À espera para ver
Os agentes económicos mantêm-se otimistas, é verdade, mas os dados mostram que não estão a suportar esse sentimento com dinheiro. Esperam para ver. Esperamos todos para ver.


Quando, no último trimestre de 2024, se olhou para a frente, parecia que todas as peças se preparavam para encaixar nos sítios certos para que este ano em que nos encontramos fosse bom para os negócios. As taxas de juro desciam tão rapidamente como tinham subido para combater a inflação, havia capital disponível, ativos no mercado e apetite dos investidores.
Depois, no início do ano, a procura por competitividade, o afrouxamento regulatório e a apetência generalizada para um maior investimento público pareciam ser empurrões definitivos para que tudo acontecesse, mas não tem sido assim.
O início do ano tem mostrado que este quadro prazenteiro é insuficiente, que falta um ingrediente fundamental, que é a previsibilidade, a estabilidade. A redução do risco que advém da descida das taxas de juro – mais deste lado do Atlântico do que do lado norte-americano –, por exemplo, não compensa o resto. Os primeiros meses do ano foram de quebra nas fusões e aquisições, tanto no número de negócios como do capital mobilizado, em Portugal e em Espanha.
Os pressupostos positivos mantêm-se todos, mas os investidores continuam a refrear o apetite à espera de uma clarificação, tal como o fizeram no ano passado, principalmente para perceber o que são as políticas de Donald Trump 2.0 e no que se traduzem exatamente, a começar pelo grande jogo das tarifas aduaneiras e pela guerra comercial entre blocos.
Os agentes económicos mantêm-se otimistas, é verdade, mas os dados mostram que não estão a suportar esse sentimento com dinheiro. Esperam para ver. Esperamos todos para ver.