Segredos ancestrais no Rio de Janeiro

Foi na boleia de um caminhão, atravessando a estrada pedregosa no alto do Parque Nacional do Itatiaia, que o montanhista Andrés Rodrigues Conquista notou, em dezembro de 2023, uma florada de lírios vermelhos. As flores conduziram os olhos do jovem a uma das rochas que margeiam a Estrada do Planalto, principal acesso à parte íngreme do parque a 2.350 metros de altitude. O montanhista decidiu explorar aquela formação rochosa e observou que nela havia uma pequena gruta. O acesso não chega a ser  difícil – há pedras e o terreno, ainda que escorregadio, não tem grandes deformações. De modo que, após uma caminhada de 50 metros, Conquista fez uma descoberta significativa para a arqueologia brasileira, divulgada na manhã desta quarta-feira. Para pesquisadores, trata-se das  primeiras pinturas rupestres encontradas no estado do Rio de Janeiro.  A gruta tem aproximadamente 10 metros de comprimento, 2 de altura e 2 de profundidade, e as pinturas foram feitas na parte interna. “Essa descoberta gera uma nova perspectiva, principalmente para a arqueologia do Sudeste. Ela confirma a presença de caçadores no território fluminense, e isso tinha passado despercebido pela arqueologia”, comenta Maria Dulce Barcellos Gaspar de Oliveira, conhecida como Madu Gaspar, especialista em arte rupestre que atua como pesquisadora pesquisadora colaboradora do Museu Nacional da UFRJ.  The post Segredos ancestrais no Rio de Janeiro first appeared on revista piauí.

Abr 2, 2025 - 17:11
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Segredos ancestrais no Rio de Janeiro

Foi na boleia de um caminhão, atravessando a estrada pedregosa no alto do Parque Nacional do Itatiaia, que o montanhista Andrés Rodrigues Conquista notou, em dezembro de 2023, uma florada de lírios vermelhos. As flores conduziram os olhos do jovem a uma das rochas que margeiam a Estrada do Planalto, principal acesso à parte íngreme do parque a 2.350 metros de altitude. O montanhista decidiu explorar aquela formação rochosa e observou que nela havia uma pequena gruta. O acesso não chega a ser  difícil – há pedras e o terreno, ainda que escorregadio, não tem grandes deformações. De modo que, após uma caminhada de 50 metros, Conquista fez uma descoberta significativa para a arqueologia brasileira, divulgada na manhã desta quarta-feira. Para pesquisadores, trata-se das  primeiras pinturas rupestres encontradas no estado do Rio de Janeiro. 

A gruta tem aproximadamente 10 metros de comprimento, 2 de altura e 2 de profundidade, e as pinturas foram feitas na parte interna. “Essa descoberta gera uma nova perspectiva, principalmente para a arqueologia do Sudeste. Ela confirma a presença de caçadores no território fluminense, e isso tinha passado despercebido pela arqueologia”, comenta Maria Dulce Barcellos Gaspar de Oliveira, conhecida como Madu Gaspar, especialista em arte rupestre que atua como pesquisadora pesquisadora colaboradora do Museu Nacional da UFRJ. 

Essa é uma descoberta que todo arqueólogo gostaria de fazer. Mas coube a um morador do parque esse privilégio. Conquista é o supervisor operacional da parte alta do Parque Nacional do Itatiaia. É dele a responsabilidade de proteger a fauna e a flora e evitar que os visitantes alterem a paisagem natural. Por isso, quando enxergou as primeiras formas geométricas tingidas nas cores vermelho e amarelo no paredão rochoso, se irritou. “Fiquei bravo porque pensei que fosse uma pichação de turistas e imaginei que seria repreendido por um eventual descuido na proteção dessa área.” Mas o temor durou pouco. Conquista estranhou a inexistência de letras, números ou símbolos familiares e percebeu que as pinturas poderiam ser antigas. “Foi quando percebi que aquilo não era recente, que poderia ter sido feito muitos anos atrás, e me emocionei.”

 

A piauí acompanhou um grupo formado por três arqueólogos numa visita exploratória ao local da descoberta, que acaba de receber o nome de sítio arqueológico Agulhas Negras. A viagem tinha dois objetivos: analisar as pinturas rupestres e checar se as imagens desenhadas na gruta têm relação com o equinócio de outono. Equinócio é quando o dia tem a mesma duração da noite – doze horas de luz, doze horas de escuridão. Para essa segunda tarefa integrou-se ao grupo o arqueoastrônomo Marcos Davi Duarte da Cunha. Ele levou um conjunto de equipamentos para medir o alinhamento entre as pinturas, o Sol e a paisagem. “A ideia era medir a pintura rupestre e o alinhamento astronômico e observar se aquelas imagens conversavam de alguma forma com a paisagem local”.  O ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade) está ciente da descoberta e acompanha as pesquisas. 

A comitiva viajou 240 quilômetros do Rio de Janeiro a Engenheiro Passos, distrito de Resende. Chegou à região na manhã do dia 19 de março, véspera do equinócio de outono, por volta das 5 horas. Assim que alcançamos a estrada de terra que dá acesso ao Parque Nacional do Itatiaia, fomos engolidos por um denso nevoeiro. Havia muita expectativa sobre as condições do tempo. Se chovesse o dia todo, o trabalho seria prejudicado – a meteorologia alertava sobre o risco de temporais naquele dia. Deixamos nossas bagagens em um abrigo para turistas e nos encaminhamos ao sítio arqueológico, em uma caminhada de aproximadamente 50 metros – a mesma que Conquista fez quando viu as pinturas pela primeira vez. Avançamos, então, pela trilha improvisada, desviando da vegetação rasteira, escapando de buracos escondidos sob a folhagem e vencendo pedras irregulares no caminho. 

A área tem pequenas elevações, mas nada que dificulte o acesso. Não fizemos nenhum tipo de escalada ou uso de algum equipamento especial para montanhismo, por exemplo. Apesar de estar localizada próxima à entrada na parte alta do parque, a gruta não faz parte do roteiro dos visitantes que exploram o espaço – Conquista só se deteve nela porque ficou interessado nos lírios vermelhos que estavam despontando. Os turistas passam por ali a todo momento, mas estão preocupados em explorar outros atrativos, como o circuito Cinco Lagos e a cachoeira Aiuruoca.

 

Ao nos aproximarmos da gruta, reinou um silêncio absoluto. Ali, resistentes às intempéries do tempo, estavam as primeiras imagens rupestres encontradas em território fluminense. São formas geométricas e zoomórficas, que lembram lagartos, e uma circular, sugerindo o desenho de um astro, possivelmente o Sol. Há outras pinturas separadas, imagens abstratas que podem sugerir pássaros, alguns traços cuidadosamente alinhados, todos mesclando as cores vermelha e amarela. 

“Essas pinturas lembram o que nós chamamos de tradição São Francisco, muito presente na Bahia e em Minas Gerais, e se caracterizam pela predominância de formas geométricas e pela sobreposição das cores vermelha e amarela”, afirmou Carlos Gabriel Paes Dias, doutorando em Arqueologia na Universidade Federal do Rio de Janeiro. Segundo os pesquisadores, as pinturas foram feitas por caçadores-coletores, ou seja, populações humanas que não praticavam a agricultura de forma sistemática, como os primeiros povos que habitaram o território brasileiro. Eles usavam artefatos feitos de pedras, ossos, madeira e fibras vegetais.

Diante das imagens, os pesquisadores mantiveram alguns segundos de observação. Depois, entraram por entre as rochas que se acomodam perto do paredão tingido de pinturas. Ali, vasculharam tudo que era possível, da superfície do solo a fragmentos espalhados no chão. Encontraram no teto da gruta um pontilhado com pelo menos sete pontos vermelhos alinhados, que indica o possível vestígio de outra pintura. Observaram também uma sobreposição de imagens, com a figura de um possível lagarto sobre um Sol. 

 

Dias explica que é difícil dizer que tipo de material foi utilizado para fazer as pinturas, mas “um dos principais era o ocre”, afirmou. O ocre é um dos pigmentos mais antigos utilizados pela humanidade, obtido a partir do óxido de ferro, e seu uso vai das artes plásticas à indústria alimentícia. A partir do óxido de ferro pode se originar também o amarelo visto nas pinturas. “É bem possível que usassem algum aglutinante, uma liga, que podia ser sangue, gordura ou cera de abelha, mas é certo que o óxido de ferro era elemento essencial.”

Os pesquisadores passaram a manhã do primeiro dia de visita ao sítio arqueológico observando e fotografando as imagens na gruta. Trocavam impressões sobre o que viam e nos explicavam por que deve ser cauteloso o trabalho na arqueologia, um exercício de observação, paciência, persistência, frustração. Falaram do risco das conclusões precipitadas, das dúvidas necessárias, da confrontação constante entre as hipóteses até que uma se evidencie robusta. Evitaram qualquer comentário sobre o que observavam naquele momento, reforçando que tudo precisaria ser confirmado com análises laboratoriais. 

Dias ponderou que as imagens de Itatiaia se assemelham às do sítio arqueológico Toca do Índio, encontrado em Andrelândia, em Minas Gerais. São desenhos sobrepostos que aos olhos de um leigo parecem confusos, mas que caracterizam a arte rupestre dos povos ameríndios. “Nas pinturas encontradas em Itatiaia a figura semelhante a um lagarto encobre um pouco uma outra geométrica. Há também um traço que transpassa a imagem zoomórfica do lagarto e a figura geométrica central. Não há um cuidado para mantê-las organizadas, centradas, e isso é muito característico das pinturas rupestres do Brasil de um modo geral,” afirmou. Além disso, acrescentou, algumas intervenções estão quase imperceptíveis, pois foram apagadas pelo tempo. “Tudo isso comprova que elas foram feitas há muitos anos.”

A maior parte das pinturas está bem preservada. Algumas perderam a coloração, mas permanecem visíveis e completam um painel desenhado num passado muito distante por uma população que conhecia bem o território que habitava e escolheu pigmentos que se perpetuaram no tempo. 

Após algumas horas de observação, veio a pergunta inevitável: há quanto tempo essas pinturas foram feitas? Ainda não é possível afirmar, dizem os arqueólogos. Será preciso analisar em laboratório os materiais líticos que estão sendo identificados no local. São fragmentos de rochas e minerais que podem ter sido levados para o parque ou produzidos lá. Mas a análise desses materiais ainda não fornecerá essa confirmação. Para isso será necessário obter autorização para escavar o local e recolher possível material orgânico, que seria passível de datação por carbono 14.

Só depois de feitas essas análises as pinturas poderão ser descritas num artigo submetido a uma revista especializada, quando os achados serão avaliados por especialistas independentes. 

A presença dos caçadores-coletores no estado do Rio ficou mais evidente com as pesquisas realizadas pelo arqueólogo Diego Chermaut Emmerich. Em novembro do ano passado, ele encontrou pontas de flecha e lança feitas de pedra lascada no município de Piraí, que também fica no Sul do estado, a 86 km do Parque Nacional do Itatiaia. Emmerich investiga a presença de caçadores-coletores na região do Vale do Paraíba do Sul em sua tese de mestrado na UFRJ. Na expedição ao Parque Nacional do Itatiaia, coletou amostras geológicas como rochas lascáveis e pedras que poderiam servir para a manipulação de artefatos pelos caçadores. Apesar da possível conexão entre os achados em Piraí e as pinturas rupestres do Itatiaia, ele mantém cautela na vinculação. Ainda são necessárias análises do material coletado próximo à gruta. Mas há um potencial a ser pesquisado. O fato, explicou, é que há um consenso de que as pinturas rupestres encontradas no Brasil foram feitas por caçadores-coletores.

“Quem ditava os atalhos e caminhos desses povos era a caça”, complementou o biólogo Eduardo Barros, técnico do Museu Nacional. Os caçadores seguiam os animais, que por sua vez seguiam os rios. A gruta onde as pinturas foram feitas é próxima do Rio Campo Belo, que corta o Parque Nacional do Itatiaia. “Até hoje há nessa região animais como onça parda, porco do mato, lobo guará e outros pequenos mamíferos. O abrigo onde foram feitas essas imagens pode ter sido um excelente ponto de observação desses animais”, acrescentou Barros.

Os pesquisadores também estão interessados na relação entre as pinturas e a posição do Sol. Essa vinculação começou a ser esmiuçada no segundo dia de expedição. Naquele 20 de março, data do equinócio de outono, o grupo acordou cedo, por volta das cinco da manhã, após enfrentar uma forte chuva que durou a noite inteira. O céu estava nublado, o que ameaçava o trabalho de Cunha, o arqueoastrônomo que integrava a equipe. Mesmo assim, ele saiu do abrigo carregando na mochila os equipamentos para medir o alinhamento astronômico das pinturas rupestres. 

Voltamos à gruta abrindo espaço na vegetação molhada e nos equilibrando sobre o solo escorregadio. Quando o Sol surgiu, por volta das 6 horas, a manhã estava cinzenta e uma camada pesada de nuvens dificultava a passagem dos raios solares. Uma hora e meia depois, o céu ficou ainda mais nublado. Assim, os pesquisadores decidiram partir em outra empreitada: explorar as áreas próximas ao local onde as pinturas foram feitas. “Encontramos algumas rochas e minerais dispersos que aparentemente não ocorrem de forma natural nessa região. É possível que tenham sido levados para lá pelas pessoas que ocuparam a área do parque no passado. Encontramos também alguns filões, afloramentos de uma matéria-prima que parece ser apta para a produção de lascas, objetos para cortar e raspar”, revelou Garcia. Eles encontraram ainda um bloco de rocha que parece ter marcas de uso e que pode ter sido utilizado como uma bigorna para quebrar e lascar as rochas. Tudo será analisado em laboratórios.

Na sexta-feira, 21 de março, o dia amanheceu azul. O céu estava limpo, sem nuvens e o grupo novamente despertou de madrugada. Antes de o Sol nascer, o arqueoastrônomo Davi Duarte montou seu equipamento na parte de fora da gruta. Apontou uma luneta auxiliar de telescópio na direção das montanhas e aguardou o nascer do Sol. Silêncio e expectativa. Às 6h20, o Sol despontou soberano e uma luz se projetou como uma seta espetando a imagem semelhante a um Sol pintada na rocha. “Olha isso, olha isso”, gritou Duarte. A equipe assistiu à cena perplexa. 

A luz que penetrava na caverna desenhava na parede algo como uma agulha astronômica no formato de um “V”, que se deslocava pelo interior do ambiente com o passar das horas e o movimento do Sol. A hipótese, segundo Duarte, é de que o local possa ter servido como aparelho observacional. Para que essa hipótese seja comprovada, ele precisará fazer novas medições ao longo de um ano: no solstício de inverno, em junho, depois no equinócio da primavera, em setembro, e também em dezembro, no solstício do verão. 

Duarte afirma que identificar a relação do nascer do Sol nos equinócios é uma tarefa que leva anos. Como a expectativa de vida para os povos daquela região no período estimado era de no máximo entre 35 e 40 anos, ele supõe que várias gerações estudaram aquele ambiente até conceber um possível aparelho astronômico. 

Os pesquisadores também perceberam que diante da gruta há duas grandes pedras. Em uma delas foram encontradas marcações em baixo relevo. Essas marcações ainda serão estudadas, mas podem fazer parte do “aparelho astronômico”. Quando o Sol nasceu, alcançando o interior da gruta, Duarte constatou que a imagem em “V” projetada nas pinturas rupestres era delineada justamente por essas duas rochas, pelas bordas das duas grandes pedras. “Na junção das duas pedras dá pra ver que tem um vértice pequenininho. A agulha de marcação é esse triângulo que está ali.”

O arqueoastrônomo dedicou sua carreira profissional a observar a relação das artes deixadas pelos antigos povos com a astronomia. Ele é doutorando em arqueologia na UFRJ, onde analisa o alinhamento astronômico entre as obras deixadas pelos povos que viveram 1450 anos antes de Cristo na Ilha de Creta, na Grécia, além de atuar na tumba de Neferhotep em Luxor, Egito. Durante a expedição, afirmou que as descobertas no Parque Nacional do Itatiaia eram o “coroamento” de sua pesquisa. A satisfação aconteceu também porque, para observar os raios solares na gruta, ele utilizou um equipamento chamado Estação de Lentes de Alinhamento Posicional – Elap, que o próprio pesquisador desenvolveu. “O que descobrimos aqui é muito significativo e vale uma pesquisa para a vida inteira.”

Diante da novidade, ficou estabelecido que nenhum visitante do Parque Nacional do Itatiaia poderá se aproximar das pinturas. O local ficará à disposição apenas dos pesquisadores para a realização de estudos que possam desvendar os mistérios do achado arqueológico. 

A primeira providência tomada pela direção do parque foi cercar a gruta. Dois cabos sustentados por moirões dificultam a aproximação, e uma placa de madeira comunica que ninguém deve ultrapassar a demarcação, anunciando ao visitante que ali se encontra o sítio arqueológico Agulhas Negras. 

O gestor do Parque Nacional do Itatiaia, Felipe Cruz Mendonça, conta que será instalada uma câmera na gruta e que o monitoramento será feito em tempo real. “Nos preocupamos em evitar que a área seja depredada ou vandalizada.” Ele não soube especificar quando o lugar será reaberto ao público. “Queremos facilitar o trabalho dos pesquisadores para entender o que representam essas pinturas rupestres.” 

O Parque Nacional do Itatiaia, na Serra da Mantiqueira, foi o primeiro a ser criado no Brasil, em 1937, com uma dimensão de 11.943 hectares. A expansão ocorrida em 1982 deixou o território ainda maior:  28.086 hectares. A área se estende entre os estados do Rio de Janeiro e de Minas Gerais, passando por quatro municípios: Itatiaia e Resende, no Rio, e Bocaina de Minas e Itamonte, em Minas Gerais. O local onde as pinturas rupestres foram encontradas pertence a Resende. O prefeito da cidade, Alexandre Sérgio Alves Vieira (PP), disse que vai colaborar para que o local seja protegido e para que a população da cidade se conscientize de sua importância histórica. 

Para a arqueóloga Madu Gaspar, é necessário envolver moradores dos municípios atravessados pelo parque, funcionários, brigadistas, estudantes e professores na conservação da área. “Quem está perto é quem protege”, afirmou.

O significado dessas imagens ainda é um mistério. Ali pode ter sido um local de observação astronômica e de rituais. Pode ter sido um abrigo de uso permanente ou um local ocupado esporadicamente por povos nômades.Talvez uma combinação de tudo isso. Neste momento é impossível determinar. Mas uma coisa é certa: “Se há pintura rupestre, é porque o espaço foi importante para o grupo que o ocupou”, conclui Dias.

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