Estudos indicam que meta climática do Acordo de Paris pode ser inatingível
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Dois novos estudos publicados na revista Nature Climate Change lançam um alerta preocupante sobre o futuro do clima global, sugerindo que a meta do Acordo de Paris de limitar o aquecimento global a 1,5 graus Celsius já pode estar morta. As pesquisas revelam que o planeta como um todo está atingindo recordes de calor, o que pode indicar que a meta já foi ultrapassada.
Os estudos surgem em um momento crítico, após declarações do renomado cientista climático James Hansen, que previu que a Terra pode ultrapassar 2 graus de aquecimento nas próximas duas décadas. Embora muitos especialistas acreditem que esse nível de aquecimento pode ser evitado com cortes imediatos e drásticos nas emissões, a realidade é que a ação climática internacional está estagnada.
A saída dos EUA do Acordo de Paris após o início do novo governo Trump e a possibilidade de outros países, como Argentina e Indonésia, seguirem o mesmo caminho, agravam a situação. O Acordo de Paris, firmado em 2015, é um marco simbólico na luta contra as mudanças climáticas, com quase todos os países do mundo se comprometendo a limitar o aquecimento global a bem abaixo de 2 graus.
No entanto, os cientistas alertam que, ao ultrapassar 1,5 graus, os impactos se tornam severos e difíceis de mitigar, resultando em calor extremo, secas, inundações e a ameaça de colapsos em ecossistemas vitais. Os novos estudos tentaram determinar se o mundo já está em um período prolongado de aquecimento de 1,5 grau.
A pesquisa de Alex Cannon, da Environment and Climate Change Canada, agência do governo canadense, sugere que há uma probabilidade de 60% a 80% de que o limite de Paris já tenha sido ultrapassado, com 12 meses consecutivos registrando temperaturas superiores a 1,5 graus. Se essa tendência continuar e houver 18 meses consecutivos de aquecimento, será “virtualmente certo” que a meta foi comprometida.
Os cientistas enfatizam que, embora a situação seja alarmante, ainda há tempo para ações significativas que possam reduzir a probabilidade de ultrapassar os objetivos do Acordo de Paris.
Mas Richard Allen, professor de ciência climática da Universidade de Reading, alerta que “ultrapassar o limite de 1,5 graus é praticamente um fato”, e que esforços devem ser redobrados para evitar o limite ainda mais perigoso de 2 graus. Hansen, que foi um dos primeiros a alertar sobre as mudanças climáticas, declarou que a meta de 1,5 graus está “mais morta do que nunca”.
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