China revela em quanto tempo a IA vai substituir os escritores literários
A Convenção de Ficção Científica da China de 2025, realizada no Parque Shougang, em Pequim, encerra-se nesta segunda-feira, 31, com a divulgação de novos dados sobre o setor e reflexões sobre o papel da inteligência artificial na produção literária. Segundo relatório apresentado no evento, a indústria de ficção científica chinesa registrou uma receita total de […] O post China revela em quanto tempo a IA vai substituir os escritores literários apareceu primeiro em O Cafezinho.

A Convenção de Ficção Científica da China de 2025, realizada no Parque Shougang, em Pequim, encerra-se nesta segunda-feira, 31, com a divulgação de novos dados sobre o setor e reflexões sobre o papel da inteligência artificial na produção literária.
Segundo relatório apresentado no evento, a indústria de ficção científica chinesa registrou uma receita total de 108,96 bilhões de yuans (equivalente a US$ 15,01 bilhões) em 2024.
Durante a convenção, o escritor Liu Cixin afirmou que a inteligência artificial poderá alterar de forma significativa os processos criativos relacionados à ficção científica.
Questionado sobre a possibilidade de sistemas como o DeepSeek substituírem autores humanos, Liu respondeu: “É improvável por enquanto, mas em 10 ou 20 anos, é teoricamente possível.”
Segundo ele, os leitores poderiam, no futuro, fornecer suas preferências individuais e, a partir disso, a inteligência artificial geraria romances personalizados.
Caso o resultado não fosse satisfatório, uma nova versão poderia ser solicitada. Liu declarou ainda que esse tipo de tecnologia poderá produzir textos com qualidade superior à dos autores humanos, em certos aspectos.
“Eu pessoalmente acredito que devemos parar de nos confortar e confrontar o impacto da tecnologia e a profunda reviravolta que ela trará para o nosso campo”, afirmou.
Anteriormente, o autor já havia apontado limitações na escrita gerada por inteligência artificial, destacando a ausência de emoção e vivência nas produções automatizadas. No entanto, reconheceu que a distância cognitiva entre humanos e máquinas não é tão grande quanto se acreditava.
“Para um escritor, a maior alegria está na criação independente e pessoal, não em transformar a escrita em um processo mecânico e artesanal influenciado por forças externas”, declarou Liu. “Se eu fosse criar, provavelmente não usaria o DeepSeek para ajudar no processo por enquanto.”
Liu é autor da trilogia O Problema dos Três Corpos, a primeira obra asiática de ficção científica a receber o Prêmio Hugo. Outros títulos de sua autoria, como A Terra Errante e Relâmpago de Bolas, foram adaptados para cinema e televisão. As obras de Liu são reconhecidas por incorporar temas científicos com elementos culturais chineses.
O autor afirmou que os avanços tecnológicos realizados no país, como os programas de voos espaciais tripulados, os experimentos com comunicação quântica e as inovações em inteligência artificial, fornecem material real para narrativas de ficção científica.
Como exemplo, citou A Terra Errante, cujo enredo envolve um esforço internacional para salvar o planeta e inclui valores específicos da sociedade chinesa.
Durante o evento, o profissional da indústria de ficção científica Chen Tao também abordou o papel da inteligência artificial no setor. Para ele, a ascensão dessas tecnologias representa uma ampliação das possibilidades criativas.
“A ascensão da IA não é o fim da literatura, mas sim uma expansão das dimensões criativas”, disse.
Chen acrescentou que o conteúdo criado por seres humanos passará a ser reavaliado, especialmente quanto à originalidade.
“Obras que realmente incorporam experiências vividas, reflexões filosóficas e profundidade emocional se tornarão ainda mais preciosas em contraste com o conteúdo gerado pela IA.”
De acordo com o Relatório da Indústria de Ficção Científica da China de 2025, também apresentado na convenção, a literatura de ficção científica, os produtos derivados e o turismo relacionado ao gênero foram os setores que mais se destacaram no ano passado.
O segmento de leitura gerou 3,51 bilhões de yuans em receita, representando um crescimento de 10,7% em relação ao ano anterior e mantendo uma tendência de alta contínua desde 2017.
O documento aponta que a indústria de ficção científica chinesa entra agora em uma fase de integração e desenvolvimento impulsionado por inovação.
Combinando avanços tecnológicos, políticas de incentivo e demanda crescente do mercado, o setor é identificado como vetor de crescimento no cenário global.
A expectativa é de que a colaboração entre diferentes áreas e o aperfeiçoamento do ecossistema de inovação fortaleçam ainda mais a posição da China no gênero.
A relação entre ficção científica e educação também foi tema de discussão na convenção. A especialista Zhai Yongxia, da área de educação científica, afirmou que as obras do gênero estão ganhando importância como instrumento pedagógico.
“No contexto de maior integração entre a indústria de ficção científica e a educação científica, a significância educacional das obras de ficção científica é cada vez mais proeminente, tornando-se um veículo importante para cultivar futuros talentos de inovação tecnológica”, declarou.
Segundo Zhai, elementos do gênero já estão sendo incorporados aos currículos escolares para estimular a criatividade e o interesse dos alunos por ciência e tecnologia.
A Convenção de Ficção Científica da China é considerada um dos principais fóruns nacionais de discussão sobre literatura, tecnologia e inovação. A edição de 2025 reforçou o papel estratégico do setor e aprofundou o debate sobre os efeitos da inteligência artificial na criação literária e na formação cultural.
Com informações da Global Times
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