ChatGPT atrai 1 milhão de novos usuários em uma hora com febre de imagens no estilo Ghibli
Explosão de popularidade de recurso visual criado pela OpenAI gera debate sobre direitos autorais e riscos à segurança de dados


Explosão de acessos
O ChatGPT registrou 1 milhão de novos usuários em apenas uma hora, impulsionado por uma onda viral de geração de imagens com inteligência artificial no estilo das animações do Studio Ghibli. A informação foi divulgada na segunda-feira (31/3) por Sam Altman, presidente da OpenAI, em uma postagem nas redes sociais.
“O lançamento do ChatGPT há 26 meses foi um dos momentos virais mais loucos que já vi, e incluímos um milhão de usuários em cinco dias”, escreveu Altman na plataforma X. “Adicionamos um milhão de usuários na última hora”, acrescentou, sem revelar quantos novos usuários o serviço conquistou desde a última semana.
O pico de interesse ocorreu após uma atualização do ChatGPT na terça-feira passada (25/3), que ampliou a qualidade e os recursos de criação de imagens por inteligência artificial. A nova ferramenta permite edições detalhadas, incluindo a inserção de textos, algo que antes era limitado. Segundo a OpenAI, o modelo utilizado é o GPT-4o.
Estética de Miyazaki viraliza
A febre das imagens geradas com estética semelhante à dos filmes do Studio Ghibli lotou as redes sociais com criações que vão de selfies a cenas famosas, todas no estilo visual atribuído ao cineasta Hayao Miyazaki, responsável por animes premiados como “Meu Vizinho Totoro” e “A Viagem de Chihiro”, vencedor do Oscar de Melhor Animação.
Entre os que aderiram à tendência estão perfis oficiais como a Casa Branca e o governo da Índia. No Brasil, políticos como o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, e o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, também publicaram versões de suas imagens no estilo ‘Ghibli’. Celebridades, influenciadores e marcas entraram na onda.
Altman chegou a trocar a própria foto nas redes sociais por uma versão gerada pela IA com a estética do estúdio japonês. Entretanto, a popularidade teve um preço. Na sexta-feira (29/3), ele comentou que os servidores da empresa estavam “derretendo” com o aumento de demanda e, por isso, a OpenAI impôs limites temporários ao uso do recurso.
Debate sobre direitos autorais
A febre das imagens que imitam o estilo de Miyazaki acirrou discussões sobre direitos autorais e o uso ético da inteligência artificial. Conhecido pelo trabalho artesanal, o diretor japonês dedica anos à produção de suas animações, muitas com cenas desenhadas à mão. A facilidade com que a estética foi replicada por IA gerou críticas.
Em resposta, a OpenAI declarou ao site especializado Mashable que busca oferecer “o máximo de liberdade criativa para os usuários”. Segundo a empresa, imagens que copiem o estilo de artistas vivos estão vetadas, mas são permitidas recriações baseadas em estilos visuais mais amplos, como os de estúdios de animação.
Apesar do posicionamento oficial, Altman tem repostado imagens criadas no estilo Ghibli desde o início da viralização do recurso, evitando se manifestar sobre a questão dos direitos autorais.
Riscos à segurança
A onda de compartilhamentos também levantou alertas sobre segurança digital. Especialistas alertam para os riscos associados ao uso de fotografias pessoais em plataformas de IA. Imagens faciais, ao serem publicadas, podem conter dados biométricos sensíveis que permanecem disponíveis na internet.
O uso indiscriminado dessas imagens pode facilitar o roubo de dados, tornando contas mais vulneráveis a ataques. Como muitos usuários fornecem esses dados gratuitamente, sem saber os riscos, aumenta-se a exposição a vazamentos e fraudes.
Crescimento do ChatGPT
O novo recurso ainda está disponível apenas para usuários pagantes do ChatGPT, cuja assinatura custa cerca de R$ 100 mensais. Segundo Altman, uma versão gratuita permitirá a geração de até três imagens por dia em breve.
Desde sua estreia, a plataforma já oferecia geração de imagens, mas com precisão limitada. A atualização mais recente ampliou a fidelidade visual, permitindo detalhamento de elementos como iluminação, sombras e reflexos, além de uma maior compreensão do contexto conversacional.
A OpenAI não divulga dados completos sobre a base total de usuários, mas em fevereiro anunciou que o serviço havia ultrapassado 400 milhões de usuários semanais — o dobro do registrado em agosto de 2024.