O caos e as garantias de segurança
Pelo que já fomos vendo, levar Trump à letra é uma excelente maneira de andar sempre com a cabeça às voltas. Esse é o seu modo de acção. A técnica passa por deixar o opositor atordoado com as primeiras declarações, para depois recuar um pouco e ainda assim conseguir muito mais do que aquilo que conseguiria num processo linear de negociação. Nunca ninguém o viu incomodado por não concretizar nenhuma das suas declarações bombásticas. A paz em 24 horas, o inferno na terra se os reféns não forem entregues ou o encorajamento à invasão a países da Nato que não invistam o suficiente em defesa... são alguns exemplos, entre muitos outros. A atoarda é dita, é comentada de imediato, para logo depois ser abafada pelas declarações seguintes. Lançar o caos é uma forma de manter a iniciativa, deixando os restantes agentes em reacção permanente e desarticulando assim toda a oposição que se lhe possa ser feita. Antes de a poeira assentar, outra declaração é publicada e uma outra logo de seguida. Os demais agentes queimam os fusíveis com a sobrecarga e, à beira do colapso mental, ficam em ponto de caramelo para aceitar as novas condições, que lhe são simplesmente transmitidas. Putin é outro mestre desta forma de actuação. Esta abordagem pode trazer-lhe vantagens nos seus objectivos no prazo deste mandato, que será o seu último, mas alimentarão uma profunda desconfiança perante os EUA, algo que não sendo novo noutras paragens do mundo, ganhará, e já está a ganhar, outra dimensão na Europa. Quase a chegar ao terceiro ano de conflito de grande escala, a Rússia perdeu largas centenas de milhares de soldados, uma infindável quantidade de material militar, tem a sua economia em grande fragilidade, com elevadas taxas de juro e uma inflação de dois dígitos elevados. Está, como nunca esteve, dependente da China, a sua antiga rival. Por tudo isto, não terá condições de no futuro imediato se lançar noutra loucura bélica. O acordo que estará a ser definido nestes dias, terá de incluir garantias de segurança para a Ucrânia e não é viável contar com uma capacidade militar europeia dirigida a uma só voz. A natureza política deste grupo de estados não permite a existência de uma liderança que tome decisões da natureza militar, nomeadamente em termos operacionais. Nunca um chanceler alemão, um primeiro-ministro inglês ou o presidente francês teriam legitimidade política para decidir enviar uma unidade portuguesa, espanhola ou italiana para uma qualquer linha da frente. A solução que possa garantir uma paz duradoura na Europa passará pela inclusão da Polónia e/ou da Ucrânia no restrito clube nuclear, o que me parece um cenário aceitável e bastante razoável.

Pelo que já fomos vendo, levar Trump à letra é uma excelente maneira de andar sempre com a cabeça às voltas. Esse é o seu modo de acção. A técnica passa por deixar o opositor atordoado com as primeiras declarações, para depois recuar um pouco e ainda assim conseguir muito mais do que aquilo que conseguiria num processo linear de negociação. Nunca ninguém o viu incomodado por não concretizar nenhuma das suas declarações bombásticas. A paz em 24 horas, o inferno na terra se os reféns não forem entregues ou o encorajamento à invasão a países da Nato que não invistam o suficiente em defesa... são alguns exemplos, entre muitos outros. A atoarda é dita, é comentada de imediato, para logo depois ser abafada pelas declarações seguintes. Lançar o caos é uma forma de manter a iniciativa, deixando os restantes agentes em reacção permanente e desarticulando assim toda a oposição que se lhe possa ser feita. Antes de a poeira assentar, outra declaração é publicada e uma outra logo de seguida. Os demais agentes queimam os fusíveis com a sobrecarga e, à beira do colapso mental, ficam em ponto de caramelo para aceitar as novas condições, que lhe são simplesmente transmitidas. Putin é outro mestre desta forma de actuação.
Esta abordagem pode trazer-lhe vantagens nos seus objectivos no prazo deste mandato, que será o seu último, mas alimentarão uma profunda desconfiança perante os EUA, algo que não sendo novo noutras paragens do mundo, ganhará, e já está a ganhar, outra dimensão na Europa.
Quase a chegar ao terceiro ano de conflito de grande escala, a Rússia perdeu largas centenas de milhares de soldados, uma infindável quantidade de material militar, tem a sua economia em grande fragilidade, com elevadas taxas de juro e uma inflação de dois dígitos elevados. Está, como nunca esteve, dependente da China, a sua antiga rival. Por tudo isto, não terá condições de no futuro imediato se lançar noutra loucura bélica. O acordo que estará a ser definido nestes dias, terá de incluir garantias de segurança para a Ucrânia e não é viável contar com uma capacidade militar europeia dirigida a uma só voz. A natureza política deste grupo de estados não permite a existência de uma liderança que tome decisões da natureza militar, nomeadamente em termos operacionais. Nunca um chanceler alemão, um primeiro-ministro inglês ou o presidente francês teriam legitimidade política para decidir enviar uma unidade portuguesa, espanhola ou italiana para uma qualquer linha da frente. A solução que possa garantir uma paz duradoura na Europa passará pela inclusão da Polónia e/ou da Ucrânia no restrito clube nuclear, o que me parece um cenário aceitável e bastante razoável.