Globo fechou 2024 com lucro de R$ 1,99 bilhão e crescimento de 138%

Resultado foi impulsionado por aquisições, aumento de receita com Globoplay e Premiere, além de desempenho operacional

Abr 3, 2025 - 04:56
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Globo fechou 2024 com lucro de R$ 1,99 bilhão e crescimento de 138%

Aquisições estratégicas e expansão digital sustentam crescimento

A Globo encerrou 2024 com um lucro líquido de R$ 1,99 bilhão, registrando crescimento de 138% em relação ao ano anterior. Segundo Manuel Belmar, diretor de produtos digitais, finanças, jurídico e infraestrutura da emissora, o desempenho reflete um “ano extraordinário”. A receita total somou R$ 16,4 bilhões, com avanço de 8%, enquanto o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) teve alta de 26%, alcançando R$ 1,55 bilhão.

O resultado foi impulsionado por fatores como o forte desempenho operacional e a incorporação de duas aquisições concluídas no fim de 2024: o controle da Eletromídia e a compra integral do Telecine. A Eletromídia teve a participação da Globo ampliada de 27% para 75%, numa operação de R$ 1,2 bilhão. Já no caso do Telecine, a Globo adquiriu as fatias pertencentes a Amazon, Paramount e NBCUniversal, consolidando o controle total da marca a valor simbólico.

Fortalecimento do ecossistema digital e modelos de distribuição

Belmar destacou que o Telecine passa a integrar de forma estratégica o portfólio da Globo, como oferta complementar aos conteúdos lineares e sob demanda. “O mais importante é que todos esses componentes, quando somados, indiquem evolução e crescimento e mostrem que estamos avançando na transição entre modelos de distribuição”, afirmou o executivo.

O crescimento das plataformas digitais também foi expressivo. O serviço Premiere, de pay-per-view esportivo, teve aumento de 41% na receita, enquanto o Globoplay registrou avanço de 42% na base de assinantes.

Resultados financeiros e perspectivas para 2025

Apesar da redução de 4% no caixa, que fechou o ano em R$ 13,6 bilhões, a Globo considera o montante um indicativo de solidez, com parte dos recursos sendo usados para pré-pagamento de dívidas. A dívida total cresceu 30%, impactada pela valorização do dólar frente ao real, mas, segundo Belmar, está integralmente protegida por contratos de hedge cambial.

Para 2025, a projeção é de um cenário econômico mais adverso. “A combinação da questão fiscal com mais inflação, que eleva os juros, vai cobrar um preço na atividade econômica. Mas nos preparamos com taxas de crescimento mais conservadoras”, afirmou. A Globo aposta em soluções criativas para os anunciantes diante da possível desaceleração.

Publicidade segue como principal fonte de receita

Do total arrecadado pela Globo em 2024, 66% vieram de publicidade e 34% de conteúdo. A proporção se distancia do histórico da empresa, que tradicionalmente operava com divisão de 60%-40%. Os custos operacionais cresceram 7%, puxados por investimentos pontuais como os direitos de transmissão da Olimpíada de Paris.