Um Gen X, um Millennial e um Gen Z trocaram smartphones por telemóveis que só fazem chamadas. Quem “sobreviveu” à experiência?

Entre a geração X, os millenials e a geração Z, quem sobreviveria - ou gostaria da experiência - a um telemóvel que fizesse apenas chamadas?

Mar 28, 2025 - 15:17
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Um Gen X, um Millennial e um Gen Z trocaram smartphones por telemóveis que só fazem chamadas. Quem “sobreviveu” à experiência?

Para gerações como a geração Z ou até a Alpha, um telemóvel tem obrigatoriamente de ter internet uma vez que, nas suas vidas, nunca conheceram os hoje denominados “dumb phones”, ou seja, telemóveis que fazem apenas chamadas. Os millenials, por outro lado, ainda poderão ter conhecido telemóveis mais simples, nos seus primórdios, mas a maior parte das suas vidas foi com smartphones nas mãos.

A geração X foi a única geração que viu “nascer” o primeiro telemóvel, quando ainda tinham grandes dimensões, e que acompanhou desde o início a evolução da tecnologia. Mas, entre esta geração, os millenials e a geração Z, quem sobreviveria – ou gostaria da experiência – a um telemóvel que fizesse apenas chamadas?

Um grupo de editores da revista Good Housekeeping resolveu fazer a experiência. Florence Reeves-White (Millennial) quis perceber a necessidade de uma desintoxicação digital num mundo onde a dependência de dispositivos móveis é quase inevitável, desde as infinitas notificações, às redes sociais, ou até o Google Maps.

Durante uma semana, ela e dois colegas de trabalho da geração X e da geração Z usaram apenas um “dumb phone” como os usados ​​nas décadas de 1990 e 2000.

A experiência foi bem recebida pelos participantes, sendo a única desvantagem a necessidade de permanecerem presos à tecnologia devido às exigências pessoais e de trabalho.

Durante sete dias, usaram telemóveis Nokia básicos, famosos pela bateria de longa duração e simplicidade. Da geração X, Simon Swift relatou como se sentiu: “Gosto de me conectar com o mundo ao meu redor. Em um período de notícias tão dinâmico e sem precedentes, quero saber o que está acontecendo. Não acho que posso retreinar meu cérebro nesse sentido.”

Por um lado, Simon afirmou ter gostado da tranquilidade de ler uma revista no caminho para o trabalho e de evitar a sobrecarga de informações negativas, mas a dificuldade de comunicar por mensagens de texto e a dependência de mapas físicos revelaram-se um desafio.

Já Florence Reeves-White, millenial, confessou que entrava em pânico ao pensar que estava a perder conversas importantes nos grupos de WhatsApp dos amigos ou não estar atualizada das últimas notícias – a famosa Síndrome de FOMO (Fear Of Missing Out). No entanto, a experiência acabou por ser mais positiva do que o esperado, ainda que, como aconteceu com o representante da Geração X, a falta de apps de fitness, Google Maps ou a impossibilidade de pagar com o telemóvel tenham gerado transtornos no dia a dia.

Para a representante da Geração Z, Megan Geall, nativa digital e utilizadora intensiva de smartphones para absolutamente tudo, a desconexão foi um verdadeiro desafio. Um dos primeiros efeitos que notou foi a atenção plena ao assistir a uma série ou filme em casa. Agora ela não tinha como ficar olhando redes sociais desviando a atenção da televisão.

A impossibilidade de aceder às redes sociais também trouxe uma lufada de ar fresco à experiência. Geall relatou o seguinte: “Foi muito bom ficar desconectada por um tempo e não ver o que outras pessoas estavam a fazer com as suas vidas, apenas a viver a minha própria vida.

Apesar de reconhecer alguns benefícios, como uma maior conexão com as pessoas por poder ligar em vez de enviar mensagens por apps, a jovem concluiu que não estava disposta a abrir mão da conveniência que o seu smartphone proporcionava.

No final da experiência, Florence concluiu que estava mais aberta a repetir a experiência em futuras ocasiões do que a geração antes de si e a que nasceu depois, concluindo que os millenials poderiam ser mais adaptáveis.