Coordenadora de projeto de canoagem para crianças e adolescentes PCDs é investigada por estelionato
Mães de alunos acusam a coordenadora de aplicar golpes que vão desde não devolver dinheiro emprestado até deixar de pagar por produtos. Ao g1, a investigada alega ser inocente. Coordenadora de projeto de canoagem havaiana para crianças e adolescentes PCDs é investigada Arquivo pessoal A Polícia Civil investiga a coordenadora de um projeto de canoagem havaiana voltado a crianças e adolescentes com deficiência em Santos, no litoral de São Paulo, pelo crime de estelionato. Mães de alunos alegam que ela pedia dinheiro em nome da iniciativa, mas não prestava contas ou devolvia as quantias. Ao g1, a mulher afirmou ser inocente (veja o posicionamento completo adiante). ✅ Clique aqui para seguir o novo canal do g1 Santos no WhatsApp. O projeto funciona no Posto 7 da cidade e já teve aproximadamente 120 alunos. Ao menos duas mães registraram boletins de ocorrência (BOs) contra a investigada. As acusações vão desde empréstimos em dinheiro, que nunca teriam sido devolvidos, até a falta de pagamento por semijoias. Nestes casos, a coordenadora também é acusada de cortar o contato após ser cobrada. Um dos boletins de ocorrência, registrado em dezembro de 2024 e obtido pelo g1, indica que o delegado responsável encontrou indícios do estelionato "de forma reiterada" nas atitudes da investigada, especialmente pelo fato do projeto nunca ter sido registrado. A coordenadora, que não terá a identidade divulgada, alegou que nunca houve dinheiro suficiente para registrar o projeto. Ela afirmou que resolverá na Justiça os empréstimos das mães dos alunos, mas ressaltou também ter recebido doações. Acusações A mãe de dois adolescentes diagnosticados com Síndrome do Espectro Autista (TEA), que não quis se identificar, afirmou que o projeto era gratuito, mas que a coordenadora pedia uma contribuição às mães para manter os equipamentos náuticos em uma guarderia. Além disso, ainda de acordo com o relato, a investigada pedia recursos diferentes, como pagamentos de corridas em aplicativos, por exemplo. Neste sentido, a mãe calculou ter sofrido um prejuízo de aproximadamente R$ 7 mil desde o início dos pedidos, em setembro de 2023. A mãe dos adolescentes relatou que, após começar a cobrar os valores da investigada, foi retirada do grupo de WhatsApp onde as responsáveis se comunicavam. Os filhos teriam sido desmatriculados. "Teve pedido de recursos dos mais variados, desde R$ 50 para pegar um Uber e R$ 600 para pagar o aluguel da filha que estava atrasado [...]. Você não imagina como ela pode aplicar esse tipo de golpe sendo que por trás ela tem contato com PCDs, entendeu?", disse a mulher. Outra mãe, que também preferiu não ser identificada, disse ter vendido semijoias para a investigada. A mulher, porém, nunca teria feito o pagamento de R$ 781 pelos produtos. A suposta vítima disse também ter sido excluída do grupo de WhatsApp após fazer a cobrança pelos itens. "Descobri todos os golpes que ela estava dando, que ela já tinha dado golpe em um monte de gente. E eu percebi que ela não ia pagar", acrescentou ela. Uma terceira mulher afirmou que, como rema há 12 anos, foi convidada para ir até Ilhabela (SP), onde aconteceria uma competição relacionada ao evento no final de 2024. Apesar de não ser mãe de aluno, ela teria emprestado dinheiro à investigada para a entrega de materiais, mas o valor não teria sido devolvido. “Me juntei num grupo com essas mães e a gente foi procurando mais um monte de caso. E tem mais um monte de mãe. Tem muita gente também que não faz o BO porque fica com medo dela, porque ela ameaça”, pontuou. O que diz a investigada? A coordenadora negou que tirava as mães do grupo do WhatsApp ou desmatriculava alunos. Segundo ela, os participantes só têm direito a três faltas justificadas e, por isso, perderam a vaga. Ela disse já ter processado duas mulheres que a acusaram de estelionato. A advogada Maria Priscila Martins, que representa a investigada, afirmou que a cliente é inocente e "uma pessoa idônea", que se propõe a executar o projeto com a maior dedicação, pensando única e exclusivamente no bem-estar das crianças atendidas. "Vamos apresentar todas as provas em juízo e, referente às pessoas que a estão acusando injustamente, serão também processadas e responsabilizadas pelos danos causados", finalizou. Investigação As mães ouvidas pela equipe de reportagem levaram pen drives contendo conversas de WhatsApp com a investigada até a delegacia de polícia. Em nota, a Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP-SP) informou que o caso é investigado por meio de inquérito policial instaurado pela 1°DIG - Deic de Santos, que realiza diligências visando ao devido esclarecimento dos fatos. VÍDEOS: g1 em 1 Minuto Santos


Mães de alunos acusam a coordenadora de aplicar golpes que vão desde não devolver dinheiro emprestado até deixar de pagar por produtos. Ao g1, a investigada alega ser inocente. Coordenadora de projeto de canoagem havaiana para crianças e adolescentes PCDs é investigada Arquivo pessoal A Polícia Civil investiga a coordenadora de um projeto de canoagem havaiana voltado a crianças e adolescentes com deficiência em Santos, no litoral de São Paulo, pelo crime de estelionato. Mães de alunos alegam que ela pedia dinheiro em nome da iniciativa, mas não prestava contas ou devolvia as quantias. Ao g1, a mulher afirmou ser inocente (veja o posicionamento completo adiante). ✅ Clique aqui para seguir o novo canal do g1 Santos no WhatsApp. O projeto funciona no Posto 7 da cidade e já teve aproximadamente 120 alunos. Ao menos duas mães registraram boletins de ocorrência (BOs) contra a investigada. As acusações vão desde empréstimos em dinheiro, que nunca teriam sido devolvidos, até a falta de pagamento por semijoias. Nestes casos, a coordenadora também é acusada de cortar o contato após ser cobrada. Um dos boletins de ocorrência, registrado em dezembro de 2024 e obtido pelo g1, indica que o delegado responsável encontrou indícios do estelionato "de forma reiterada" nas atitudes da investigada, especialmente pelo fato do projeto nunca ter sido registrado. A coordenadora, que não terá a identidade divulgada, alegou que nunca houve dinheiro suficiente para registrar o projeto. Ela afirmou que resolverá na Justiça os empréstimos das mães dos alunos, mas ressaltou também ter recebido doações. Acusações A mãe de dois adolescentes diagnosticados com Síndrome do Espectro Autista (TEA), que não quis se identificar, afirmou que o projeto era gratuito, mas que a coordenadora pedia uma contribuição às mães para manter os equipamentos náuticos em uma guarderia. Além disso, ainda de acordo com o relato, a investigada pedia recursos diferentes, como pagamentos de corridas em aplicativos, por exemplo. Neste sentido, a mãe calculou ter sofrido um prejuízo de aproximadamente R$ 7 mil desde o início dos pedidos, em setembro de 2023. A mãe dos adolescentes relatou que, após começar a cobrar os valores da investigada, foi retirada do grupo de WhatsApp onde as responsáveis se comunicavam. Os filhos teriam sido desmatriculados. "Teve pedido de recursos dos mais variados, desde R$ 50 para pegar um Uber e R$ 600 para pagar o aluguel da filha que estava atrasado [...]. Você não imagina como ela pode aplicar esse tipo de golpe sendo que por trás ela tem contato com PCDs, entendeu?", disse a mulher. Outra mãe, que também preferiu não ser identificada, disse ter vendido semijoias para a investigada. A mulher, porém, nunca teria feito o pagamento de R$ 781 pelos produtos. A suposta vítima disse também ter sido excluída do grupo de WhatsApp após fazer a cobrança pelos itens. "Descobri todos os golpes que ela estava dando, que ela já tinha dado golpe em um monte de gente. E eu percebi que ela não ia pagar", acrescentou ela. Uma terceira mulher afirmou que, como rema há 12 anos, foi convidada para ir até Ilhabela (SP), onde aconteceria uma competição relacionada ao evento no final de 2024. Apesar de não ser mãe de aluno, ela teria emprestado dinheiro à investigada para a entrega de materiais, mas o valor não teria sido devolvido. “Me juntei num grupo com essas mães e a gente foi procurando mais um monte de caso. E tem mais um monte de mãe. Tem muita gente também que não faz o BO porque fica com medo dela, porque ela ameaça”, pontuou. O que diz a investigada? A coordenadora negou que tirava as mães do grupo do WhatsApp ou desmatriculava alunos. Segundo ela, os participantes só têm direito a três faltas justificadas e, por isso, perderam a vaga. Ela disse já ter processado duas mulheres que a acusaram de estelionato. A advogada Maria Priscila Martins, que representa a investigada, afirmou que a cliente é inocente e "uma pessoa idônea", que se propõe a executar o projeto com a maior dedicação, pensando única e exclusivamente no bem-estar das crianças atendidas. "Vamos apresentar todas as provas em juízo e, referente às pessoas que a estão acusando injustamente, serão também processadas e responsabilizadas pelos danos causados", finalizou. Investigação As mães ouvidas pela equipe de reportagem levaram pen drives contendo conversas de WhatsApp com a investigada até a delegacia de polícia. Em nota, a Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP-SP) informou que o caso é investigado por meio de inquérito policial instaurado pela 1°DIG - Deic de Santos, que realiza diligências visando ao devido esclarecimento dos fatos. VÍDEOS: g1 em 1 Minuto Santos