O tempo de todos os perigos
Passo por uma das livrarias que mais frequento e reparo nestes livros em destaque. Todos com um traço comum: falam-nos de um mundo cada vez mais perigoso. Um mundo onde voltou a banalizar-se a palavra guerra - até nesta Europa que alguns imaginávamos imune a novos conflitos armados, iludidos pela ordem internacional nascida dos armistícios de 1945 e embalados pela utopia da paz perpétua. A verdade é que estamos no quarto ano consecutivo de guerra no continente europeu - por enquanto apenas na extremidade oriental, com a martirizada Ucrânia a sofrer sangrentas investidas diárias do inimigo moscovita. Mas acumulam-se outros sinais preocupantes. Aumento intensivo do orçamento nos Estados membros da União Europeia para despesas ligadas à segurança e à defesa. Rearmamento alemão, agora consagrado em revisão constitucional. Prestação de serviço militar obrigatório reponderada ou já reposta em países como Finlândia, Suécia, Polónia e Estados bálticos. Clivagem evidente entre os EUA e o pilar europeu da NATO, com ameaças directas da administração Trump a alguns dos seus parceiros na Aliança Atlântica, como o Canadá e a Dinamarca, enquanto o chefe da Casa Branca declara abertamente a intenção de anexar a Gronelândia. Que mais? Proposta de Emmanuel Macron para garantir a força nuclear francesa como elemento dissuasor face às crescentes ameaças da Federação Russa. Balcãs e Cáucaso sacudidos por ruidosas manifestações de rua em países tão diversos como Sérvia, Bósnia, Roménia, Bulgária e Geórgia. Turquia em convulsão enquanto Erdogan implanta uma ditadura sem disfarce algum. Expansionismo neo-imperial de Moscovo projectando sombras sinistras do Báltico ao Mar Negro, com Putin indiferente às centenas de milhares de vítimas que já causou. Pequim cada vez mais disposta ao assalto bélico a Taiwan, enquanto disputa águas territoriais com Vietname e Filipinas. O tirano da Coreia comunista multiplicando ameaças contra o vizinho do Sul, entre alusões contínuas ao holocausto atómico. Não posso criticar. Também eu, se fosse editor, daria primazia absoluta a estes livros.

Passo por uma das livrarias que mais frequento e reparo nestes livros em destaque. Todos com um traço comum: falam-nos de um mundo cada vez mais perigoso. Um mundo onde voltou a banalizar-se a palavra guerra - até nesta Europa que alguns imaginávamos imune a novos conflitos armados, iludidos pela ordem internacional nascida dos armistícios de 1945 e embalados pela utopia da paz perpétua.
A verdade é que estamos no quarto ano consecutivo de guerra no continente europeu - por enquanto apenas na extremidade oriental, com a martirizada Ucrânia a sofrer sangrentas investidas diárias do inimigo moscovita. Mas acumulam-se outros sinais preocupantes. Aumento intensivo do orçamento nos Estados membros da União Europeia para despesas ligadas à segurança e à defesa. Rearmamento alemão, agora consagrado em revisão constitucional. Prestação de serviço militar obrigatório reponderada ou já reposta em países como Finlândia, Suécia, Polónia e Estados bálticos. Clivagem evidente entre os EUA e o pilar europeu da NATO, com ameaças directas da administração Trump a alguns dos seus parceiros na Aliança Atlântica, como o Canadá e a Dinamarca, enquanto o chefe da Casa Branca declara abertamente a intenção de anexar a Gronelândia.
Que mais?
Proposta de Emmanuel Macron para garantir a força nuclear francesa como elemento dissuasor face às crescentes ameaças da Federação Russa. Balcãs e Cáucaso sacudidos por ruidosas manifestações de rua em países tão diversos como Sérvia, Bósnia, Roménia, Bulgária e Geórgia. Turquia em convulsão enquanto Erdogan implanta uma ditadura sem disfarce algum. Expansionismo neo-imperial de Moscovo projectando sombras sinistras do Báltico ao Mar Negro, com Putin indiferente às centenas de milhares de vítimas que já causou. Pequim cada vez mais disposta ao assalto bélico a Taiwan, enquanto disputa águas territoriais com Vietname e Filipinas. O tirano da Coreia comunista multiplicando ameaças contra o vizinho do Sul, entre alusões contínuas ao holocausto atómico.
Não posso criticar. Também eu, se fosse editor, daria primazia absoluta a estes livros.