Entenda o que é liquefação, fenômeno que pode 'engolir' construções em Mianmar
Processo geológico acontecem quando os solos, normalmente compostos por sedimentos e saturados com água, passam do estado sólido para um estado mais líquido. Terremoto em Mianmar STR / AFP Após ser atingido por um terremoto de 7,7 de magnitude na última sexta-feira (28), Mianmar agora está sob risco de passar por um processo de liquefação do solo. ➡️A liquefação do solo é um processo geológico em que os solos, normalmente compostos por sedimentos e saturados com água, passam do estado sólido para um estado mais líquido. De acordo com Renato Lima, geólogo e diretor do Centro de Apoio Científico em Desastres (CENACID/UFPR), esse processo muitas vezes acontece como resultado da movimentação rápida do terreno, como a que ocorre durante um terremoto. "Com essa mudança, estruturas como casas e edifícios que estejam apoiadas no solo sujeito a esses processos muitas vezes 'afundam' no terreno, colapsando", comenta o professor. Lima, que também é integrante do Comitê do Programa Mundial de Deslizamentos e autou como consultor da ONU para desastres, detalha que esse processo é mais comum em zonas costeiras, quando acontecem terremotos, mas também podem ocorrer em outras regiões. Como ocorre a liquefação do solo após um terremoto Imagem: g1 Ainda na tarde de sexta, o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS, na sigla em inglês) emitiu um alerta que apontava que diversas regiões do país asiático podem sofrer com a liquefação. O órgão americano classifica o risco do fenômeno como "extensivo", uma vez que a área vulnerável ultrapassa os 1 mil km², o que abarca uma área com uma população de mais de 1 milhão de pessoas. "Em Mianmar, os processos deste tipo já podem até ter ocorrido, principalmente porque o país possui uma extensa faixa costeira de terrenos sedimentares", analisa o Renato Lima. O geólogo ainda lembra que é possível que sismos subsequentes ainda aconteçam, já que é algo comum em terremotos de grande magnitude – algo que pode agravar a liquefação. De acordo com o USGS, a liquefação pode causar o tombamento de edifícios, a expulsão de areia e água em "vulcões de areia" e a deformação permanente da superfície do solo". O USGS diz também que, embora a liquefação possa causar danos significativos a edifícios e infraestrutura, ela não vem causando tantas mortes quanto deslizamentos de terra -- um fenômeno que também se torna um problema para as regiões afetadas após o abalo sísmico. 'A piscina estava parecendo mar', diz brasileira em Bangkok durante terremoto Terremoto em Mianmar e na Tailândia: o que já se sabe sobre a destruição O tremor aconteceu na tarde de sexta no horário local de Mianmar deixou, até o momento, 144 mortos e 732 feridos. O epicentro foi localizado a 16 km a noroeste da cidade de Mandalay e reverberou por partes da Tailândia, incluindo a capital Bangkok, e regiões da China. O chefe da ONU, António Guterres, disse que as Nações Unidas estão se mobilizando para ajudar os necessitados após o terremoto. Mapa localiza o epicentro do terremoto de magnitude 7,7 desta sexta-feira (28). Arte/g1 A Cruz Vermelha também relata destruições. "A infraestrutura pública foi danificada, incluindo estradas, pontes e prédios públicos. Atualmente, temos preocupações com represas de grande porte", disse Marie Manrique, coordenadora de programas da Federação Internacional da organização. Em Mianmar, a mídia estatal relata que duas pontes colapsaram e diversos edifícios foram destruídos em ao menos cinco cidades. Mandalay, antiga capital real e centro do budismo do país, é um dos locais mais afetados. Em Bangkok, capital da Tailândia, o terremoto fez diversos prédios tremerem e derrubou um arranha-céu em construção. De acordo com o ministro da Defesa, Phumtham Wechayachai, oito pessoas morreram no desabamento. Equipes de resgate trabalham para retirar mais 110 pessoas nos escombros. Segundo relatos de testemunhas ouvidas pela agência de notícias Associated Press, sirenes foram acionadas em toda a cidade, o que deixou moradores assustados e levou centenas para as ruas.


Processo geológico acontecem quando os solos, normalmente compostos por sedimentos e saturados com água, passam do estado sólido para um estado mais líquido. Terremoto em Mianmar STR / AFP Após ser atingido por um terremoto de 7,7 de magnitude na última sexta-feira (28), Mianmar agora está sob risco de passar por um processo de liquefação do solo. ➡️A liquefação do solo é um processo geológico em que os solos, normalmente compostos por sedimentos e saturados com água, passam do estado sólido para um estado mais líquido. De acordo com Renato Lima, geólogo e diretor do Centro de Apoio Científico em Desastres (CENACID/UFPR), esse processo muitas vezes acontece como resultado da movimentação rápida do terreno, como a que ocorre durante um terremoto. "Com essa mudança, estruturas como casas e edifícios que estejam apoiadas no solo sujeito a esses processos muitas vezes 'afundam' no terreno, colapsando", comenta o professor. Lima, que também é integrante do Comitê do Programa Mundial de Deslizamentos e autou como consultor da ONU para desastres, detalha que esse processo é mais comum em zonas costeiras, quando acontecem terremotos, mas também podem ocorrer em outras regiões. Como ocorre a liquefação do solo após um terremoto Imagem: g1 Ainda na tarde de sexta, o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS, na sigla em inglês) emitiu um alerta que apontava que diversas regiões do país asiático podem sofrer com a liquefação. O órgão americano classifica o risco do fenômeno como "extensivo", uma vez que a área vulnerável ultrapassa os 1 mil km², o que abarca uma área com uma população de mais de 1 milhão de pessoas. "Em Mianmar, os processos deste tipo já podem até ter ocorrido, principalmente porque o país possui uma extensa faixa costeira de terrenos sedimentares", analisa o Renato Lima. O geólogo ainda lembra que é possível que sismos subsequentes ainda aconteçam, já que é algo comum em terremotos de grande magnitude – algo que pode agravar a liquefação. De acordo com o USGS, a liquefação pode causar o tombamento de edifícios, a expulsão de areia e água em "vulcões de areia" e a deformação permanente da superfície do solo". O USGS diz também que, embora a liquefação possa causar danos significativos a edifícios e infraestrutura, ela não vem causando tantas mortes quanto deslizamentos de terra -- um fenômeno que também se torna um problema para as regiões afetadas após o abalo sísmico. 'A piscina estava parecendo mar', diz brasileira em Bangkok durante terremoto Terremoto em Mianmar e na Tailândia: o que já se sabe sobre a destruição O tremor aconteceu na tarde de sexta no horário local de Mianmar deixou, até o momento, 144 mortos e 732 feridos. O epicentro foi localizado a 16 km a noroeste da cidade de Mandalay e reverberou por partes da Tailândia, incluindo a capital Bangkok, e regiões da China. O chefe da ONU, António Guterres, disse que as Nações Unidas estão se mobilizando para ajudar os necessitados após o terremoto. Mapa localiza o epicentro do terremoto de magnitude 7,7 desta sexta-feira (28). Arte/g1 A Cruz Vermelha também relata destruições. "A infraestrutura pública foi danificada, incluindo estradas, pontes e prédios públicos. Atualmente, temos preocupações com represas de grande porte", disse Marie Manrique, coordenadora de programas da Federação Internacional da organização. Em Mianmar, a mídia estatal relata que duas pontes colapsaram e diversos edifícios foram destruídos em ao menos cinco cidades. Mandalay, antiga capital real e centro do budismo do país, é um dos locais mais afetados. Em Bangkok, capital da Tailândia, o terremoto fez diversos prédios tremerem e derrubou um arranha-céu em construção. De acordo com o ministro da Defesa, Phumtham Wechayachai, oito pessoas morreram no desabamento. Equipes de resgate trabalham para retirar mais 110 pessoas nos escombros. Segundo relatos de testemunhas ouvidas pela agência de notícias Associated Press, sirenes foram acionadas em toda a cidade, o que deixou moradores assustados e levou centenas para as ruas.