Reconhecimento à luta por igualdade e presença nos espaços de poder
Senado agracia 19 personalidades que construíram uma trajetória, em vários ramos da sociedade, na qual se destaca a luta por oportunidades para as mulheres — que são a maioria da população brasileira

A luta pela igualdade de direitos, o combate à violência contra a mulher e a necessidade de ampliar a presença feminina nos espaços de poder foram os principais temas debatidos, ontem, na entrega do Diploma Mulher-Cidadã Bertha Lutz. A premiação, concedida a 19 personalidades que se destacam na defesa dos direitos das mulheres, reafirmou a urgência de políticas públicas para garantir mais representatividade e proteção.
A senadora Leila Barros (PDT-DF), que presidiu a sessão, enfatizou que a premiação celebra o fortalecimento das conquistas das mulheres. "É um momento em que atuamos juntas. Uma confraternização para celebrar, para dizermos umas às outras: 'Vamos resistir, vamos lutar por aquilo em que acreditamos'. Saio de cada Prêmio Bertha Lutz revigorada, consciente da missão e sabendo que não estou sozinha nessa luta. Um quarto de século já transcorrido desde a primeira edição e ainda precisamos estar aqui reivindicando direitos: direito pela equiparação de oportunidades, direito pela divisão do trabalho doméstico, direito pela efetiva inclusão social e, pasmem, direito até mesmo à integridade física", frisou.
Esta foi a 22ª edição do Diploma Bertha Lutz, com homenageadas que refletem a diversidade da luta feminina e representam diversos ramos da sociedade — como a política, a ciência, o Judiciário, a cultura, o ativismo social e o empreendedorismo.
Entre as agraciadas, a juíza Bruna dos Santos, do Tribunal de Justiça do Ceará (TJ-CE), destacou o impacto de tal reconhecimento na continuidade dos trabalhos realizados por mulheres em diversas áreas.
"Esse prêmio é um fôlego, um ânimo. Muitas vezes, nem percebemos o tamanho do impacto que estamos causando na sociedade. Esse reconhecimento nos fortalece e reforça a importância de mulheres apoiarem outras mulheres", afirmou.
Dificuldades
Janete Vaz, empreendedora e cofundadora do Grupo Sabin, enfatizou a necessidade de ampliar a presença feminina em espaços de liderança e combater desigualdades estruturais. "No início, não imaginava os desafios que as mulheres enfrentavam. Depois, percebi problemas como a diferença salarial e a dificuldade de inclusão. O prêmio nos lembra da luta de Bertha Lutz, que começou sozinha plantando uma semente. Avançamos, mas ainda há muito a conquistar", observou.
Entre as agraciadas com a premiação, estão a atriz Fernanda Torres (que interpretou Eunice Paiva no filme Ainda Estou Aqui, que levou o Oscar de língua não inglesa deste ano); a atriz e imortal da Academia Brasileira de Letras (ABL) Fernanda Torres; a escritora Conceição Evaristo (que também é prima da ministra dos Direitros Humanos e Cidadania Macaé Evaristo); a neurocientista e presidente da Rede Sarah, Lúcia Willadino Braga; a presidente do Instituto Ayrton Senna, Viviane Senna — entre outras.
O Diploma Bertha Lutz foi criado em 2001 pelo Senado para homenagear mulheres e instituições que contribuem para a promoção dos direitos femininos e a equidade de gênero no Brasil. É entregue no mês em que se comemora o Dia Internacional da Mulher (8 de março).
Crítica à redução de verba
Na cerimônia de entrega do Bertha Lutz, a senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS) denunciou o corte de 68% nos recursos orçamentários destinados ao combate à violência contra a mulher. Segundo a parlamentar, apesar da oportunidade de reconhecer o trabalho das homenageadas, o momento era de reivindicar direitos humanos básicos para elas.
Para Soraya, a redução na verba no Orçamento da União é um "retrocesso". Ela alertou para os impactos negativos da falta de investimentos em programas e dispositivos de proteção feminina.
"Cobrei o corte que foi feito. Isso é um retrocesso. E é uma lástima no Brasil fazer isso, mas é bom que possamos aprender que todas nós temos que ser as Berthas Lutz do momento", criticou.
Inicialmente, o orçamento previsto para ações de enfrentamento à violência contra a mulher era de R$ 162 milhões, valor que já era considerado insuficiente pela senadora. No entanto, a proposta aprovada pela Comissão Mista de Orçamento reduziu essa quantia ainda mais — para R$ 52 milhões.
"Uma causa tão séria, tão grave, que só vem aumentando o número de violências — de todos os tipos de violência contra a mulher, inclusive política, emocional, financeira, não é só o físico. Apesar de sermos a maior parte da população brasileira, sofremos um corte brutal (nos programas para a proteção das mulheres)", afirmou.
O Correio entrou em contato com o Ministério das Mulheres para comentar a redução orçamentária, mas não obteve resposta até o fechamento desta edição. (Com Agência Senado)
*Estagiária sob a supervisão de Fabio Grecchi Saiba Mais
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