Caixões, roupas e objetos são descartados de forma irregular no Cemitério de Seropédica, RJ

O RJ2 flagrou, nesta quinta-feira (27), um funcionário, sem uso de luvas, depositando mais material no local. De acordo com os moradores, a coleta correta não é feita há pelo menos três meses. O resultado das exumações está se acumulando nos fundos do cemitério municipal Santa Sofia Reprodução/TV Globo Restos de caixão, objetos e até roupas de pessoas que foram enterradas estão sendo despejados nos fundos do Cemitério de Seropédica, Baixada Fluminense. A equipe do RJ2 flagrou nesta quinta-feira (27) o momento em que um funcionário, sem uso de luvas, terminava de depositar mais material no local. Em nota, a Prefeitura de Seropédica disse que a empresa Pró-Ambiental Tecnologia foi contratada pelo município para fazer a coleta dos resíduos. Mas, de acordo com os moradores, essa coleta não é feita há pelo menos três meses. O lixo está sendo descartado em um local totalmente inadequado para esse tipo de material, e que fica próximo a casas vizinhas. O resultado das exumações está se acumulando nos fundos do Cemitério Municipal Santa Sofia. Itens como caixões quebrados, alças das urnas funerárias, flores das coroas de despedida, faixas fúnebres, restos de roupas de quem já foi sepultado estão sendo descartados de forma inadequada. O entulho funerário está a poucos metros das residências. Os moradores da Travessa das Almas, rua onde fica o cemitério, têm medo de aparecer. Apenas uma grade separa o resíduo fúnebre da via. “Barata, mosca, aquelas mosquinhas que 'entra' dentro de casa. É muito bicho, rato. O cheiro é insuportável. A minha família não vem aqui. Eu sempre chamo minha mãe para vir almoçar aqui, ela fala que não vem por causa do cheiro”, disse uma vizinha que pediu para não ser identificada. Especialistas em gestão de resíduos ouvidos pelo RJ2 afirmam que esse material é um perigo para a população. A água da chuva que passa pelos entulhos se infiltra no solo e contamina o lençol freático, o que pode colocar os moradores em risco de contrair doenças como febre tifoide, hepatite, salmonela e cólera. Este tipo de descarte é regulado pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama). Uma resolução de 2003 determina que os resíduos sólidos, não humanos, resultantes da exumação devem ter destinação ambiental e sanitariamente adequada. “O carro sempre vinha buscar o material que tem aqui. Só que de uns tempos para cá, ele parou de buscar”, disse um morador da Travessa das Almas sobre a coleta adequada do material. O que dizem os citados A equipe de reportagem foi até a Prefeitura de Seropédica para tentar entender por que isso está acontecendo. Funcionários da Secretaria de Governo informaram que nenhum representante da prefeitura dá entrevistas. A Prefeitura de Seropédica disse que instaurou um procedimento administrativo para apurar a denúncia, já que existe contrato vigente para a coleta desses resíduos. A Polícia Civil disse que a Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente vai apurar a denúncia, para identificar os envolvidos e esclarecer os fatos. A corporação disse ainda que a unidade faz ações constantes para fiscalizar possíveis irregularidades. A TV Globo procurou a empresa Pró-Ambiental Tecnologia, mas não obteve retorno.

Mar 28, 2025 - 23:27
 0
Caixões, roupas e objetos são descartados de forma irregular no Cemitério de Seropédica, RJ

O RJ2 flagrou, nesta quinta-feira (27), um funcionário, sem uso de luvas, depositando mais material no local. De acordo com os moradores, a coleta correta não é feita há pelo menos três meses. O resultado das exumações está se acumulando nos fundos do cemitério municipal Santa Sofia Reprodução/TV Globo Restos de caixão, objetos e até roupas de pessoas que foram enterradas estão sendo despejados nos fundos do Cemitério de Seropédica, Baixada Fluminense. A equipe do RJ2 flagrou nesta quinta-feira (27) o momento em que um funcionário, sem uso de luvas, terminava de depositar mais material no local. Em nota, a Prefeitura de Seropédica disse que a empresa Pró-Ambiental Tecnologia foi contratada pelo município para fazer a coleta dos resíduos. Mas, de acordo com os moradores, essa coleta não é feita há pelo menos três meses. O lixo está sendo descartado em um local totalmente inadequado para esse tipo de material, e que fica próximo a casas vizinhas. O resultado das exumações está se acumulando nos fundos do Cemitério Municipal Santa Sofia. Itens como caixões quebrados, alças das urnas funerárias, flores das coroas de despedida, faixas fúnebres, restos de roupas de quem já foi sepultado estão sendo descartados de forma inadequada. O entulho funerário está a poucos metros das residências. Os moradores da Travessa das Almas, rua onde fica o cemitério, têm medo de aparecer. Apenas uma grade separa o resíduo fúnebre da via. “Barata, mosca, aquelas mosquinhas que 'entra' dentro de casa. É muito bicho, rato. O cheiro é insuportável. A minha família não vem aqui. Eu sempre chamo minha mãe para vir almoçar aqui, ela fala que não vem por causa do cheiro”, disse uma vizinha que pediu para não ser identificada. Especialistas em gestão de resíduos ouvidos pelo RJ2 afirmam que esse material é um perigo para a população. A água da chuva que passa pelos entulhos se infiltra no solo e contamina o lençol freático, o que pode colocar os moradores em risco de contrair doenças como febre tifoide, hepatite, salmonela e cólera. Este tipo de descarte é regulado pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama). Uma resolução de 2003 determina que os resíduos sólidos, não humanos, resultantes da exumação devem ter destinação ambiental e sanitariamente adequada. “O carro sempre vinha buscar o material que tem aqui. Só que de uns tempos para cá, ele parou de buscar”, disse um morador da Travessa das Almas sobre a coleta adequada do material. O que dizem os citados A equipe de reportagem foi até a Prefeitura de Seropédica para tentar entender por que isso está acontecendo. Funcionários da Secretaria de Governo informaram que nenhum representante da prefeitura dá entrevistas. A Prefeitura de Seropédica disse que instaurou um procedimento administrativo para apurar a denúncia, já que existe contrato vigente para a coleta desses resíduos. A Polícia Civil disse que a Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente vai apurar a denúncia, para identificar os envolvidos e esclarecer os fatos. A corporação disse ainda que a unidade faz ações constantes para fiscalizar possíveis irregularidades. A TV Globo procurou a empresa Pró-Ambiental Tecnologia, mas não obteve retorno.