Após recuo em 2024, Cinemas Nos esperam 8,8 milhões de espectadores e faturar 56 milhões de euros este ano
Nuno Aguiar, diretor dos Cinemas Nos, antecipa para este ano um crescimento no número de espectadores, embora preveja que este ainda fique aquém dos números registados em 2019. No último ano os cinemas da marca seguiram a “tendência geral” em Portugal, tendo registado uma quebra de cerca de 4% na afluência às salas, embora as […]



Nuno Aguiar, diretor dos Cinemas Nos, antecipa para este ano um crescimento no número de espectadores, embora preveja que este ainda fique aquém dos números registados em 2019. No último ano os cinemas da marca seguiram a “tendência geral” em Portugal, tendo registado uma quebra de cerca de 4% na afluência às salas, embora as receitas de bilheteira tenham crescido na ordem dos 2%.
Analisando números concretos, as salas de cinema da Nos atraíram mais de 7,7 milhões (7.733.909) de espectadores no ano passado, número 4% abaixo dos 8.053.523 registados em 2023. Foi assim interrompida a tendência de crescimento que se vinha a verificar desde a pandemia, tendo em conta o crescimento das entradas registadas nos anos anteriores: 2.308.279 (em 2020), (3.450.312 (2021) e 6.246.666 (2022).
A quebra de 2024, que veio assim arrefecer um crescimento contínuo registado ao longo de quatro anos, é justificada por um segundo trimestre “muito mau, à semelhança do que aconteceu internacionalmente”, e “reflexo” da greve de argumentistas e atores em Hollywood no segundo semestre de 2023, que levou a que houvesse muitos adiamentos de filmes, explica Nuno Aguiar ao +M.
No entanto, a perspetiva para este ano é de voltar ao crescimento, com os Cinemas Nos a apontarem para os 8,8 milhões de espectadores como objetivo. “Os efeitos da greve só serão ultrapassados totalmente em 2026, mas 2025 já vai ser um ano de alguma recuperação”, acredita Nuno Aguiar.
Mas mesmo conseguindo alcançar o objetivo para este ano, este número ficará aquém das entradas de 2019, quando os Cinemas Nos receberam 9.267.388 espectadores. Qual a justificação para este recuo? “Há aqui várias questões. Sentimos que nos grandes filmes, estamos como nunca estivemos. Mas a verdade é que entre os cerca de 450 filmes que exibimos, os 50 mais vistos são responsáveis por cerca de 80% dos espectadores. Em 2019, os filmes intermédios tinham um peso maior. Hoje, com o crescimento do streaming, há pessoas que não têm o incentivo que tinham antes para irem ver esse tipo de filmes“, explica Nuno Aguiar.
“Compete-nos a nós arranjar formas de as atrair, investindo e deixando as salas e complexos mais atrativos. Precisamos também de criar programas para conseguirmos atrair um público alternativo que ainda não voltou ao nível do que estava, porque o público mais consumidor já lá está“, aponta.
Embora a afluência aos Cinemas Nos tenha ficado aquém das expectativas no ano passado, a marca conseguiu, com as “reestruturações” que levou a cabo, ficar ao nível de 2019 “ao nível de faturação e de equilíbrio de contas”, revela Nuno Aguiar. A receita de bilheteira situou-se nos 50 milhões de euros, acima dos 48 milhões registados em 2023. Para este ano, os Cinemas Nos têm como objetivo faturar 56 milhões.
Apesar de variar de cinema para cinema, e com 160 mil lugares diários disponíveis, a taxa de ocupação das salas situa-se à volta dos 15%. “Nos horários nobres e com alguns filmes, temos salas cheias. Mas depois também temos salas vazias. Temos uma tendência para olhar para a média, mas a média resulta de uma combinação de vários fatores“, refere.
No que toca à presença do cinema português nas salas do cinema, Nuno Aguiar reconhece que existe “um problema de mercado”. Apesar do aumento da quota de cinema local de 2,7% para 4,5% (de 329 mil espectadores para 533 mil, respetivamente), a grande maioria dos países europeus apresentam taxas superiores, refere Nuno Aguiar.
Para o responsável — que têm desde o ano passado três das suas 214 salas dedicadas apenas ao cinema português, precisamente para ajudar a subir a quota de mercado da produção portuguesa — até existe uma “produção razoável” de filmes nacionais, mas esta está relacionada na sua maioria com cinema de autor.
Segundo o diretor dos Cinemas Nos, o financiamento em Portugal é muito canalizado para filmes de autor, “até porque é uma área mais ligada à cultura”. “Mas também é importante que haja gente a ir ver filmes nacionais. Se calhar tem de haver um equilíbrio maior. É um trabalho que temos todos de fazer. Acho que ninguém se revê neste valor de 4,5%, é muito baixo”, reforça, acrescentando que há um “trabalho muito grande” a ser feito a nível nacional.
“Arranjar uma forma, que ainda não foi descoberta, de trazer mais pessoas a ver os filmes nacionais e investir em filmes nacionais que tragam mais pessoas. É um problema de um lado e de outro, mas neste momento o investimento feito em filmes nacionais que tragam mais pessoas ao cinema é diminuto. E isso reflete-se na quota“, concretiza Nuno Aguiar.
Entretanto, e no âmbito dos Óscares, que se realizam este domingo, os Cinemas Nos lançaram o Movies’ Card Óscares, que inclui cinco bilhetes por 20 euros, uma proposta válida até 26 de março para qualquer filme com, pelo menos, uma nomeação aos Óscares. A iniciativa pretende “vender e promover a ida ao cinema para assistir aos filmes nomeados“, mas também “comunicar cinema à volta dos Óscares, que é sempre um momento importante do ano para o setor“, explica Nuno Aguiar.
Numa tentativa de melhorar o contacto e atrair mais clientes, os Cinemas Nos têm também tentado “conhecer cada vez melhor” o espectador, para “fazer ofertas mais targetizadas“, numa altura em que cerca de metade da venda de bilhetes já é feita online, entre a app e o site.
“E esse é um trabalho que temos vindo a fazer, porque às vezes é muito difícil fazer marketing ‘à bruta’ para todos igual. Mas se conseguirmos conhecer melhor os nossos clientes, conseguimos ter comunicações mais direcionadas que se calhar tocam e atraem mais as pessoas para aquilo que é o seu universo de cinema. Temos feito um esforço nesta área do CRM (customer relationship management) e do contacto direto com as pessoas e ter as nossas ofertas, promoções e destaques associados a cada um”, explica o diretor dos Cinemas Nos.
No que diz respeito à publicidade no cinema, Nuno Aguiar refere que esta também decresceu no pós-pandemia, mas que tem vindo entretanto a recuperar, havendo boas perspetivas de investimento neste meio.
“Com algum tipo de segmentação, nomeadamente a nível geográfico ou mediante o tipo de filmes, [investir em publicidade no cinema] é algo que faz sentido. Uma pessoa quando está numa sala de cinema tem uma outra disponibilidade para olhar para o ecrã e abstrair-se do resto”, aponta como vantagem.
“Avatar Fogo e Cinzas”, “Michael” (Michael Jackson), “Missão Impossível: O Ajuste de Contas Final”, “F1″, “Minecraft“, “Snow White”, “Superman“, “Jurassic World“, “How to train your dragon“, “Smurfs: O Grande Filme”, “Lilo and Stitch“, “Karate Kid“, “M3gan 2.0″ ou “Tron: Ares” são algumas das estreias deste ano destacadas por Nuno Aguiar.
“Há muito filme para atrair espectadores aos cinemas. Estamos convictos que este vai ser um ano bastante bom“, conclui.