Da Birkenstock à Hermès: tecnologia portuguesa impulsiona gigantes da moda

"A indústria portuguesa de calçado já é uma das mais avançadas do mundo. O setor de calçado para permanecer na vanguarda, deverá contribuir investindo, de forma permanente, em novas soluções de ponta, para que possa responder a um mercado muito exigente", sublinha Florbela Silva, coordenadora do projeto FAIST.

Abr 14, 2025 - 11:40
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Da Birkenstock à Hermès: tecnologia portuguesa impulsiona gigantes da moda

Birkenstok, Burberrys, Columbia, Hermés ou Nike, estas são algumas das marcas internacionais que utilizam alta tecnologia portuguesa nas suas unidades fabris em todo o mundo. Uma realidade que se vai aprofundar, nos próximos anos, em virtude dos fortes investimentos em curso no âmbito da agenda mobilizadora FAIST.

“Criamos em Portugal todo um ecossistema que favorece a inovação produtiva, reforçando a ligação das universidades às empresas”, destaca Florbela Silva, coordenadora do projeto FAIST que, no âmbito do PRR, pressupõe um investimento na ordem dos 50 milhões de euros nos domínios da automação e robótica.

“A indústria portuguesa de calçado já é uma das mais avançadas do mundo. O setor de calçado para permanecer na vanguarda, deverá contribuir investindo, de forma permanente, em novas soluções de ponta, para que possa responder a um mercado muito exigente, dominado por players asiáticos. Se pensarmos bem, na última década só Portugal consegui reforçar a produção na Europa, precisamente pela capacidade de arriscar em abordagens disruptivas”, acrescenta a técnica.

No caso da Mind, a empresa já “exporta toda a sua linha de produtos para o calçado, desde soluções de Design conceptual e Design de Produto, engenharia de produto até às soluções de corte, Nesting Automático ou ferramentas de estimativas de consumo”, revela Fernando Vasconcelos, diretor de marketing da empresa.

A carteira de clientes da Mind ascende “a uma centena de clientes como Aokang, Berksmann, Birkenstok, Burberrys Columbia Footwear, Grendene ou Hermés só para citar algumas das marcas mais conhecidas”.

“Há uma percepção geral muito positiva das empresas portuguesas que desenvolvem produtos tecnológicos na área do calçado”, sublinha Fernando Vasconcelos, sendo “as empresas nacionais apontadas como exemplo em vendas internacionais pela qualidade e inovação das soluções. Também o trabalho da APICCAPS e CTCP no desenvolvimento da indústria portuguesa são referidos como exemplos e modelos a seguir”.

Fernando Ferro, responsável pelas empresas DCSI e Techlast, do universo Fernando Ferro & Irmão, S.A, acrescenta “as empresas portuguesas são reconhecidas pela combinação de tradição e inovação, investindo em tecnologias avançadas e métodos de produção eficientes, o que melhora a qualidade global dos seus produtos. O facto de Portugal estar a liderar esforços no domínio da sustentabilidade, adotando materiais e práticas ambientalmente amigáveis, tem valorizado muito as suas marcas”. O mesmo acontece com a digitalização e a automação que “têm contribuído para a competitividade do setor, permitindo a personalização de soluções tecnológicas”.

De acordo com este empresário “a presença em feiras internacionais tem sido vital para aumentar a visibilidade das empresas, facilitando a criação de parcerias globais”. Ainda assim, importa reter que a concorrência de mercados de baixo custo e a rápida adaptação às tendências do mercado continuam a ser desafios a superar.

A Agenda FAIST – Fábrica Ágil, Inteligente, Sustentável e Tecnológica – que foi criada como resposta às necessidades do setor do calçado e marroquinaria, apostando de forma decisiva nas tecnologias digitais e na sustentabilidade dos processos e produtos – está a mudar a face do setor, contribuindo “para uma maior eficiência e rentabilidade, resposta rápida ao mercado, melhoria das condições de trabalho e diferenciação do produto”, admite Florbela Silva.

Fernando Ferro assume que “o projeto FAIST tem-se revelado fundamental para a internacionalização das nossas empresas. Ao modernizar e transformar os processos produtivos dos nossos parceiros nacionais, estamos a criar soluções que não apenas aumentam a eficiência e a competitividade, mas também estabelecem novos padrões de excelência no sector”, salienta.

Para Fernando Vasconcelos “todos os projetos de inovação aplicada desenvolvidos recentemente têm permitido reposicionar o setor” na cena competitiva internacional.  “Existem naturalmente contribuições materiais quase imediatas pela introdução de novos produtos, mas talvez a mais relevante seja a contribuição imaterial, pela participação e troca de ideias e experiências com todos os parceiros” explica o diretor da Mind,