‘Dia da Libertação’: mercados aguardam novo pacote tarifário de Trump; no Brasil, desaprovação de Lula atinge patamar recorde: Veja os destaques desta quarta-feira (2) 

Os holofotes do mercado estão sobre as novas tarifas comerciais a serem divulgadas por Trump nesta quarta-feira (2). O post ‘Dia da Libertação’: mercados aguardam novo pacote tarifário de Trump; no Brasil, desaprovação de Lula atinge patamar recorde: Veja os destaques desta quarta-feira (2)  apareceu primeiro em Empiricus.

Abr 2, 2025 - 14:09
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‘Dia da Libertação’: mercados aguardam novo pacote tarifário de Trump; no Brasil, desaprovação de Lula atinge patamar recorde: Veja os destaques desta quarta-feira (2) 

O grande foco do dia recai sobre o aguardado anúncio do pacote tarifário prometido por Donald Trump, carinhosamente batizado pelo próprio presidente de “Dia da Libertação”. O escopo dessas tarifas será decisivo para reprecificar expectativas de crescimento e inflação no mercado global. E, pelo que tudo indica, vem chumbo grosso: estamos falando do que pode ser o maior salto tarifário já registrado em tempos de paz na história americana.

Mas aqui vai o ponto curioso — e irritante para os mercados: tudo isso talvez não passe de uma encenação estratégica. O próprio secretário do Tesouro, Scott Bessent, deixou escapar ontem (1º) que a medida teria menos a ver com convicção e mais com barganha. Em outras palavras, Trump promete o apocalipse, só para depois negociar um aperto de mão. O estilo é conhecido, mas o grau de agressividade atual está em um novo patamar — e, com ele, a imprevisibilidade também.

Essa incerteza custa caro. Os mercados odeiam não saber para onde estão indo, e a natureza errática da política comercial trumpista adiciona camadas extras de volatilidade. Não há clareza sobre o objetivo final, não há garantias de que os procedimentos legais serão seguidos, não se sabe se as tarifas anunciadas vão durar ou se serão trocadas por acordos obscuros de isenção a aliados políticos. O resultado é um ambiente no qual ninguém sabe ao certo onde pisar. A resposta dos mercados não demorou. As bolsas europeias operam em queda, pressionadas principalmente pelo desempenho fraco do setor de saúde, enquanto os investidores tentam precificar o impacto das tarifas recíprocas dos EUA. Os futuros americanos seguem o mesmo caminho, refletindo um mercado desconfiado e à deriva — à espera de um presidente que talvez esteja apenas jogando pôquer com as cartas viradas para cima.

· 00:59 — O prazo do Sidônio chegou ao limite?

No Brasil, abril começou com algum alívio nos mercados, mas a bússola continua apontada para o cenário externo — mais especificamente, para as tarifas de Donald Trump e seus potenciais desdobramentos globais. Internamente, o destaque do dia ficou com a nova rodada da pesquisa Genial/Quaest, que trouxe um retrato bastante desfavorável para o presidente Lula: a aprovação caiu de 47% para 41%, enquanto a desaprovação subiu sete pontos, atingindo 56%. Um tombo que não surpreende quem vem acompanhando a deterioração da popularidade presidencial ao longo do primeiro trimestre — tendência já captada ontem também pela pesquisa Atlas.

A leitura mais alarmante está na capilaridade dessa rejeição: ela avançou em todas as regiões do país, inclusive no Nordeste, reduto tradicionalmente mais fiel ao lulismo. E mais: entre as mulheres, a desaprovação superou a aprovação pela primeira vez — um divisor simbólico importante, considerando o esforço do governo para manter esse eleitorado como base de sustentação. Segundo rumores de bastidores, Lula acompanha a Quaest com atenção especial. Se for verdade, o café da manhã no Alvorada hoje deve ter sido difícil de engolir. Não só a pesquisa confirmou a tendência negativa, como a superou: esperava-se um teto de 55% de desaprovação — veio 56%.

Esse cenário reforça um risco relevante para o trajeto até 2026: a tentação do governo de dobrar a aposta em políticas populistas ou heterodoxas na tentativa de estancar a sangria de apoio. O problema é que esse tipo de resposta costuma gerar mais volatilidade para os ativos no curto prazo, com impactos diretos sobre confiança, câmbio, juros e, claro, a Bolsa. A boa notícia é que isso não altera a tese estrutural. No limite, pode até acelerar o processo de desgaste e antecipar o encerramento do ciclo.

O Zeitgeist global, afinal, parece estar alinhado em outra direção: uma guinada pró-mercado, reformista e fiscalmente responsável, como já se observa em diversas economias maduras e emergentes. A realidade brasileira — marcada por desequilíbrios fiscais crônicos, necessidade de crescimento sustentado e um setor privado resiliente — já não cabe no figurino do lulopetismo. O roteiro está em andamento e o ato final será nas urnas de 2026. O trajeto até lá é longo, mas o desfecho é inevitável

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· 01:48 — Antes das tarifas…

Nos Estados Unidos, as bolsas até conseguiram exibir um desempenho surpreendentemente robusto ontem (1º), desafiando o clima generalizado de apreensão que antecede os tão esperados anúncios tarifários do presidente Donald Trump. É como se o mercado tivesse decidido ignorar, ao menos por um dia, o elefante protecionista na sala. Mas o pano de fundo continua delicado: os indicadores de atividade econômica vêm decepcionando, com os dados divulgados ontem mostrando fraqueza tanto na produtividade quanto no setor manufatureiro — uma combinação nada animadora para quem já via sinais de desaceleração no horizonte.

Hoje, os olhos se voltam para o Relatório Nacional de Emprego de março, que pode — ou não — confirmar essa trajetória de arrefecimento. Caso venha fraco, a leitura imediata tende a ser dúbia: de um lado, reforça o argumento para cortes de juros; de outro, intensifica os temores de uma recessão em formação. Em suma, mesmo com o respiro pontual dos índices, o mercado continua andando sobre gelo fino — e a temperatura segue em queda.

· 02:35 — É hora do show: as tarifas comerciais mais altas em muito tempo

O dia 2 de abril foi rotulado por Donald Trump como o autoproclamado “Dia da Libertação”, expressão que marca o início de mais uma rodada de tarifas comerciais, agora sob o rótulo de “tarifas recíprocas”. Embora os detalhes permaneçam envoltos em névoa, o que se sabe é que a mira está apontada com especial intensidade para a Ásia. O secretário do Tesouro, Scott Bessent, afirmou que o foco inicial recairá sobre 15 países com desequilíbrios comerciais significativos e barreiras relevantes contra os Estados Unidos. Sem dar nomes, Bessent deixou a matemática fazer o trabalho: esses 15 países representam mais de 75% do déficit comercial americano — e nove deles estão na Ásia.

O problema, como sempre, não está apenas nas tarifas em si, mas no roteiro caótico com que vêm sendo anunciadas. O vai e vem de promessas, ameaças e declarações contraditórias gera um ambiente de total imprevisibilidade. A política comercial da atual administração americana continua marcada por sua natureza errática: ninguém sabe ao certo se os trâmites legais serão seguidos, quais são os reais objetivos da medida, quais setores serão de fato atingidos, nem se Trump voltará atrás em parte das propostas como já fez antes. 

Mas não é só isso. O efeito direto das tarifas já é suficientemente preocupante, mas os impactos secundários são ainda mais difíceis de mensurar. Em um mundo de cadeias globais de produção profundamente integradas — muito mais complexas do que em 1930 — qualquer movimento tarifário afeta fornecedores, fabricantes, consumidores e investidores de formas não-lineares. E, diferentemente da década de 1930, quando a famigerada Lei Smoot-Hawley elevou as tarifas médias americanas a 60% e ajudou a empurrar o mundo para a Grande Depressão, a economia americana hoje é ainda mais dependente de importações.

Aplicar tarifas em larga escala neste contexto beira a imprudência. A apreensão nos mercados é justificada: não estamos diante de uma política comercial, mas de uma política performática. E, como toda performance, ela é feita para plateia — o problema é que quem paga são os consumidores e investidores. O risco de retaliações em cadeia e fragmentação ainda maior do comércio global deixa de ser um exercício teórico e passa a ser um temor concreto. Os EUA não estão apenas reescrevendo as regras do comércio internacional, estão abrindo as portas para uma guerra comercial em plena era da interdependência econômica. 

· 03:21 — Alívio legislativo

Os Estados Unidos realizaram eleições legislativas extraordinárias na Flórida e em Wisconsin, com os dois partidos em clima de tensão. Havia, sobretudo entre os republicanos, o receio de que a crescente impopularidade da política comercial de Trump pudesse custar caro, colocando em risco cadeiras até então seguras. Dado o equilíbrio delicado da Câmara, com uma maioria republicana apertada de 218 a 213, qualquer oscilação teria peso desproporcional. Uma perda de assentos poderia comprometer a capacidade do partido de avançar com sua agenda legislativa — que inclui aumentos de tarifas, cortes no orçamento e outras bandeiras da atual administração — mesmo contando com votações estritamente partidárias.

No entanto, o pior cenário não se concretizou. Os republicanos conseguiram manter o controle na Flórida, enquanto os democratas preservaram sua posição em Wisconsin. O resultado prático? Um status quo preservado, ao menos por ora. O placar na Câmara permanece basicamente o mesmo, com a maioria republicana ainda vulnerável a qualquer dissidência interna. Ainda assim, o sinal de alerta segue aceso. A oscilação no humor do eleitorado — especialmente em distritos mais disputados — pode ter implicações relevantes à medida que o próximo ciclo eleitoral se aproxima. Com margens tão estreitas, bastam poucas cadeiras para mudar o jogo completamente. A base republicana ainda respira, mas o cenário segue volátil, e a imprevisibilidade política de Trump pode continuar alimentando tensões internas e externas.

· 04:17 — Brasil, uma alternativa internacional

Em um momento em que o mundo busca desesperadamente rotas de fuga da dependência dos combustíveis fósseis — e em meio à turbulência de uma guerra comercial que força a reorganização de cadeias produtivas e alianças estratégicas — o Brasil surge como uma espécie de rara exceção promissora. Muito se tem falado sobre as “fronteiras esquecidas” que o país poderia explorar, mas poucas se apresentam tão óbvias e urgentes quanto a bioenergia. Em meio à pressa global pela descarbonização, o Brasil está sentado sobre um trunfo que a maioria dos países só sonha em ter: uma matriz energética majoritariamente renovável e condições naturais privilegiadas.

Nesse tabuleiro geopolítico em reconfiguração, o país ostenta dois ativos de peso: a segurança alimentar e a capacidade real de liderar uma transição energética que não dependa de promessas futuristas, mas de tecnologias já disponíveis, como o etanol de segunda geração e o biometano. O problema, como sempre, está menos na falta de potencial e mais na crônica incapacidade de transformá-lo em política pública consistente. Em outras palavras, esses ativos podem muito bem virar passivos se continuarem a ser tratados como retórica de seminário em vez de estratégia de Estado.

Se o Brasil quiser mesmo liderar o novo capítulo da bioenergia global, será preciso abandonar o improviso e abraçar uma agenda séria de modernização institucional. Isso inclui blindar o ambiente de negócios contra instabilidades regulatórias, romper as barreiras protecionistas que ainda travam nossos biocombustíveis no exterior, apostar pesado em inovação tecnológica e, talvez o mais desafiador de todos, contar ao mundo uma história coerente — e convincente — sobre a sustentabilidade da nossa produção.

Temos os recursos, temos o know-how e, acima de tudo, temos urgência global a nosso favor. Mas nada disso substitui a necessidade de convicção política, visão estratégica e coragem para liderar. A bioenergia pode ser o grande passaporte do Brasil para a geopolítica da transição energética. Mas, como em qualquer embarque rumo ao futuro, é preciso chegar ao portão certo — e com os documentos em ordem.

· 05:02 — Fique longe de “meme stocks”

Já falei: com investimento não se brinca. E é justamente por isso que insisto em um alerta que, por mais óbvio que pareça, segue sendo ignorado por muitos investidores deslumbrados com promessas vazias: mantenha distância das “meme stocks”. Ações meme são aquelas que viralizam entre investidores de varejo por meio de fóruns, redes sociais e plataformas digitais, impulsionadas mais por memes do que por fundamentos…

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