogo.
Em entrevista ao CB.Agro — uma parceria entre o Correio Braziliense e a TV Brasília — , o biólogo Heitor Sousa, mestre em ecologia e doutor em ciências do ambiente, explicou que o manejo é composto pela ecologia do fogo, práticas de prevenção e o saber tradicional de comunidades rurais.
Sousa defende que o fogo, quando utilizado com conhecimento e estratégia, pode ser um aliado na conservação ambiental e na produção agrícola, especialmente em biomas como o Cerrado, que evoluíram com queimadas naturais. “É um avanço no sentido de construir um manejo mais sustentável”, afirmou o especialista, destacando que a nova política visa ampliar o uso do fogo controlado para além das unidades de conservação.
Técnicas como as queimadas prescritas, que reduzem o acúmulo de matéria seca, e os aceiros, faixas sem vegetação para conter o avanço das chamas, são exemplos práticos do manejo. A legislação também reconhece o direito de comunidades tradicionais utilizarem o fogo em suas práticas agrícolas, desde que haja planejamento e comunicação prévia com brigadistas.
O Código Florestal já previa o uso legal do fogo mediante licenciamento, mas agora, com a nova lei, espera-se maior integração entre produtores, comunidades e órgãos ambientais. Para isso, Sousa reforça a importância da capacitação técnica e da formação de brigadas locais, permitindo que os próprios produtores participem do planejamento e contribuam para a conservação da biodiversidade.
Com o avanço das mudanças climáticas, os incêndios têm se tornado mais frequentes e intensos, especialmente em períodos de seca severa. Em 2024, o Cerrado foi duramente atingido, com 9,7 milhões de hectares queimados, seguido pela Amazônia, com 17,9 milhões, e o Pantanal, que teve aumento de 64% nas áreas queimadas. Diante desse cenário, o especialista alerta: é preciso planejar com antecedência, monitorar o clima e ajustar o uso do fogo às novas condições ambientais.
Confira a íntegra da entrevista
*Estagiária sob supervisão de Pedro Grigori
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