Estreias | “Um Filme Minecraft” é o maior lançamento dos cinemas
O filme do jogo famoso chega junto da estreia de Isis Valverde em Hollywood, o primeiro filme de SZA e um terror filmado do ponto de vista do fantasma


Os cinemas recebem 14 estreias nesta quinta-feira (4/4), com destaque para a adaptação cinematográfica do game “Minecraft”, que apesar de medíocre tem a distribuição mais ampla no circuito comercial. Entre os demais lançamentos, os principais títulos são a comédia “Um Dia Daqueles”, fenômeno de crítica e bilheteria nos EUA, que marca a estreia da cantora SZA no cinema, o terror “Presença”, filmado por Steven Soderbergh do ponto de vista de um fantasma e dois thrillers estrelados por Willa Fitzegerald (que nesta semana também estrela a nova série “Pulso” na Netflix). Um deles tem 96% de aprovação no Rotten Tomatoes, o outro marca a estreia de Isis Valverde em Hollywood.
Entre os demais lançamentos há duas produções sul-coreanas, dois dramas noruegueses do mesmo diretor e quatro longas brasileiros – três deles documentários. Veja a programação completa abaixo.
UM FILME MINECRAFT
Inspirado no game homônimo de sucesso mundial, a adaptação live-action acompanha quatro personagens desajustados que vivem problemas comuns em suas rotinas até serem subitamente transportados por um portal misterioso para o Overworld, o universo cúbico onde tudo é feito de blocos. Nesse mundo estranho e criativo, eles precisam unir forças para encontrar o caminho de volta para casa. Ao chegarem ao Overworld, o grupo conhece Steve, um construtor experiente e imprevisível que se torna seu guia para enfrentar os diversos desafios típicos do universo de Minecraft, desde construir abrigo e encontrar recursos até se defender de criaturas ameaçadoras como Piglins e zumbis.
A direção é de Jared Hess (“Gênios do Crime”) e o elenco traz Jason Momoa (“Aquaman”) como Garrett, Jack Black (“Escola de Rock”) como Steve, além de Danielle Brooks (“O Pacificador”), Emma Myers (“Wandinha”) e Sebastian Eugene Hansen (“No Ritmo do Coração”) como os demais humanos transportados para o mundo do jogo.
O roteiro, assinado por cinco roteiristas diferentes, tenta equilibrar elementos nostálgicos e referências para fãs com uma trama de aventura acessível ao grande público. Assim, a estrutura é inflada e repleta de distrações, e os personagens, salvo exceções como Steve e Garrett, não passam de caricaturas. Black se apoia em seu estilo energético e até canta, enquanto Momoa interpreta um ex-gamer decadente com carisma suficiente para sustentar parte da ação.
Visualmente, o filme acerta ao transportar o espectador para um universo coerente com a estética pixelada do jogo, mérito da direção de arte de Grant Major e dos efeitos supervisionados por Dan Lemmon. Há momentos em que o design consegue evocar o charme do sandbox digital, principalmente quando Henry, um garoto incompreendido, assume o controle do mundo Minecraft. São lampejos que lembram o público do que poderia ter sido um filme verdadeiramente inspirado. Entretanto, ao contrário do game criado por Markus Persson — centrado na liberdade de construção, exploração e imaginação — o filme se rende a uma narrativa formulaica e sem inspiração, incapaz de traduzir o potencial lúdico do universo Minecraft para o cinema. Seu maior fracasso é ignorar o espírito inventivo da obra original em troca de um enredo genérico, que pouco acrescenta ao cinema juvenil ou ao legado de Minecraft.
UM DIA DAQUELES
A comédia que surpreendeu nas bilheterias dos Estados Unidos e atingiu 93% de aprovação da crítica no Rotten Tomatoes acompanha duas amigas interpretadas por Keke Palmer (“Não! Não Olhe!”) e a cantora SZA. Elas enfrentam um dia infernal tentando evitar o despejo após perderem o dinheiro do aluguel. A dupla se envolve em situações absurdas pela cidade em busca de dinheiro, enquanto lida com conflitos internos e reafirma a força de sua amizade. Desde concursos de dança até vendas improvisadas, a jornada é cheia de peripécias.
Com direção de Lawrence Lamont e roteiro de Syreeta Singleton (ambos de “Maldito Rap”), o filme marca a estreia de SZA no cinema e também destaca Lil Rel Howery (“Corra!”) como namorado de sua personagem.
PRESENÇA
O terror sobrenatural dirigido por Steven Soderbergh (“Contágio”) apresenta uma história de casa mal-assombrada sob a perspectiva da assombração invisível, que acompanha cada detalhe da vida de uma família em sua residência.
A trama explora o dia a dia dessa entidade, que já habitava o local antes mesmo da mudança da família, observando seus momentos mais íntimos e desconfortáveis. A narrativa dá especial atenção à jovem Chloe (Callina Liang), a filha adolescente que parece ser o foco de atenção da presença sobrenatural. Com o passar do tempo, o fantasma começa a entender o que precisa para atingir seu objetivo e como poderá conseguir isso. Inspirada em rumores sobre uma casa onde Soderbergh viveu, a trama traz à tona uma atmosfera carregada de suspense.
O roteiro foi escrito por David Koepp, autor de blockbusters que lançaram franquias de sucesso como “Jurassic Park”, “Missão: Impossível” e “Homem-Aranha”, e que já tinha trabalhado com Soderbergh em “Kimi” (2022). O elenco é liderado por Lucy Liu (“Kill Bill: Vol. 1”), Julia Fox (“Joias Brutas”), Chris Sullivan (“This Is Us”), Callina Liang (“Foundation”), West Mulholland (“Dark Harvest”) e o estreante Eddy Maday.
CÓDIGO ALARUM
Isis Valverde (“Amor de Mãe”) estreia em Hollywood com um papel coadjuvante no thriller de ação de baixo orçamento que coloca um casal de ex-agentes secretos no centro de uma conspiração internacional. Em meio a férias em um resort isolado, os protagonistas Joe e Lara encontram um dispositivo digital entre os destroços de um avião e se tornam alvos de uma caçada mortal. Organizações de inteligência acreditam que eles estejam ligados a uma rede clandestina conhecida como Alarum. Scott Eastwood (“Esquadrão Suicida”) lidera o elenco como Joe, ao lado de Willa Fitzgerald (“Reacher”).
Enquanto tentam decifrar os dados secretos, o casal é perseguido por um mercenário implacável, interpretado por Mike Colter (“Luke Cage”), e passam a desconfiar até de antigos aliados. Sylvester Stallone (“Os Mercenários”) vive Chester, veterano da CIA que Joe contata para ajudá-los, sem saber que ele recebeu ordens para eliminá-los. A ação é intensa e constante, com tiroteios, perseguições e clichês em ritmo acelerado.
A direção é de Michael Polish (“O Superastro: A História de Mark Halliday”) e o roteiro assinado por Alexander Vesha (“Sol Nascente”).
DESCONHECIDOS
O suspense independente lança o público em um intenso jogo de caça e sobrevivência nos vastos cenários naturais do Oregon, Estados Unidos. A trama, escrita e dirigida por JT Mollner (“Criminosos e Anjos”), começa com uma jovem ferida fugindo por uma floresta isolada enquanto é perseguida por um homem determinado. O que parece ser um caso isolado revela-se parte do fim da trajetória de um assassino em série. A perseguição inicial dá lugar a uma sucessão de crimes brutais e reviravoltas, com mudanças na linha do tempo que desafiam a expectativa do espectador.
O elenco é formado por Willa Fitzgerald (que curiosamente também está em “Código Alarum”), Kyle Gallner (“Sorria”) e Barbara Hershey (“Cisne Negro”). Exibido no Fantastic Fest, o longa foi elogiadíssimo pela crítica e tem 96% de aprovação no Rotten Tomatoes.
REGRAS DO AMOR NA CIDADE GRANDE
O drama romântico sul-coreano explora amizade, identidade e os desafios de amar livremente em uma sociedade conservadora. A trama gira em torno de Jae-hee (Kim Go-eun, de “Goblin”) e Heung-soo (Steve Sanghyun Noh, “Pachinko”), dois jovens considerados desajustados que formam uma amizade improvável após a descoberta de um segredo.
O encontro os leva a dividir um apartamento e viver como família escolhida, enfrentando as pressões sociais de uma metrópole moderna. Juntos, aprendem a se apoiar enquanto lidam com relacionamentos, medos e preconceitos.
O filme do estreante Lee Eon-hee foi exibido no Festival de Toronto de 2024 e destaca a química entre os protagonistas, embalado por uma estética urbana e uma trilha envolvente.
LOVE | SEX
Os dois filmes escritos, dirigidos e lançados em 2024 pelo norueguês Dag Johan Haugerud (“Nossas Crianças”) lidam com os relacionamentos modernos. “Love” traz Andrea Bræin Hovig (“Hope”) e Tayo Cittadella Jacobsen (“”), como uma médica e um enfermeiro que se conhecem em uma travessia de balsa, onde iniciam uma conversa sobre afetividade e liberdade nos relacionamentos.
Ao longo da narrativa, os dois refletem sobre as normas sociais que regem a intimidade e a sexualidade, criando um vínculo baseado na franqueza e na possibilidade de conexões alternativas. A troca de ideias leva a mulher a questionar seus próprios limites emocionais e estilos de vida.
Já “Sex” traz Jan Gunnar Røise (“Kon-Tiki”) e Thorbjørn Harr (“Vikings”), que interpretam dois colegas de trabalho que compartilham dúvidas sobre identidade e sexualidade ao entrarem na meia-idade. Os personagens trabalham como limpadores de chaminé e se veem em crises inesperadas: um deles tem uma experiência sexual com outro homem, enquanto o outro passa a sonhar com David Bowie. As conversas entre os dois passam a explorar masculinidade, desejo e autoaceitação com leveza e bom humor.
O par de longas completa uma trilogia com “Dreams”, igualmente lançado no ano passado, que venceu o Leão de Ouro do Festival de Berlim. A distribuidora Imovision também pretende trazê-lo ao Brasil em breve.
PELE FINA
Ingrid Trigueiro (“Bacurau”) encarna uma dramaturga que se isola em uma praia para adaptar a peça “Psicose 4h48”, da inglesa Sarah Kane. À medida que se aprofunda no texto, sua sanidade começa a se desfazer. O isolamento e a intensidade da obra despertam memórias, alucinações e um mergulho emocional que coloca em xeque sua saúde mental e seu processo criativo. O cenário litorâneo contrasta com o caos interior da protagonista.
Com direção de Arthur Lins (“Desvio”), a produção teve destaque em festivais de cinema independente, como a Mostra de Tiradentes e Olhar de Cinema.
TODO DIA É DIA DE FEIRA
Dirigido e narrado por Silvia Fraiha (“Virando Bicho”), o documentário acompanha o cotidiano de Arnaldo, Luís, Cristina e Fernando, feirantes cariocas que lutam para manter viva a tradição das feiras livres. A produção revela os bastidores da rotina desses trabalhadores, que enfrentam dificuldades econômicas, pressão urbanística e resistência política. Entre bancas e gritos de oferta, a obra destaca a importância social e cultural das feiras.
O BIXIGA É NOSSO!
O documentário retrata a luta dos moradores do bairro paulistano do Bixiga pela preservação da memória e identidade local diante da especulação imobiliária. O registro parte dos desdobramentos da descoberta de um quilombo urbano nas escavações de uma linha de metrô, reforçando a resistência cultural e o protagonismo comunitário.
Com depoimentos de ativistas e imagens de festas e tradições do bairro, o trabalho de Rubens Crispim Jr. (“Segue o Baile”) constrói um retrato combativo da relação entre memória popular e transformação urbana.
MENARCA
A cineasta Lara Carvalho acompanha meninas adolescentes em rodas de conversa sobre a primeira menstruação, combinando depoimentos reais e encenações didáticas. Ao abordar com naturalidade temas como tabu menstrual, saúde íntima e identidade, o documentário valoriza a educação menstrual e a autonomia das jovens. Com intervenções escolares e especialistas convidados, busca promover reflexão sobre o corpo e a construção de conhecimento entre adolescentes brasileiras.
A SOBRANCELHA É O BIGODE DO OLHO
O diretor Alexandre Dacosta resgata a história de Apparício Torelly, o Barão de Itararé. A produção mescla entrevistas, imagens de arquivo e dramatizações para reconstituir a trajetória do jornalista satírico que fundou o jornal A Manha e enfrentou o regime de Getúlio Vargas com humor ácido. Depoimentos de humoristas contemporâneos e pesquisadores destacam a influência do Barão na cultura brasileira e o papel do riso como resistência política e expressão crítica.
RED VELVET HAPPINESS DIARY: MY DEAR, REVE1UV IN CINEMAS
O filme-concerto acompanha as integrantes Irene, Seulgi, Wendy, Joy e Yeri do grupo Red Velvet, que celebram os 10 anos de carreira com performances e depoimentos ao público. Além de shows ao vivo, o documentário musical apresenta bastidores e cenas de arquivo desde a estreia em 2014, destacando a trajetória do grupo. A direção é de Oh Yoon-dong, um especialista em documentários de shows de K-Pop, responsável por “Blackpink World Tour (Born Pink) in Cinemas”, “Aespa in aespa: World Tour in Cinemas” e uma dúzia de outros projetos similares.