Faltam 72 dias para o Rali de Portugal: António Simões guiou o Subaru que ganhou o TAP 1995

No #928, de 20 a 26 de março de 1995, a edição seguinte à que reportou o triunfo de Carlos Sainz/Luis Moya no TAP/Rali de Portugal, o AutoSport deu conta da viagem que fez a Inglaterra. Uma viagem especial, que culminou com o ensaio ao Subaru Impreza 555 com a matrícula L555 REP – afinal […] The post Faltam 72 dias para o Rali de Portugal: António Simões guiou o Subaru que ganhou o TAP 1995 first appeared on AutoSport.

Mar 4, 2025 - 12:20
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Faltam 72 dias para o Rali de Portugal: António Simões guiou o Subaru que ganhou o TAP 1995

No #928, de 20 a 26 de março de 1995, a edição seguinte à que reportou o triunfo de Carlos Sainz/Luis Moya no TAP/Rali de Portugal, o AutoSport deu conta da viagem que fez a Inglaterra. Uma viagem especial, que culminou com o ensaio ao Subaru Impreza 555 com a matrícula L555 REP – afinal o mesmo dos duelos inesquecíveis de Fafe a Figueiró dos Vinhos, dias antes.

O AutoSport garante mesmo que “nas rodas ainda era visível muita lama de Arganil e talvez mesmo pedaços deste ou daquele tufo de arbustos, que vieram atrás durante o ataque na Amoreira.” Verdade ou consequência, o fato – indesmentível – de o Subaru Impreza 555 ser “um carro que só de olhar para ele, impressiona. Uma máquina equipada com tudo o que há de melhor em alta tecnologia, possuindo inovadores sistemas de transmissão, suspensões super-desenvolvidas e um motor de quatro cilindros boxer turbocomprimido, cujo ruído faz sonhar mesmo os mais desligados destas coisas dos ralis…”

Que, sem dúvida, não eram o repórter do AutoSport, Luís Caramelo, que se deslocou ao circuito de Mira uma pista “exclusivamente dedicada a testes”, a cerca de 100 km a norte de Oxford e “utilizado por várias marcas. E o piloto António Simões, que ficou “encarregue” de experimentar o Subaru Impreza 555. Coisa que nem hesitou em segundo em fazer… Do primeiro contato ao deslumbre O primeiro contato com qualquer coisa que ansiamos deveras, deixa sempre uma marca infinita. Foi o que sucedeu com António Simões: “Confesso [escreveu ele no AutoSport] que quando me sentei no carro pensei que ia ser um ensaio muito complicado. O carro tinha muito ‘movimento’, ou seja, tinha afinação para terra (…) havia muitas transferências da frente para trás e lateralmente (…) O carro em reta não ‘ia direito’ e isso preocupou-me porque o julguei muito instável.”

Erro seu: a verdade é que… “ia devagar demais e nem sequer tinha puxado nada por ele. Logo que o fiz, revelou-se uma viatura… fabulosa. Em esforço, o Impreza é muito fácil de conduzir, mas trata-se de uma viatura algo complexa: ter diferencial à frente, ao meio e atrás, fazem-no possuir elevada tecnologia, que eu notava, mas cujas reações não consigo explicar.” Pois é: o Impreza 555 nunca foi para o comum dos mortais, mesmo que esse “comum” fosse piloto de competição, como era o caso de Simões: “O Impreza ‘faz-se’ bem às curvas, mesmo em desaceleração, mas notei ser necessário mantê-lo em esforço, para mais facilmente o controlar. Em aceleração, a saída das curvas se dosearmos a potência, é muito facilitada.” É que, “quanto mais a traseira se ‘passa’, mais fácil se torna fazer toda a curva. Se tal não acontecer, é mais difícil encontrar a linha ideal da trajetória.” Nada, porém, que deixe preocupado quem vai ao volante: “O Impreza permite tudo.” Simões, no final não teve dúvidas: [O Impreza 555] é verdadeiramente espetacular e, como piloto, [este teste] foi uma das coisas que mais gozo me deu fazer.”

O Subaru Impeza 555 “tem uma caixa de velocidades formidável. Permite efetuar as maiores barbaridades sempre sem embraiagem. (…) Compreendo perfeitamente porque é que os pilotos não preferem [utilizar] os comandos no volante, já que, com a manete, conseguimos comandar tudo com

muita certeza, mas também com alguma dureza. À bruta, mesmo! (…) Sem embraiagem, já o disse, mas também sem levantar o pé!” Verdadeiramente fabuloso: “pode mesmo dispensar-se o uso da embraiagem para arrancar ou na saída de um gancho.” Outro dos aspetos, segundo Simões, “curiosos” do Impreza 555, são os travões: “melhor dizendo o travão de mão.” É que, embora sendo “um carro de tração total”, [o travão de mão] “atua mesmo nas rodas traseiras bloqueando-as e desligando automaticamente a repartição de potência para as rodas traseiras.” O que permite “cumprir ganchos sem perder tempo.” O Subaru Impreza 555 “trava equilibrado, mas como estava com a afinação de terra balança um pouco mais. Só mantendo-o em esforço, o seu comportamento é são, em qualquer situação. Não se deve hesitar travando e acelerando para encontrar a trajetória ideal. Até se podem dar guinadas no volante, que nada acontece (…) reage sempre muito bem.” Em aceleração, [o 555] é também “impressionante. Vai dos 0 aos 200 km/h enquanto for humanamente possível passar de caixa.” Além disso, com o sistema “bang-bang, que assegura o funcionamento constante do turbo, para permitir uma resposta imediata, mesmo a baixa rotação ou quando se passa de caixa (…) o motor fica como que acelerado, já que o turbo está na rotação máxima e, quando recorremos ao acelerador, a potência já lá está.” Segundo os técnicos, ganha-se com isso “cerca de meio segundo” (..) mas eu não notei muita diferença na resposta.” Pronto: voltamos ao carro de outro mundo… Seja como for, para António Simões “foi um verdadeiro gozo guiar o carro vencedor do TAP/ Rali de Portugal. Uma máquina impressionante, onde a tecnologia está sempre presente com níveis mais do que elevados.”The post Faltam 72 dias para o Rali de Portugal: António Simões guiou o Subaru que ganhou o TAP 1995 first appeared on AutoSport.