Argumentos das defesas não descartam tentativa de golpe, mas buscam inocentar seus clientes, diz Dino

'Houve violência e poderia ter produzido danos de enorme proporção. A conduta é tentar. Se fosse consumado, não teria juízes pra julgar', afirmou o ministro. Dino entende que "quanto à materialidade [dos crimes] não há dúvida da sua viabilidade" Durante a retomada do julgamento da denúncia do golpe de Estado nesta quarta-feira (26), o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou que os argumentos das defesas não negam que houve uma tentativa de golpe de Estado em 2022, mas se concentram em afastar a participação direta de seus clientes. “Nós tivemos sustentações orais que vão no sentido da materialidade. Os eixos centrais não foram descaracterizar [os fatos], e sim afastar autorias. O que corrobora a densidade do acervo que foi bem delineado pela PGR”, afirmou o ministro. Dino foi o segundo a votar na 1ª Turma do STF sobre a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR), que pediu abertura de processo contra o ex-presidente Jair Bolsonaro e mais 7 aliados por tentativa de golpe de Estado. Dino votou por aceitar a denúncia da PGR contra todos os investigados. Antes dele, o ministro Alexandre de Moraes, também votou pelo acolhimento da denúncia. Dino também ressaltou a gravidade dos atos: “Houve violência e poderia ter produzido danos de enorme proporção. A conduta é tentar. Se fosse consumado, não teria juízes pra julgar”. Para ele, ainda que se alegue desistência por parte de alguns acusados, isso não descaracteriza a tentativa de golpe. “É possível que alguém tenha desistido. E isso nós vamos debater, mas no curso da instrução”, pontuou. Ministro Flávio Dino em sessão da Primeira Turma do STF. Antonio Augusto/STF

Mar 26, 2025 - 17:50
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Argumentos das defesas não descartam tentativa de golpe, mas buscam inocentar seus clientes, diz Dino

'Houve violência e poderia ter produzido danos de enorme proporção. A conduta é tentar. Se fosse consumado, não teria juízes pra julgar', afirmou o ministro. Dino entende que "quanto à materialidade [dos crimes] não há dúvida da sua viabilidade" Durante a retomada do julgamento da denúncia do golpe de Estado nesta quarta-feira (26), o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou que os argumentos das defesas não negam que houve uma tentativa de golpe de Estado em 2022, mas se concentram em afastar a participação direta de seus clientes. “Nós tivemos sustentações orais que vão no sentido da materialidade. Os eixos centrais não foram descaracterizar [os fatos], e sim afastar autorias. O que corrobora a densidade do acervo que foi bem delineado pela PGR”, afirmou o ministro. Dino foi o segundo a votar na 1ª Turma do STF sobre a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR), que pediu abertura de processo contra o ex-presidente Jair Bolsonaro e mais 7 aliados por tentativa de golpe de Estado. Dino votou por aceitar a denúncia da PGR contra todos os investigados. Antes dele, o ministro Alexandre de Moraes, também votou pelo acolhimento da denúncia. Dino também ressaltou a gravidade dos atos: “Houve violência e poderia ter produzido danos de enorme proporção. A conduta é tentar. Se fosse consumado, não teria juízes pra julgar”. Para ele, ainda que se alegue desistência por parte de alguns acusados, isso não descaracteriza a tentativa de golpe. “É possível que alguém tenha desistido. E isso nós vamos debater, mas no curso da instrução”, pontuou. Ministro Flávio Dino em sessão da Primeira Turma do STF. Antonio Augusto/STF