China anuncia plano para transformar terras agrícolas até 2035 e ampliar segurança alimentar
O governo da China anunciou um plano nacional com metas para transformar todas as “terras agrícolas básicas permanentes elegíveis” em terras agrícolas de alto padrão até o ano de 2035. A medida visa fortalecer a segurança alimentar do país por meio da modernização da produção rural e da ampliação do uso de tecnologias agrícolas avançadas. […] O post China anuncia plano para transformar terras agrícolas até 2035 e ampliar segurança alimentar apareceu primeiro em O Cafezinho.

O governo da China anunciou um plano nacional com metas para transformar todas as “terras agrícolas básicas permanentes elegíveis” em terras agrícolas de alto padrão até o ano de 2035.
A medida visa fortalecer a segurança alimentar do país por meio da modernização da produção rural e da ampliação do uso de tecnologias agrícolas avançadas.
O plano foi divulgado conjuntamente pelo Gabinete Geral do Comitê Central do Partido Comunista da China e pelo Conselho de Estado. Ele estabelece metas específicas em fases e indica o uso de ferramentas tecnológicas para garantir maior eficiência no uso da terra arável.
Segundo informações divulgadas pela agência Xinhua, até 2030, o país pretende desenvolver 1,35 bilhão de mu (cerca de 90 milhões de hectares) de terras agrícolas de alto padrão.
O objetivo final, até 2035, é transformar todas as terras básicas elegíveis, totalizando 455 milhões de mu (aproximadamente 30 milhões de hectares). Até o fim de 2024, a China já havia desenvolvido mais de 1 bilhão de mu de terras neste padrão.
O plano destaca que o uso de tecnologias científicas será essencial para prevenção de desastres, melhoria da qualidade e fertilidade do solo e gestão das terras, com base em sistemas de informação.
O conceito de terras agrícolas de alto padrão envolve o uso de irrigação eficiente, mecanização em larga escala e tecnologias como sensoriamento remoto por satélite para monitoramento das plantações.
De acordo com dados da Xinhua, esse tipo de terra permite economizar mais de 10% em água, fertilizantes e outros insumos por mu, ao mesmo tempo em que aumenta a produção de grãos entre 10% e 20%.
A produção total de grãos da China atingiu 706,5 milhões de toneladas em 2024, um crescimento de 1,6% em relação a 2023, segundo dados oficiais. O país é o maior consumidor e importador de alimentos do mundo, com mais de 100 milhões de toneladas de grãos importadas anualmente desde 2014.
Em 2024, a China importou 158 milhões de toneladas de grãos, uma redução de 2,3% em relação ao ano anterior. Dentre essas importações, 105 milhões de toneladas foram de soja, representando 66% do volume total.
Li Guoxiang, pesquisador do Instituto de Desenvolvimento Rural da Academia Chinesa de Ciências Sociais, afirmou que o desenvolvimento de terras agrícolas de alto padrão é relevante para a autossuficiência alimentar, principalmente em um cenário de pressão geopolítica e ambiental.
“Terras agrícolas de alto padrão criam condições favoráveis para a aplicação generalizada de tecnologias nacionais de agricultura inteligente e agricultura digital, e são cruciais para reduzir a dependência de importações de culturas-chave para ração, como soja e milho”, disse ele.
Além da conversão das terras, o plano também inclui exigências de supervisão financeira. Os governos locais deverão garantir o desembolso de recursos em tempo hábil e realizar os pagamentos conforme os termos contratuais e o andamento dos projetos.
A ampliação do uso de tecnologias modernas é um dos eixos centrais do plano. Os mecanismos de agricultura digital e os sistemas de monitoramento por satélite serão utilizados para elevar a eficiência produtiva e otimizar o uso dos recursos naturais.
Segundo a Xinhua, em 2024 a China construiu e modernizou mais de 80 milhões de mu de terras agrícolas de alto padrão, além de desenvolver mais de 10 milhões de mu com sistemas de irrigação eficientes voltados à economia de água.
As medidas fazem parte de um conjunto mais amplo de iniciativas que buscam reduzir a dependência externa e aumentar a capacidade interna de abastecimento alimentar. O país tem como estratégia prioritária o uso de inovações tecnológicas para impulsionar a produtividade agrícola e melhorar a gestão dos recursos disponíveis.
A transformação das terras também está relacionada à necessidade de garantir resiliência diante de eventos climáticos extremos e de incertezas no comércio internacional.
Ao ampliar a base de produção nacional e adotar práticas mais eficientes, o governo busca minimizar os riscos associados à variabilidade da oferta global.
O plano define prazos, metas e obrigações tanto para as esferas centrais quanto para os governos locais, que deverão acompanhar a implementação técnica e administrativa das ações previstas.
A meta de transformar todas as terras básicas elegíveis em terras de alto padrão até 2035 será monitorada por meio de indicadores de desempenho e auditorias periódicas.
A política agrícola atual reflete uma transição para um modelo de produção baseado em maior mecanização, controle de insumos e monitoramento remoto, com foco em sustentabilidade e estabilidade da oferta alimentar. A execução das metas dependerá do alinhamento entre investimentos públicos, adesão de produtores e inovação tecnológica contínua.
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