Mortes por gripe em idosos cresceu 157% em 2024; internações subiram em 189%
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Março é o mês em que a campanha de vacinação contra gripe começa no Brasil, acompanhando a entrada do outono. Em 2024, a cobertura vacinal de idosos foi de 50,1%, muito abaixo da meta de 90%, segundo o Sistema de Informação da Vigilância Epidemiológica da Gripe (SIVEP-Gripe).
Esse dado se relaciona profundamente com o número de mortes por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) causada pela influenza, que aumentou 157% entre os hospitalizados pela doença.
As hospitalizações em si cresceram 189%, de acordo com dados. A taxa de letalidade chegou a 21,7%, ou seja, a cada cinco idosos hospitalizados, um não resistiu à doença.
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Na última quarta-feira (26), especialistas debateram o cenário atual da vacinação contra gripe em idosos em um evento realizado pela Sanofi, em São Paulo. O aumento expressivo nas mortes reflete a gravidade da influenza, que vai muito além dos sintomas respiratórios comuns. Segundo Rosana Richtmann, infectologista do Instituto Emílio Ribas, o vírus pode comprometer diversos órgãos, provocar inflamações sistêmicas e facilitar infecções bacterianas, aumentando o risco de complicações fatais.
“É a primeira vez na história que a porcentagem de idosos vacinados contra gripe no nosso país foi menor do que gestantes e crianças. Isso nunca tinha acontecido. Esse sempre foi o grupo mais fácil de adesão a vacinação, mas em 2024, isso se inverteu”, disse a infectologista, no evento.
Idosos são os mais vulneráveis
A imunossenescência (processo natural de enfraquecimento do sistema imunológico com o envelhecimento) torna os idosos muito mais suscetíveis a infecções graves.
Maisa Kairalla, presidente da Comissão de Imunização da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia, alertou durante o evento que essa população tem maior risco de desenvolver quadros severos e de enfrentar uma recuperação prolongada.
“Sem os cuidados necessários, a chance de uma simples gripe evoluir para um caso mais grave aumenta ainda mais e sobrecarrega o sistema de saúde”, afirmou.
Além disso, doenças crônicas como diabetes, hipertensão e problemas cardiovasculares, comuns nessa faixa etária, agravam ainda mais a situação.
O impacto da gripe não se limita apenas ao sistema respiratório, ela traz complicações sistêmicas. Estudos já comprovam o aumento do risco de ataque cardíaco em dez vezes, e AVC em oito vezes após infecção por influenza. Em idosos, esse risco permanece mesmo depois da infecção.
A vacina pode evitar mortes
A vacinação anual continua sendo a forma mais eficaz de proteção contra as complicações da gripe. Além disso, as vacinas disponíveis no Sistema Único de Saúde (SUS) e na rede privada oferecem uma resposta imunológica mais robusta para a população idosa, especialmente a de dose mais alta.
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A desinformação, o medo de reações adversas e a falsa sensação de segurança, muitas vezes impulsionada pela banalização da gripe, fazem com que muitas pessoas deixem de se vacinar.
Segundo Rosana, é fundamental reforçar campanhas de conscientização para reverter essa tendência. “Quanto menor a cobertura vacinal, maior a circulação do vírus e, consequentemente, o número de casos graves e mortes”, alertou.
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