Roy Ayers, pioneiro do jazz-funk, morre aos 84 anos

Vibrafonista influenciou a soul music e o hip hop, deixando um legado que atravessa gerações

Mar 7, 2025 - 02:06
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Roy Ayers, pioneiro do jazz-funk, morre aos 84 anos

Morte e impacto na música

Roy Ayers morreu nesta terça-feira (5/3) aos 84 anos em Nova York. A família anunciou a morte do músico nas redes sociais, informando que ele enfrentava uma longa doença. A causa exata do falecimento não foi divulgada.

Conhecido como “Padrinho do Neo-Soul”, Ayers se destacou no jazz-funk e na soul music dos anos 1970, tornando-se um dos artistas mais sampleados da história do hip hop. Seu maior sucesso, “Everybody Loves the Sunshine”, lançado em 1976 com a banda Roy Ayers Ubiquity, ultrapassa 130 milhões de reproduções no Spotify e já foi regravado por artistas como D’Angelo, Jamie Cullum e Robert Glasper.

Trajetória e formação musical

Nascido em Los Angeles em 1940, Ayers cresceu em um ambiente musical. Seu pai, Roy Sr., tocava trombone, enquanto sua mãe, Ruby, era professora de piano. Aos cinco anos, assistiu a uma apresentação da Lionel Hampton Big Band e decidiu se dedicar ao vibrafone.

Ele iniciou sua carreira nos anos 1960, estudando teoria musical no Los Angeles City College e tocando com o saxofonista Curtis Amy. Em 1963, lançou seu primeiro álbum, “West Coast Vibes”, pelo selo United Artists. Nos anos seguintes, trabalhou com o flautista Herbie Mann e gravou discos como “Virgo Vibes” (1967) e “Stoned Soul Picnic” (1968).

Inovação e influência no jazz-funk

Ayers revolucionou o som do vibrafone, afastando-se do jazz tradicional para criar atmosferas mais suaves e envolventes. Em 1973, compôs a trilha sonora do filme blaxploitation “Coffy”, estrelado por Pam Grier, e consolidou sua sonoridade ao fundar a banda Roy Ayers Ubiquity.

Com álbuns como “Vibrations” (1976) e “Lifeline” (1977), ele influenciou gerações e se tornou referência para o hip hop. Suas composições e os discos que produziu foram sampleados por décadas, fornecendo um tom melódico a hits como “My Life” de Mary J. Blige, “Bonita Applebum” de A Tribe Called Quest e “Get Money” de Junior M.A.F.I.A.

Colaborações e legado

Além do jazz e do funk, Ayers teve forte conexão com a música africana. Nos anos 1970, colaborou com Fela Kuti, um dos criadores do afrobeat, e manteve essa influência em seus trabalhos posteriores.

Seu último álbum solo, “Mahogany Vibe”, foi lançado em 2004, com participações de Betty Wright, Kamilah e Erykah Badu. Em 2015, contribuiu para a faixa “Find Your Wings”, do rapper Tyler, the Creator, e em 2020 lançou “Roy Ayers JID002”, projeto colaborativo com Adrian Younge e Ali Shaheed Muhammad, reafirmando sua relevância para novas gerações de músicos.