A denúncia de Bolsonaro e os plano de guerra de Trump
Nesta semana, o programa contou novamente com a participação da repórter do Washington Post Marina Dias, substituindo Ana Clara Costa durante as férias. Ela e os apresentadores Fernando Barros e Silva e Celso Rocha de Barros mencionam leituras importantes em suas análises sobre a política americana e nacional. Confira: The post A denúncia de Bolsonaro e os plano de guerra de Trump first appeared on revista piauí.

Nesta semana, o programa contou novamente com a participação da repórter do Washington Post Marina Dias, substituindo Ana Clara Costa durante as férias. Ela e os apresentadores Fernando Barros e Silva e Celso Rocha de Barros mencionam leituras importantes em suas análises sobre a política americana e nacional. Confira:
Conteúdos citados neste episódio:
Episódio do Foro de Teresina em que Marina Dias conta sobre a violência que sofreu dos bolsonaristas no 8 de janeiro.
Reportagem de Daniela Lima, no G1, sobre o relato didático dos ministros do STF no acolhimento da denúncia a Bolsonaro.
Reportagem de Jeffrey Goldberg, na The Atlantic, sobre a sua inclusão no grupo do Signal em que o alto escalão do governo Americano discutia planos de atacar o Iêmen.
TRANSCRIÇÃO DE ÁUDIO:
Sonora: Rádio Piauí.
Fernando de Barros e Silva: Olá, sejam muito bem vindos ao Foro de Teresina, o podcast de política da revista Piauí.
Sonora: Assim sendo, proclama o resultado. A turma, por unanimidade, recebeu a denúncia oferecida pela Procuradoria-Geral da República.
Fernando de Barros e Silva: Eu, Fernando de Barros e Silva, da minha casa em São Paulo, tenho a alegria de conversar com meu amigo Celso Rocha de Barros, no Estúdio Rastro, no Rio de Janeiro. Diga lá, casca de bala.
Celso Rocha de Barros: Fala aí, Fernando! Estamos aí mais uma sexta feira.
Sonora: Porque o João Hélio, 32, eu usei na campanha e durante meu mandato. A verdade dói, mas o povo entendeu que a verdade é necessária.
Fernando de Barros e Silva: E com a minha amiga Marina Dias, repórter do jornal Washington Post, que está nos estúdios em Brasília, bem vinda, Marina!
Marina Dias: Oi, Fernando! Oi, Celso! Oi, gente!
Sonora: The who is now classifieds information is on the use up that the people use let the people in government. Use a lot of people in the media use.
Fernando de Barros e Silva: Ana Clara segue de férias. Em abril estará de volta com a gente.
Vamos então, sem mais delongas aos assuntos da semana.
Jair Bolsonaro agora é réu na quarta feira, depois de dois dias de sessões. A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal decidiu, de forma unânime, transformar o ex-presidente e outros sete aliados em réus por tentativa de golpe de Estado. O grupo é acusado de integrar o núcleo central da organização criminosa que tentou abolir à força o Estado Democrático de Direito após as eleições de 2022. São eles, além do ex-presidente, os generais Braga Neto, Augusto Heleno e Paulo Sérgio Nogueira, o ex-comandante da Marinha Almir Garnier, o ex-diretor da Abin Alexandre Ramagem, o ex-ministro da Justiça Anderson Torres e o ex ajudante de ordens Mauro Cid. Uma turma da pesada. Todos responderão também por dano qualificado ao patrimônio da União e destruição de bem tombado. Essa é apenas a primeira das cinco peças apresentadas pela Procuradoria-Geral da República, que dividiu os 34 acusados em núcleos para dar agilidade ao processo. Embora a decisão da primeira turma tenha sido unânime, o ministro Luiz Fux divergiu dos colegas em relação à tipificação dos crimes e a dosimetria das penas a serem aplicadas. Para isso, Fux evocou o caso da mulher que pichou a estátua em frente ao Supremo e foi condenada à pena de 14 anos. Debaixo da toga do juiz, também bate um coração, disse Fux, no momento kitsch da semana. A Marina vai nos dar detalhes da votação, que contou com a presença do próprio Jair no primeiro dia. E o Celso vai comentar cada voto da decisão que colocou o primeiro lote de investigados no banco dos réus e pavimentou o caminho para as condenações que devem ser definidas antes de 2026. No segundo bloco, a gente segue com o mesmo assunto, analisando os desdobramentos políticos da decisão do Supremo. A reação dos governadores ligados a Bolsonaro indica que cada um seguirá um caminho, um pouco como a defesa dos acusados está fazendo. Tarcísio de Freitas, mais uma vez, fez questão de manifestar seu apoio a Jair, “o maior líder político do Brasil”, segundo ele. “Um líder que provará sua inocência”. O próprio Bolsonaro foi às redes sociais e usou o microfone para acusar o Supremo, repetir velhas teses conspiratórias e se vitimizar mais uma vez. No terceiro bloco, a gente vai falar do inacreditável episódio da assustadora imprevidência do alto escalão da segurança nacional norte-americana, que incluiu o editor-chefe da revista The Atlantic, Jeffrey Goldberg, num grupo de mensagens onde eram discutidos os preparativos militares para atacar alvos no Iêmen. Na lista de integrantes da conversa, tinham nomes como o vice presidente JD. Vance, o secretário de Defesa e o diretor da CIA. O erro virou um escândalo global e pode ter consequências para a política externa norte americana. No lugar de dar explicações. Trump atacou a imprensa e desqualificou o jornalista. De quebra, voltou a dizer que vai anexar a Groelândia. Já nem é possível saber o que é manobra diversionista e o que é manobra militar na fala desse presidente assustador. É isso vem com a gente.
Muito bem, Marina Dias, vamos começar com você. Não foi uma semana qualquer. Tem muito assunto no Supremo. Vamos começar reconstituindo os dois dias de decisão, os debates, as discussões, o comportamento dos ministros, os comportamentos dos advogados de defesa.
Marina Dias: Queria primeiro fazer uma nota rápida, Fernando e Celso sobre o contorno histórico desse julgamento, porque é a primeira vez na história do Brasil, um país que tem uma democracia jovem de 40 anos, que um ex-presidente está sendo julgado por liderar uma organização criminosa para tentar dar um golpe de Estado e permanecer no poder. Esse é um fato sem precedentes no nosso país, gente. Então esses dois dias foram de julgamento histórico sim, no Supremo, porque colocaram um ex-presidente e militares no banco dos réus por tentativa de golpe pela primeira vez.
Fernando de Barros e Silva: Muito bom, você uma moça otimista, porque falando da nossa democracia jovem. E eu já lembrei do Levi-Strauss aqui falando que o Brasil, os países do Novo Mundo, as cidades do Novo Mundo, ele fala, né Celso? Passam da juventude a decrepitude, sem conhecer a idade madura. Eu temo que a gente esteja um pouco nessa trajetória, mas vamos lá. Democracia jovem. Foi histórico. Você tem toda razão. Desculpa.
Marina Dias: Imagina. Vamos lá para o que rolou. A primeira turma do Supremo, formada por cinco ministros, tinha a missão de aceitar ou não a denúncia da Procuradoria-Geral da República contra o Bolsonaro e outras sete pessoas que, na avaliação do procurador geral, formavam esse núcleo central da trama golpista. Nesse primeiro momento, então, os ministros decidiriam se a denúncia tinha indícios e materialidade suficientes para fazer com que os denunciados virassem réus. E o que isso significa? Gente, que ninguém estava definindo o culpado ou inocente. Bolsonaro preso amanhã? Não era isso. Era uma decisão sobre a denúncia ser contundente o suficiente para que haja um julgamento de fato. E foi isso que aconteceu. O Bolsonaro e os outros sete viraram réus e agora vão encarar um julgamento propriamente dito. E aí acontece como nos filmes, gente, testemunha, provas, acusação, defesa e aí sim, vem o veredito. E o cálculo dos ministros do Supremo é que esse julgamento leve de 7 a 8 meses, então, nessa conta, terminaria até dezembro desse ano. Tem gente dizendo que por Alexandre de Moraes estar com ritmo mais célere, isso poderia acabar ali em outubro… Mas enfim, com os ministros que eu falei, a conta é até dezembro, até o fim desse ano. E aí eu queria destacar, gente, dois pontos que me chamaram atenção no primeiro dia da análise da denúncia. Começando pelo didatismo dos ministros, não só na hora de responder aos questionamentos das defesas, mas também como na hora que eles foram rebater outras narrativas que a direita e a extrema direita tentam colar no STF, como a ideia de que eles estão prendendo velhinhas com Bíblia debaixo do braço. E aqui eu cito a Daniela Lima, jornalista e apresentadora da GloboNews, que logo nos primeiros momentos do julgamento já notou o que ela chamou de abandono do juridiquês dos ministros. E ela publicou um texto sobre isso no blog dela, no G1. Mas por que isso, gente? Por que esse didatismo? Porque os ministros entenderam que ali também era hora de uma guerra de comunicação. A mensagem, os cortes para as redes sociais, isso tudo está na conta dos dias de hoje e os ministros sabem disso. O ministro Alexandre de Moraes sabe disso. E aí ele resolveu usar audiovisual, uma ferramenta que não é tão comum nas sessões do Supremo, para ilustrar muito do que ele disse. Ele apresentou, por exemplo, um gráfico mostrando que a esmagadora maioria dos condenados por 8 de janeiro tem menos de 59 anos. Então não são velhinhas. 59 anos ainda não são consideradas velhinhas.
Fernando de Barros e Silva: Ele recuperou esses recursos visuais que tinham sido desmoralizados pelo Dallagnol com aquele PowerPoint lá.
Celso Rocha de Barros: Pois é.
Fernando de Barros e Silva: Dallagnol tinha desmoralizado essas apresentações. PowerPoint do Dallagnol entrou para a história.
Marina Dias: E ele mostrou também em imagens, quantas vezes cada defesa acessou as provas do processo, porque as defesas dizem que tiveram acesso limitado às provas. Esse é um dos questionamentos da Defesa. Mas os ministros explicaram que, nessa fase, o acesso é ao que é objeto da denúncia. A partir de agora sim, as defesas vão ter acesso a tudo. E falando em defesa, o outro ponto que eu quero destacar é que nenhuma defesa, nenhum advogado negou a existência de uma trama golpista. Ninguém negou que havia um plano para dar um golpe de Estado para que o Bolsonaro permanecesse no poder. Cada advogado só tentou dizer que o seu próprio cliente não fazia parte desse plano. Então foi um roteiro de defesa bastante cada um por si, que é bem o estilão do Bolsonaro, né gente? O Bolsonaro quer salvar a si mesmo e a família dele, o resto ele deixa pelo caminho se for preciso. E quem diz isso são pessoas que o conhecem muito bem. E só para terminar e passar a bola para o Celso, eu queria abordar dois pontos principais debatidos nesse primeiro dia de julgamento, porque esse primeiro dia eram questões levantadas pela defesa que os ministros precisavam resolver antes de iniciarem os votos de fato sobre a aceitação ou não da denúncia. Então, primeiro as defesas queriam mudar o foro de análise da ação penal. Migrar o julgamento da Primeira Turma do Supremo com cinco ministros para o plenário do Supremo, com 11 ministros e aí dois deles indicados pelo Bolsonaro. Mas nesse caso, a resposta da maioria dos ministros foi simples porque em 2023, gente, o Supremo decidiu que as ações penais seriam julgadas pelas turmas. Então era assim o Regimento interno do Supremo era assim, ponto final. E aí o segundo ponto, e essa discussão foi mais quente mesmo, era sobre anular a delação do Mauro Cid, o ajudante de ordem do Bolsonaro, que sabia de tudo, tinha acesso a tudo e que se tornou um importante fio condutor aí da acusação. Os advogados do Bolsonaro e do Braga Neto, dizem que a delação do Cid tem muitas controvérsias, muitos vai e vem… E citam quando ele vazou um áudio para a revista Veja dizendo que ele estava sendo pressionado pela PF a falar, então ele estava indicando que a delação dele estava sendo direcionada e isso quebraria o acordo de delação premiada, segundo os advogados. Mas esse argumento foi rejeitado pela maioria dos ministros, que não concordou em anular a delação. Apesar disso, a gente teve o ministro Luiz Fux abrindo uma divergência, dizendo que via a delação do Cid com ressalvas, mas que ali não era o momento de anular a delação. Mas ele abria espaço para discutir isso mais para frente. Esse foi o resumo do primeiro dia. Depois eles tiraram as pendências da frente e foram para o dia dois.
Fernando de Barros e Silva: O Fux também abriu divergência em relação a clareza. Ele não é propriamente o rei da retórica e ele abusa do latinório, ao contrário dos outros. Bom, mas vou deixar o Celso falar um pouco mal do Fux. O ministro kitsch, Celso, que embaixo da toga bate um coração.
Celso Rocha de Barros: Viu rapaz? Parece o Wando…
Fernando de Barros e Silva: É o Wando do Supremo. É isso mesmo.
Celso Rocha de Barros: Vocês viram que eu tentei me segurar aqui hoje…
Fernando de Barros e Silva: Vamos lá!
Celso Rocha de Barros: Então Fernando, esse agora ainda não é o julgamento do mérito, né? Que os ministros do STF vão decidir se o Bolsonaro é culpado? O julgamento do mérito, como disse a Marina, deve ficar para o final do ano. E já vou avisando que se perto do Natal o Bolsonaro for preso, ninguém me segura. Eu vou beber 15 dias, vou vir gravar o Foro bêbado. Não faço mais promessa nenhuma para ninguém. Mas bom, nessa fase atual, o tribunal só julga se há indícios mínimos que justificam a aceitação da denúncia. Bom, o governo Bolsonaro foi um flagrante de quatro anos do crime de tentativa de abolição do Estado de Direito. Qualquer dia, entre o 1 de janeiro de 2019 ou 31 de dezembro de 2022, em que só tenham aparecido indícios mínimos de plano golpista foi um dia bom. Era um daqueles dias em que aparecia editorial dizendo que Bolsonaro moderou o discurso. Sabe? Ele aprendeu e agora vai jogar dentro das regras do jogo.
Fernando de Barros e Silva: Exato. Cada semana tinha um desse. Daí, decidia voltar. Recaída.
Celso Rocha de Barros: Muito raramente os indícios eram mínimos, entendeu? Em geral, os indícios eram máximos. No julgamento de ontem, o Alexandre de Moraes aproveitou. Como disse a Marina, ele fez uma fala muito direcionada ao grande público mesmo. E o que ele queria fazer mesmo era rebater esses memes aí que os bolsonaristas estão soltando em rede social. Então, esse papo furado de que uma pessoa foi condenado só por escrever com batom na estátua, enfim, essas coisas que é tudo mentira. Ele fez uma apresentação bastante didática sobre isso e, na minha opinião, fez muito bem em mostrar o vídeo. Você vê que ele fez bem porque os vários advogados ficaram desesperados com aquilo. Os advogados das defesas acharam terrível para eles mostrar o vídeo do 8 de janeiro. E se a defesa está preocupada demais com o registro em vídeo dos acontecimentos, você já vê que a situação do réu não é boa. O vídeo que o Moraes mostrou foi muito pedagógico para justamente acabar com essa historinha das mocinhas de batom e as velhinhas com a Bíblia, né? A violência que os golpistas fizeram não só foi muito brutal no dia do 8 de janeiro e aliás, antes disso, você teve aquela violência toda em Brasília, perto da diplomação do Lula. Você teve um plano para botar a bomba no aeroporto de Brasília na véspera de Natal…
Fernando de Barros e Silva: Sim, chegou a ser posta uma bomba embaixo do carro.
Celso Rocha de Barros: Foi posta. A polícia pegou antes de explodir. Um dos caras que botou a bomba era ex-assessor da Damares e o cara conseguiu o detonador da bomba num daqueles acampamentos em frente ao quartel. Agora diz aí para mim quem é que tem detonador de bomba para passar para o cara? Nada me tira da cabeça que algum militar passou isso para ele. Eu tenho direito de ter essa suspeita. O negócio foi muito violento e o que é bom lembrar, e isso ficou muito claro no voto do Flávio Dino, é que o plano era violências muito maiores. Se o golpe tivesse dado certo, o plano dos caras era primeiro anular o voto da imensa maioria de pobres brasileiros que derrotou o Bolsonaro na eleição. Eles basicamente vão fazer com que esses votos todos, essas dezenas de milhões de votos de brasileiros muito pobres, muitos deles gente que teve que ir a pé votar porque o Anderson Torres botou bloqueio na estrada para não deixar os eleitores do Lula chegar na urna. Esses votos, as donas de batom e as senhoras de bíblia lá do Rio de Janeiro queriam cancelar, queriam roubar o direito de voto dessas pessoas todas. E a outra coisa que elas queriam fazer é convencer os militares a matar gente. O 8 de janeiro foi um apelo, uma manifestação para convencer os militares a matar os vencedores da eleição que o Bolsonaro perdeu, a matar as autoridades que evitaram que o Bolsonaro tivesse conseguido dar um golpe até aquele momento e a matar qualquer pessoa que se opusesse ao golpe. Eu digo isso sabendo que tinha uma chance bem razoável de eu morrer nessa história. Então, assim, quando uma pessoa vem para me dizer assim “isso aí é uma meia dúzia de maluquinhos ali pichando parede”. Não sei não, meu amigo, a palavra de ordem dos caras era militares, matem gente, matem gente por suas posições políticas, matem gente, porque eles ganharam da gente a eleição. A violência que aconteceu no 8 de janeiro foi brutal, mas a violência que os caras estavam planejando, o objetivo deles era incomparavelmente maior. Era 20 anos de violência, entendeu? E aí eu acho que o Flávio Dino foi muito feliz em citar o exemplo do Ainda estou aqui o filme para lembrar o assassinato do Rubens Paiva. Ditadura é aquilo ali, meu amigo. De vez em quando aparece. Acho um cara que diz assim não, Eu apoiei o golpe 64, mas eu não sabia que ia ter tortura. Pô, cara, você achou que ia ter o quê? Cara, qual parte de golpe militar você não entendeu? Era isso que essas pessoas estavam pedindo lá no 8 de janeiro. Estavam pedindo para que os militares fossem matar os adversários dele. A Cármen Lúcia fez um voto muito bom. Eu achei o melhor deles. Achei feliz em começar citando o livro da historiadora Heloísa Starling, A máquina do Golpe, sobre o golpe de 64. Não foi só uma demonstração de erudição da ministra. A citação cabe bastante bem, porque justamente uma das teses da Heloísa Starling é que o golpe de 64 não começou ali dias antes do golpe, nem acabou depois. O golpe de Estado foi um processo muito longo. Houve várias tentativas de golpe ao longo dos anos 50. A gente teve aquele golpe do parlamentarismo para não deixar o Jango tomar posse.
Fernando de Barros e Silva: Depois que o Jânio Quadros renunciou, né?
Celso Rocha de Barros: Exatamente.
Fernando de Barros e Silva: Nem a gente era nascido, imagina nossos ouvintes.
Celso Rocha de Barros: E teve todo um trabalho junto a opinião pública dos golpistas. Teve todo um trabalho de costura diplomática dos golpistas junto com os Estados Unidos e outros países. Teve todo um trabalho de conspiração dentro do Exército, que foi longo e que inclusive nem estava perfeitamente completo até o dia do golpe. Essa citação é muito oportuna justamente para deixar claro que o cara que estava conspirando para o golpe de estado em setembro outubro de 2022 é parte do mesmo processo golpista que leva o 8 de janeiro. Mesmo se ele não estava lá no dia 8 de janeiro. Esse é o mesmo movimento golpista. Tem uns caras que, digamos, o Bolsonaro não estava lá no dia 8 de janeiro. Cara, ele não estava lá porque era um covarde que não tem coragem física, mas assim, ele é o mentor intelectual daquilo. O golpe é para colocar ele no poder. Assim, usava esse argumento de fraude eleitoral… Tem um monte de gente que levanta a tese do golpe dentro do golpe, que os militares vão dar o golpe sem o Bolsonaro. Mas isso não ia funcionar porque o argumento para o golpe é que a eleição foi roubada. Então, não faz sentido você virar o jogo porque a eleição foi roubada e não botar o cara que você está mentindo, que ganhou a eleição legitimamente. Eu achei muito feliz a ideia da Carmen Lucia, a professora, estar nesse ponto. O Zanin fez um voto bastante curto, mas também teve um aspecto que eu achei importante, que foi lembrar que a delação do Mauro Cid é muito menos importante do que o Bolsonaro saiu dizendo no final do primeiro dia.
Fernando de Barros e Silva: Coisa que a gente já disse aqui.
Celso Rocha de Barros: A gente já disse aqui. As provas contra o Bolsonaro já estavam todas lá antes da delação do mal do Cid. Mauro Cid piora um pouco a vida do Braga Neto, mas a vida do Braga Neto já estava muito ruim, porque a Justiça já tinha o celular do Braga Neto com as mensagens dele conspirando abertamente, inclusive conspirando para derrubar o chefe do Exército, que não aceitou apoiar o golpe. Então, assim, não estava precisando de ninguém mais para pregar prego no caixão do Braga Neto não. Mas isso é importante para esclarecer, porque o Bolsonaro saiu no primeiro dia dizendo: “não, inventaram uma delação contra mim que é cascata”. Agora, o voto mais esquisito foi o do Luiz Fux. Foi um pouco confuso.
Fernando de Barros e Silva: Data vênia, data vênia, diga lá, Celso.
Celso Rocha de Barros: O Fux começou elogiando a síntese brilhante feita pelo Alexandre de Moraes, dizendo que não podemos jamais esquecer que houve um atentado contra a democracia. Maravilha. Tudo certo. Concordo com o Fux. Perfeito. Aí começa um raciocínio meio esquisito. Ele começa a dizer que em outros tempos, a tentativa de golpe jamais seria considerado equivalente ao golpe consumado. E aí ele não explicou: “Letra A”: Como é que o Estado de Direito julgaria qualquer coisa depois que o crime de extinção do Estado de Direito fosse consumado. E letra B: por que diabos essa menção a um passado não especificado teria qualquer relevância para o caso presente? Por que que seria importante, que teve uma época que isso não seria considerado assim? Num certo momento, ele chegou a dizer uma frase que eu achei bem esquisita que existe a tentativa do crime consumado de tentar. Existem atos preparatórios do crime consumado de tentar. Pausa para o ouvinte processar essa frase.
Fernando de Barros e Silva: Mas essa nem o Merval Pereira, hein?
Celso Rocha de Barros: Pô, cara.. O cara é da ABL. O que me dá a impressão que nos próximos momentos do julgamento, o Fux pode tentar emplacar um argumento de que o Jair ou algum outro acusado não tentou. Só tentou tentar ou se viu tentado a tentar a tentativa ou alguma outra coisa esquisita desse tipo, o que obviamente não faz o menor sentido. E eu espero sinceramente, eu confio que nenhum ministro do STF vai me vir com uma história dessas, mas a formulação do Fux no voto dele foi confusa e deu margem um pouco a essa ideia. Eu imagino que alguns dos acusados tenham ficado meio com esperança de tentar emplacar um negócio. Não, não, não foi bem tentativa. Foi o início da tentativa. A tentativa só é tentativa mesmo a partir de certo ponto… Que aí, obviamente, imagina se esse princípio fosse aplicado aos outros crimes, ao crime de tentativa de assassinato. Entendeu? Não, não. O cara só apontou o revólver. Começou a puxar o gatilho quando impediram ele… Pô, ele não tinha nem puxado o gatilho ainda, entendeu? Enfim, o Fux também reforçou a ideia de que ele pretende rever a dosimetria de algumas penas, como a daquela maluca do batom, mas não esclareceu como isso seria feito. A gente já falou aqui as penas são estabelecidas por lei, não pelos juízes. Como é que ele faria para tentar mexer nessa dosimetria? É meio complicado, porque dá a impressão de que ele quer mudar o enquadramento desses réus. Dizer que, na verdade, os crimes a que eles foram condenados é diferente. Eu acho que isso pode abrir margem para dar uma certa confusão quando você for julgar os comandantes. Eu acho que a gente teria que ter muita cautela com isso. Eu já disse aqui, se for o caso de abreviar a pena dos soldados rasos para meter na cadeia para o resto da vida ss comandantes, eu topo. Para mim, não tem problema. Agora, só não pode fazer isso de uma maneira que você, por um segundo que seja, coloque em risco a perspectiva de botar os comandantes na cadeia para o resto da vida. De modo que assim, o voto do Fux deixou a desejar. Assim, a gente tem que ter esperança que nos próximos momentos do processo, ele apresente os argumentos de maneira mais consistente.
Fernando de Barros e Silva: Não tenha esperança porque a emenda é pior que o soneto. O soneto já é ruim. Soneto em latim.
Celso Rocha de Barros: E aí, vale lembrar que a gente começou dizendo isso, que o Fux terminou dizendo que embaixo da toga bate um coração, que eu imagino que seja verdade. Mas isso não invalida o fato que os acusados queriam fazer com que o coração, embaixo de várias daquelas togas, parasse de bater abruptamente. Eu espero que todos os ministros lembrem que entre as primeiras pessoas que teriam sido assassinadas se aquele negócio tivesse dado certo, tava uns 11, inclusive.
Fernando de Barros e Silva: Inclusive, desculpa fazer um parênteses aqui… A Marina Dias estava lá no 8 de janeiro e foi ameaçada e chegou a ser agredida por bolsonaristas. Você fez o relato aqui no programa, inclusive.
Marina Dias: Sim, Fernando, foi minha primeira participação no Foro. A primeira vez que eu contei sobre o que tinha acontecido, foi no Foro. Sim, eles me cercaram e me agrediram com tapa, chute. Quebraram meus óculos, puxaram meu cabelo, me derrubaram no chão. Eu tive a sensação que algo de pior mesmo ia acontecer ali, porque aquelas pessoas estavam em manada me agredindo no dia 8 de janeiro. Então eu posso garantir, porque eu estava in loco, que não foi um passeio no parque.
Fernando de Barros e Silva: Exato. Exato. Achei importante a gente relembrar isso. Vamos então encerrando o primeiro bloco do programa por aqui. A gente vai continuar com esse assunto, falando das implicações políticas do acolhimento da denúncia pela primeira turma do Supremo. Já voltamos.
Fernando de Barros e Silva: Muito bem, estamos de volta. Celso, vamos com você. Podemos começar talvez, pela participação do Bolsonaro lá no primeiro dia. O que ele falou depois.
Celso Rocha de Barros: Então, Fernando Bolsonaro compareceu ao primeiro dia de julgamento. Eu não entendi exatamente porque, porque aparentemente a ideia que eles tentaram passar é que era uma demonstração de coragem do Bolsonaro ir lá encarar os seus acusadores. Assim, particularmente, eu acho que para ser uma demonstração de coragem o cara tem que estar correndo algum risco. E eu não entendi que risco ele estaria correndo indo lá assistir pessoalmente essa sessão… A Cármen Lúcia ia dar uma voadora nele no meio da sessão? Não. Então assim, eu não sei que coragem exatamente o Bolsonaro demonstrou indo lá num dia só, porque aí, em outra demonstração de coragem característica, alguém falou para ele a informação errada de que ele corria o risco de sair com tornozeleira eletrônica… No segundo dia, ele já não foi.
Fernando de Barros e Silva: Exato. Ele faz essas imagens, Mari, agora eu só fico imaginando a Carmem Lúcia dando uma voadora no Bolsonaro. Não consigo tirar da cabeça.
Celso Rocha de Barros: Pô, seria o maior barato. Eu já gostei do voto dela. Imagina se ela tivesse tido uma… De modo que, os bolsonaristas tentaram vender essa história, Aí, outro sujeito que tá super bem de demonstração de coragem, o Eduardo Bolsonaro, que fugiu para os Estados Unidos, também foi no falecido Twitter dizer “olha lá a coragem do meu pai de encarar os seus acusadores”. Isso o cara fugiu… O cara largou o mandato dele aqui. O povo de São Paulo que votou nele se ferrou, quer dizer, não sei se ferrou, mas enfim. Mas ele tá lá fugido e tá lá falando da demonstração de coragem do pai dele. Tal, tal, tal. Sendo que enquanto eles estão lá tentando encenar essa demonstração de coragem, o principal argumento da defesa do Bolsonaro é que ele é um covarde que fugiu na hora H, entendeu? Que ele não teve coragem de comparecer ao próprio golpe. Toda essa esse enredo aí da demonstração de coragem do Bolsonaro. Eu sinceramente não sei se vai colar muito fora da bolha dos caras mais malucos não. Aliás, eu acho que esse pessoal, como a Débora do batom aí, eu acho que eles tinham que cobrar é o Bolsonaro, cara, que mandou eles para esse troço e foi para a Disney. O Bolsonaro, o Bananinha, que foi para a Copa, lembra? Durante o golpe. Que beleza… Esses caras que eu acho que esse pessoal do 8 de janeiro já tá cobrando, falando assim: “como assim? Vocês mandam.. Vocês eram nossos comandantes…” Quer dizer. “E aí, na hora H, vocês dizem que foi a gente só que fez tudo errado? Pelo amor de Deus!” E na saída do julgamento, o Bolsonaro resolveu fazer um depoimento. E foi meio engraçado também, né? Porque ele começa claramente tentando seguir a orientação do advogado. Começa tentando falar um negócio mais, mais ponderado, mas ele só consegue se segurar por muito pouco tempo, entendeu? Assim, que eu achei até um negócio assim… Uma ilustração interessante do que foi o governo dele, sabe? Assim, quer dizer, assim, de vez em quando alguém, um Temer da vida, ia lá, falava “Jair, você tem que se segurar, sei que lá”. Ele ia lá, falava cinco minutos fazendo o personagem ali de estadista, mas ele não se aguentava, entendeu? Ele logo partiuapara ignorância, porque ele é aquilo ali. E aí foi um terror. Ele começou a dizer que não, não teve atos preparatórios porque teve a discussão lá com os militares sobre o negócio do estado de sítio, mas não teve, por exemplo, ele não convocou o Conselho de Estado, aqueles passos todos para…
Fernando de Barros e Silva: É uma conversa fiada.
Celso Rocha de Barros: Não é, gente? Olha, só o estado de sítio que está naquela minuta de golpe é um negócio completamente grotesco. Estado de sítio é assim, digamos, que tenha uma aparição de uma base da Al-Qaeda no território brasileiro… Aí você vai chegar e vai falar nesse pedaço de território que está em conflito, né? Tá tendo uma guerra aqui. As Forças Armadas vão assumir isso aqui, vão lá combater os caras. Ou então, por exemplo, se o Comando Vermelho assume o controle de todos os hospitais do Rio de Janeiro… Os caras armados… Você bota o Estado de sítio para ir lá combater esses caras armados, etc. O Estado de sítio que o Bolsonaro decretar era só na sede do Tribunal Superior Eleitoral para os caras assumirem o controle daquele microscópico pedaço do território brasileiro e reverter o resultado da eleição. Então, se você tratar isso como um Estado de sítio sério, como uma proposta de verdade, de decretação de Estado de sítio, é completamente grotesco. Inclusive, vale dizer, aquele cara que tentou um golpe de estado na Coreia do Sul, recentemente, e deu errado e o cara vai em cana. Ele também apresentou o golpe de estado dele como se fosse a implantação do Estado de sítio. Mas ninguém caiu. Todo mundo viu que aquilo era bizarramente fora de propósito e era uma tentativa de golpe de Estado. Os chefes militares lá não apoiaram ele e ele caiu. Essa ideia de que “não, ele estava discutindo um procedimento constitucional legítimo” e que, aliás, ele nem levou à frente. Isso é bizarro. Aquele Estado de sítio seria, evidentemente, um golpe de Estado, entendeu? Eu garanto para você que se você pegar as atas da Constituinte e ver as seções que os caras discutiram, a possibilidade de decretação de Estado de sítio, Estado de defesa, etc. Ninguém falou, mas vem cá, e se for na sede do TSE, entendeu? Não, ninguém nunca pensou nisso na história do constitucionalismo mundial. Mas o Jair resolveu falar. Eu só fiquei imaginando o coitado do advogado dele chorando no banheiro, enquanto ouvia o cliente dele confessar para todo mundo o crime que ele está sendo acusado naquele mesmo dia. E daí ele passou a voltar, deixar no ar que as eleições foram fraudadas, etc. Aliás, só por curiosidade, não sei se vocês viram a administração Trump essa semana tomou uma medida lá para mudar o sistema eleitoral americano e citou o Brasil como um exemplo de um sistema eleitoral que funciona etc. Então, não sei como é que isso caiu lá entre os bolsonaristas. Mas tudo bem.
Fernando de Barros e Silva: Até o Tarcísio defendeu o sistema eleitoral brasileiro. Divergiu do Bolsonaro nesse aspecto.
Celso Rocha de Barros: Pois é, exatamente. Mas o Jair saiu ali do tribunal e saiu chutando isso aí. Qualquer coisa. Olha, por um lado, fica claro que ele não tem uma estratégia muito boa de comunicação para esse caso. Agora, também não sei o que eu faria, entendeu? Porque o Bolsonaro é obviamente culpado e o Bolsonaro, obviamente vai ser condenado sim. Pode escapar para uma anistia no Congresso. Ele pode fugir, pode ter um negócio desse. Eu não sei bem que estratégia ele pode usar depois que o chefe do Exército e o chefe da Aeronáutica foram na polícia falaram “o Bolsonaro propôs para a gente um golpe de Estado”. Eu acho que aí acabou, Jair. Bom, agora ele vai tentar emplacar um novo ato na Paulista. E dessa vez, o Malafaia já falou que vai encher bastante. E eu acho que vai encher, porque eles sentiram o efeito político desastroso do fiasco na praia de Copacabana, que, como eu disse aqui, foi o público de como não lembro agora se era Flamengo, Sampaio Corrêa ou Flamengo e Maricá. E eles viram que isso teve um peso político grande, né? Esses aliados de direita, desde quando viram aquilo, já correram para o plano B para tentar montar seus planos B, planos C, etc. Então, eles precisam fazer um ato grande na Paulista e eu acho que aí vai entrar a máquina de gente do agronegócio que apoia os caras, que vai botar ônibus para vir gente do interior, vai ter prefeito bolsonarista botando o ônibus para vir, gente do interior de São Paulo. Eu acho que eles vão conseguir encher a Paulista.
Fernando de Barros e Silva: Máquina do Malafaia, das igrejas.
Celso Rocha de Barros: A máquina do Malafaia, exatamente. Agora, eu acho que nesse caso, um ato bastante grande para eles é só um empate. Eles não conseguem mais virar jogo nenhum com um ato grande. Eles só conseguem tentar estancar a sangria, porque realmente, se a paulista fracassar também. Aí todo mundo vai embora de vez. Evidentemente, a direita brasileira continua forte como nunca. O autoritarismo brasileiro sofreu um baque, mas tá longe de ter morrido. Agora, o Bolsonaro, em si, parece estar numa situação bastante ruim. Tá meio tomando porrada ali no córner, na luta de boxe. É com grande alegria que eu digo isso, inclusive. E parece… É uma questão de tempo até os aliados dele começarem a ir embora. Caso ele não consiga reverter isso com uma anistia no Congresso…
Fernando de Barros e Silva: Não vai.
Marina, vamos com você que a gente pode esperar daqui para frente, desse campo, desse arquipélago, da direita, à luz da provável, praticamente inevitável condenação do Bolsonaro.
Marina Dias: Fernando, o Bolsonaro sabe que vai perder juridicamente. Ele sabe que vai ser condenado até o fim do ano, se a linha do tempo do julgamento ficar mais ou menos dentro do que preveem hoje os ministros do Supremo. Mas o Bolsonaro quer permanecer na disputa política. Ele quer mostrar que a eleição presidencial do ano que vem vai passar por ele. Ele segue dizendo que é a opção A, B e C para disputar a eleição de 2026, lembrando que ele está inelegível até 2030. Então, qual é a disputa política que o Bolsonaro quer seguir alimentando? Tem a versão brasileira Herbert Richers, que inclui uma articulação no Congresso Brasileiro pela anistia dos golpistas de 8 de janeiro e a anistia a ele mesmo. E tem a versão gringa, a versão International, que é a tentativa de uma articulação internacional. E aí temos o Eduardo Bolsonaro, zero três, direto dos Estados Unidos, pressionando por sanções dos trumpistas e quem sabe até da Casa Branca. É o que ele quer. Sanções ao Supremo e ao ministro Alexandre de Moraes. Mas essa versão combativa, gente, ela não é unânime entre os aliados do Bolsonaro. Tem gente que acha que ele tem que aumentar a temperatura mesmo. E é por isso que ele vai lá no primeiro dia e assiste ao julgamento da primeira fileira. E tem gente que acha que ele precisa ficar mais de boa, que ele precisa baixar a temperatura. Então, talvez Celso, ele aparecer num dia e no outro não. Ele podia estar tentando agradar um pouquinho de cada um, cada lado, né? Aí, na coletiva, depois do julgamento também, ele começa a coletiva dizendo “Prazer em revê-los” aos jornalistas, “obrigado pela oportunidade”. Mas ele termina com uma reedição de ataques ao sistema eleitoral brasileiro, ao TSE e ao Alexandre de Moraes. O Bolsonaro, gente, nessa disputa política ele vai falar em perseguição, ditadura da esquerda no Brasil e que o objetivo do Supremo Tribunal Federal é impedir que ele seja candidato em 2026. Lembrando, de novo, que ele já está inelegível até 2030 por decisão do TSE. Esse discurso de perseguição é o que o Eduardo Bolsonaro tem usado para chamar a atenção dos trumpistas lá nos Estados Unidos. Até porque o Trump, ele mesmo usou desse discurso quando ele foi condenado por fraude. Ele dizia que a justiça e o establishment americano perseguiam ele. E agora presidente, oTrump segue travando uma cruzada com o judiciário americano. A gente falou disso no programa passado. Ele tem brigado e pedido impeachment de juízes que têm bloqueado alguns dos seus decretos, algumas das suas decisões, principalmente sobre imigração. Então, com o enfrentamento do Trump ao Judiciário nos Estados Unidos, o Bolsonaro vê como exemplo e possibilidade para ele também aqui no Brasil. Agora, se você vai conversar com os líderes do Centrão e eu fui, o acordo não é dito em público, mas ele existe e já está completamente roteirizado. O Bolsonaro pode fazer essa disputa política até a condenação dele pelo STF. Mas depois a direita quer organizar o coreto e lançar o candidato mais provável, que é o Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo. Para o Bolsonaro, o argumento é que somente a vitória da direita, ou seja, do Tarcísio, poderia dar uma anistia para ele. O Tarcísio teria que topar esse acordo e já deu todos os indícios que vai topar. Ele anda para cima e para baixo com o Bolsonaro fazendo as declarações de que o Bolsonaro é o grande líder da direita do Brasil. E assim vai. Então, é como se esse ano o Bolsonaro pudesse usar de todo o seu arsenal para essa disputa política. Mas ano que vem, é Tarcísio. E aqui eu acrescento, só para finalizar, que a ideia do Centrão tem simpatia de grande parte das elites e do mercado, dos investidores, que querem, inclusive, que esse julgamento termine o mais rápido possível para que o Tarcísio seja declarado o candidato oficial da direita.
Fernando de Barros e Silva: Sim, da Faria Lima, de parte do patronato, da mídia, de tudo. Tem toda razão. Achei muito bom você falar isso, porque tem o lado folclórico do comportamento do Bananinha e do próprio Bolsonaro, mas eu sempre tendo a achar que é mais pensado do que a gente imagina, a ida dele para lá é porque o mandato dele aqui não faz o menor sentido, não faz diferença e ir lá pode fazer. Ele está trabalhando para isso, para conspirar contra a democracia brasileira. É isso que ele está fazendo, conseguindo trumpismo para isso. E o Bolsonaro também, Celso, eu acho que ele descamba porque ele é ele. Acho que tem as duas coisas. Mas é um cálculo isso, falar para a bolha para não deixar o negócio morrer. E ele alimenta aquilo e vai continuar alimentando o tamanho desse negócio na Paulista vai ser inflado artificialmente, mas a gente vai ter algumas maneiras de medir a força ou não desse negócio. A ver. Bom, a gente encerra então o segundo bloco do programa por aqui e fazemos um rápido intervalo. Na volta, vamos falar da… como vou chamar? Inacreditável batatada envolvendo a segurança nacional norte americana. Já voltamos.
Muito bem, Estamos de volta.
Marina Dias esse bloco é seu. Nós vamos falar desse caso bizarro, para usar uma palavra que o Celso gosta bastante, de vazamento das mensagens que foram parar nas mãos do editor da Atlantic. Conta tudo que são essas mensagens… O que aconteceu? Acho que a gente pode começar didaticamente, porque nem todo mundo… Ainda mais numa semana em que o Supremo praticamente monopolizou as atenções do nosso público, eu acho. Vamos contar isso desde o começo.
Marina Dias: Vou falar como uma matraca, hein, gente?
Fernando de Barros e Silva: Queremos.
Marina Dias: Não, vamos lá. O jornalista Jeffrey Goldberg, que é editor chefe da revista The Atlantic, que é uma importante revista dos Estados Unidos. Ele publicou um relato impressionante no dia 24 de março, em que ele conta que o governo americano dividiu com ele informações confidenciais. Para ser mais precisa, informações de um plano de guerra no Iêmen. E como isso aconteceu, gente? Pasmem! O jornalista foi incluído, aparentemente por engano, em um grupo de mensagens do aplicativo Signal, que tinha o vice presidente dos Estados Unidos, o secretário de Defesa, o secretário de Estado, enfim, as mais altas autoridades do governo Trump estavam nesse chat discutindo o ataque no Iêmen. Esse aplicativo Signals, gente, só um parênteses, ele é um aplicativo de mensagem de texto como o ZAP, mas ele tem camadas mais robustas de proteção e criptografia, mas ele não é um canal autorizado pelo governo americano para discutir questões tão sensíveis e cruciais como essa. A história de como esse grupo foi criado e como o jornalista foi parar ali é um thriller que foi contado por ele de forma cronológica nesse texto publicado na The Atlantic, que eu vou narrar aqui algumas partes. Mas antes eu queria contextualizar para vocês. Gente, quem é o Jeffrey? Quem é esse jornalista? Ele é um jornalista especializado na cobertura de segurança nacional e de Oriente Médio. Ele já foi correspondente no Oriente Médio, inclusive pela New Yorker, que é outra revista americana muito prestigiosa. E ele é detestado pelo Trump porque foi ele quem revelou numa reportagem em 2020, que o Trump chamou soldados americanos que morreram na guerra de losers, de perdedores, fracassados. E em 2024 foi ele também quem escreveu uma reportagem que o Trump dizia que precisava de generais do tipo dos generais que Hitler tinha. Vocês lembram disso? Então ele não é uma pessoa que o Trump gosta, que o Trump iria incluir num chat de boa vontade. Mas, vamos a essa história surreal que aconteceu com o Jeffrey… No dia 11 de março, o conselheiro de Segurança Nacional dos Estados Unidos, o Michael Waltz, convidou ele, jornalista, para conversar no Signal. O jornalista não tinha certeza se era mesmo o Waltz. Achou que podia ser trote. “Oi, aqui é o hacker…” Enfim. Mas aceitou o convite e ficou esperando o que viria do outro lado. Mas nada. Silêncio. Dois dias depois, dia 13 de março, o jornalista foi adicionado a um grupo, junto com pessoas que tinham nomes ou iniciais dessas importantes autoridades americanas que começaram a debater planos de guerra de ataques a alvos no Iêmen. Ele ficou embasbacado e ele diz que ele correu para falar com os colegas da redação, achando que aquilo poderia ser parte de uma campanha de desinformação. Ele, jornalista, disse que não acreditava que os chefes da segurança nacional dos Estados Unidos estariam discutindo aquele tipo de ataque num chat do Signal. E aí ele só acreditou que era a verdade, ele conta, quando, de fato, o ataque aconteceu no dia 15 de março, ele estava num estacionamento de um supermercado e aí ele viu as notícias sobre o ataque. Então ele entrou no grupo e o pessoal estava lá comemorando o sucesso da operação, com parabéns, excelente trabalho e emojis de bandeiras americanas, foguinho e Punho fechado. E aí os especialistas e os ex-funcionários da CIA, ouvidos pela imprensa americana, dizem que o Signal tem uma proteção de criptografia avançada. É verdade, mas é um meio de comunicação inapropriado, para dizer o mínimo, na hora de debater planos de guerra. E aí eles enumeram duas razões. A primeira é que o aplicativo Signal, ele roda em iPhone e laptops que estão conectados à internet, ou seja, não são 100% seguros. Pode acontecer um ataque hacker. “Oi, aqui é o hacker”, em qualquer momento. E o aplicativo Signal também tem a opção “Apagar mensagens” depois de um tempo, você pode estipular depois de quanto tempo… E isso, gente, é um grande problema, porque de acordo com a lei americana, esse tipo de informação precisa ser mantida guardada de forma confidencial pelo governo americano. Não pode apenas desaparecer. E aí eu cito aqui o Ato de Espionagem da Constituição dos Estados Unidos, que diz que é crime compartilhar informações confidenciais e ultra secretas fora do que eles chamam de “local de custódia adequado”, que são aquelas salas de guerra, sala de situação, sala secreta que a gente vê nos filmes. É assim mesmo que funciona. Não é um chat do Signal, gente. E aí o governo americano admitiu que o grupo e a troca de mensagens eram verdadeiras e falou que ia investigar por que um número desconhecido, o número do jornalista, foi incluído nesse chat. Mas todo mundo envolvido no caso insiste que nada de confidencial foi tratado ali. E aí vem o pulo do gato. Na primeira publicação, o Jeffrey não divulgou o nome de um agente da CIA que tinha sido citado no grupo, afinal, agente secreto e ele também não tinha dado detalhes, como horários, tipo de arma usada, drone, localização também por entender que eram informações secretas. Mas a Casa Branca ficou dizendo que nada de secreto havia sido tratado ali. Então a revista decidiu o maior pesadelo de todos nós, divulgar os prints do grupo. E aí, nos prints, o secretário Nacional de Defesa tá avisando duas horas antes que os Estados Unidos atacariam o Iêmen e deu detalhes de local, hora da ofensiva, tipo de arma usada, enfim, todas essas informações confidenciais. Você, Fernando, estava procurando um adjetivo, algo para definir esse episódio. Os especialistas e a imprensa americana tem tratado como falha de segurança de ordem colossal, e os analistas falam em despreparo, irresponsabilidade e violação de lei, já que informações confidenciais foram vazadas e algumas delas estavam inclusive, programadas para desaparecer. Os democratas, claro, estão aproveitando, dizendo que as autoridades do governo Trump foram negligentes e incompetentes e que precisam renunciar ao cargo ou serem demitidas. E aí? Só para finalizar o Trump, gente, ele não usa aplicativo de mensagem. Ele começou a fazer isso na campanha do ano passado, mas ele é refratário ao uso dos aplicativos de mensagens, então ele nem sabia o que era o Signal quando isso apareceu. Mas o Trump segue segurando no “não foi tão grave assim, por enquanto não vou demitir ninguém” e tentando tocar a vida.
Fernando de Barros e Silva: E por falar nisso, eu vou invadir a Groenlândia. Desviar. É isso.
Fernando de Barros e Silva: Celso, esse relato da Marina é maravilhoso. É como se você fosse incluído no grupo do Augusto Heleno falando que vai matar, não é?
Celso Rocha de Barros: No grupo Golpe 2022.
Fernando de Barros e Silva: Exato, Golpe 2022. Nós vamos fazer isso… Vamos pôr uma bomba ali e tal.
Celso Rocha de Barros: Pois é, a história é muito difícil de acreditar, né? Quer dizer, é muito bizarro, mas eu queria chamar a atenção para dois outros aspectos além do fato de que, pelo amor de Deus, o quão imbecil você tem que ser para fazer um negócio desse? Isso é muito chato para o Trump, por vários motivos, mas um dos motivos é o seguinte a turma do Trump, quando o Trump concorria contra a Hillary Clinton fez um show gigantesco, monumental, por causa da história de que a Hillary, quando era secretária de Estado, usava um e-mail particular para tratar de assuntos do Departamento de Estado. Teve um maluco dizendo que isso era crime de traição à nação. Ela usar o e-mail particular e outros caras disseram “não está usando e-mail particular porque está fazendo alguma coisa errada”, entendeu? Em vez de usar os mecanismos oficiais… Os outros caras diziam, até de maneira mais razoável, que se você usar o seu e-mail particular, a segurança obviamente é muito menor. Criptografia aquelas coisas todas. E é bom lembrar uma das coisas que pode acontecer você mandar e-mail errado num e-mail particular. Você vai estar misturando os seus contatos de trabalho, seus contatos pessoais. Então, numa dessas você erra lá na hora que aparece os e-mails em ordem alfabética e manda um negócio para alguém que você não devia, né? Virou até um meme o “her emails”, os e-mails dela. Não sei o que, o Trump só falava disso. O Partido Republicano fez uma farra com isso na eleição de 2016. E agora, basicamente os caras fizeram de fato aquilo que eles diziam que era um risco quando a Hillary Clinton usava o e-mail particular dela para tratar de assuntos do Departamento de Estado. Porque essas informações que os caras soltaram… Cara, isso, assim… Se você chegar agora em Beijing e disser assim eu tenho aqui agora o plano do que os caras vão fazer para atacar o Iêmen, você sai dali milionário, amigo. A China, Rússia, etc, gastam bilhões de dólares por ano infiltrando rede de espião para descobrir exatamente esse tipo de coisa que o maluco mandou para o jornalista. Entendeu? Sim, é um negócio completamente fora do normal. O atual secretário de Defesa do Trump, o Pete Hegseth, ele chegou a dizer, na época dos e-mails da Hillary Clinton, que qualquer pessoa militar do governo de onde for, teria que ser demitida na hora por esse tipo de conduta e teria que ser responsabilizado criminalmente por ser tão irresponsável com esse tipo de informação. Ele é um dos caras que está nesse grupo, então vamos ver… Ele vai se demitir, ele vai demitir todo mundo aí nessa história? Eu acho que não. E a outra coisa que eu queria chamar a atenção, que isso pode ter umas consequências geopolíticas mais sérias, porque desde aquele dia da Casa Branca, lá que o Trump humilhou os eleitores que daquela maneira. Enfim, basicamente declarou o seu apoio à Rússia na guerra contra a Ucrânia, que muitos governos da Europa estão em dúvida se continuam compartilhando inteligência com os Estados Unidos, porque boa parte do serviço de inteligência da Europa Ocidental é na Europa Oriental. O que eles querem saber? Principalmente o que a Rússia vai fazer. Inclusive, muita gente acha que eles devem ter até fontes melhores do que os Estados Unidos na Rússia, porque eles cultivam isso há séculos. E aí, agora bate a dúvida se o Estado Unidos virar aliado do Putin, a gente continua mandando para eles nossos relatórios de inteligência?
Fernando de Barros e Silva: Inclusive, nessas mensagens, eles tratavam a Europa de maneira bem depreciativa, né?
Celso Rocha de Barros: Isso. O J.D. Vance, o vice-presidente americano diz que não queria fazer o ataque porque aquilo só ia ajudar a Europa. E cá entre nós, um rápido parênteses, mostra que ele não entendeu nada que estava acontecendo ali, porque o principal cara que ia ser ajudado ali era Israel. Os Houthis atacam os navios no Canal de Suez como forma de sabotar o Ocidente por apoio a Israel. Esse tipo de coisa. Aí o J.D. Vance falar “eu acho muito ruim a gente ficar fazendo coisas que vai ajudar o comércio europeu, esses caras só ficam pegando carona com a gente…” O que é mentira, gente. Eu sempre digo a Alemanha não tem um exército poderoso porque os Estados Unidos obrigou ela botar na Constituição, no tratado de paz lá, quando eles ganharam a Segunda Guerra Mundial, que a Alemanha não gastaria muito com o Exército. Se você virar pra Alemanha e falar pode gastar, eles vão gastar, entendeu? Que, aliás, já estão começando. E, aliás, vai dar uma briga grande porque eles não estão querendo incluir as empresas americanas nessas concorrências na segurança europeia, porque eles vão investir em construir sua própria indústria bélica e reforçar isso. Vai ser uma briga grande. Agora, fala a verdade, se caras já estão pensando em não compartilhar inteligência porque pode vazar para o Putin. Agora eles descobrem que pode vazar para imprensa sem o menor controle… Isso vai ser um problema. Se você fosse um diretor da CIA agora, você estaria bem preocupado. O tipo de informação que vai chegar na sua mão no futuro. E mais uma vez isso mostra que toda essa turma do Elon Musk, esses caras chegaram lá dizendo que ia dar um choque de eficiência no estado americano são uma piada, né cara? São os caras que não sabem fazer absolutamente nada e que estão basicamente desorganizando o funcionamento do governo americano.
Marina Dias: Só para complementar, inclusive a Casa Branca anunciou ontem Celso, que é o departamento do Musk. Quem vai investigar por que o jornalista foi incluído no grupo.
Fernando de Barros e Silva: Ai, agora vai.
Celso Rocha de Barros: Ou seja, vai sair no Twitter o próximo ataque militar americano.
Fernando de Barros e Silva: E bom, nós que já vazamos o tempo também, né diretora? Estouramos todas as bombas possíveis. Vamos encerrando o terceiro bloco do programa por aqui. Fazemos um rápido intervalo. Na volta, Kinder Ovo. Já voltamos.
Estamos de volta. Vamos direto para o Kinder Ovo, Mari.
Solta aí, diretora!
Sonora: E você sabe que o La Rochefoucauld dizia que a hipocrisia é o tributo que o vício paga à virtude.
Fernando de Barros e Silva: Então quem é que está citando La Rochefoucauld desse jeito?
Marina Dias: Tem um fundo de Henrique Meirelles, com a batata na boca. Mas não é.
Celso Rocha de Barros: Pera aí. Só ver se é um cara que já morreu.
Fernando de Barros e Silva: É algum bolsonarista.
Celso Rocha de Barros: Não, não. Cara, eu acho que isso aí é um daqueles caras muito velha guarda, Edson Lobão ou alguma coisa assim.
Fernando de Barros e Silva: Centrão? Será?
Celso Rocha de Barros: Eu acho que é um desses. Bem velha guarda. Mão Santa? Não.
Fernando de Barros e Silva: O Mão Santa falava “Atentai” no Senado os discursos dele. Atentai.
Celso Rocha de Barros: Pô, não sei cara.
Marina Dias: Não, Mari, foi…
Fernando de Barros e Silva: Caramba, Mari, foi vexame essa. Quem fala é o ex-chanceler e atual assessor especial da Presidência para assuntos internacionais, Celso Amorim.
Marina Dias: Mentira!
Celso Rocha de Barros: E eu chamei ele de Mão Santa, cara…
Fernando de Barros e Silva: Entrevista a Monica Bergamo para TV Folha.
Celso Rocha de Barros: Caraca! Chamei o Celso Amorim de Mão Santa, cara.
Marina Dias: E eu falei que ele tem batata na boca. Corta.
Fernando de Barros e Silva: Não, deixa tudo nisso daí.
Celso Rocha de Barros: Daí a produtora está tendo um treco de rir.
Marina Dias: Não acredito que é o Celso Amorim. Tô chocada mesmo. Nossa.
Mari Faria: Foi em homenagem a Ana Clara que ela acertaria. Eu só posso usar o Celso Amorim sem ela aqui.
Fernando de Barros e Silva: A Ana Clara acertaria, é. Derrota da classe operária. Vamos lá, Mais uma derrota da classe operária.
Marina Dias: Vamos entubar o vexame.
Celso Rocha de Barros: Não tem jeito. Exatamente.
Fernando de Barros e Silva: E encerramos o Kinder Ovo. Vamos para o melhor momento do programa agora para nos redimir. Correio elegante momento de vocês.
Fernando de Barros e Silva: E eu vou começar com o post de outro Celso, no Spotify. Serei rápido como o pensamento do meu xará, casca de bala e rasteiro como o jogo político do Centrão. O Foro de Teresina precisa se tornar um quarteto. Marina Dias fixa na bancada já. Abraços a todos e obrigado pelas doses semanais de debate inteligente e divertido. #VemMarina! Marina Dias. Tá vendo?
Marina Dias: Ai, que amor! Um beijo. Adorei! Obrigada, gente!
Fernando de Barros e Silva: Vamos lá?
Marina Dias: Eu também vou ler um comentário do Spotify que também tem a ver com o Celso. O Bernardo escreveu Rapaz, o Celso é uma espécie de Rodrigo Hilbert do Foro. Faz tudo mesmo. É isso é um homem completo. Já tinha dito. E isso é isso. Rodrigo Hilbert.
Fernando de Barros e Silva: Segura.
Celso Rocha de Barros: Cara, ainda bem que a Ana Clara não tá aqui… Porque ela ia rir tanto da minha cara.
Fernando de Barros e Silva: Aí, Fernanda Lima… Fernanda Lima não descobriu nosso casca de bala ainda.
Mari Faria: O Celso está roxo.
Celso Rocha de Barros: O que que eu faço?
Mari Faria: Tá roxo. Roxo! A cor da cara dele mudou.
Fernando de Barros e Silva: É, muito bom.
Marina Dias: Celso, agora você tem que construir a sua própria churrasqueira para fazer o próprio churrasco.
Celso Rocha de Barros: Exato, isso aí.
Marina Dias: Ou construir a própria capela na qual você irá se casar.
Celso Rocha de Barros: Exatamente isso que eu ia dizer… Aonde ele se casou, não foi?
Marina Dias: Exatamente. Isso é Rodrigo Hilbert.
Celso Rocha de Barros: Não, tem um cara que faz vista de corrida no Instagram… Ele fala, gente, corrida, intensa é para o cara feio, o cara bonito não precisa disso. Só tem o Rodrigo Hilbert que faz, mas os outros caras, você pode olhar do seu lado: não tem ninguém bonito, nem você.
Celso Rocha de Barros: Vamos lá. No Twitter, o Aurélio Araújo parece que não ama a gente. Até aí tudo bem. Às vezes eu também não me amo. Mas a Mari me mandou um tweet dizendo que quer que ele tenha menos ódio no coração. Ele twittou assim: O Foro de Teresina é um programa ok, mas aquela galera que escreve cartinha para eles no final tem toda a vibe que gritaria com você em Santa Cecília por estar usando um canudo de plástico. Rapaz, Aurélio… Pô, que isso, cara! relaxa.
Mari Faria: Achei muito gratuito com os nossos ouvintes.
Celso Rocha de Barros: Eu também achei.
Fernando de Barros e Silva: É, o Aurélio tá a favor do canudo de plástico, tá ultrapassado…
Celso Rocha de Barros: Boa, tá contra os Santa Ceciliers.
Fernando de Barros e Silva: Bom. Com o canudinho de papel, vamos encerrando o programa de hoje por aqui. Se você gostou, não deixe de seguir e dar five stars para a gente no Spotify. Segue no Apple Podcast, na Amazon Music. Favorita na Deezer e se inscreva no YouTube. Foro deTeresina é uma produção da Rádio Novelo para a Revista piauí. Durante a licença maternidade da Evelyn Argenta, acoordenação geral é da Barbara Rubira. A direção é da Mari Faria, com produção e distribuição da Maria Júlia Vieira. A checagem do programa é do Gilberto Porcidônio. A edição é da Bárbara Rubira e do Tiago Picado. Identidade Visual é da Amanda Lopes. A finalização e mixagem são do João Jabace e do Luís Rodrigues, da Pipoca Sound Jabace e Rodrigues, que também são os intérpretes da nossa melodia tema. A coordenação digital é da Bia Ribeiro, da Emily Almeida e do Fábio Brisola. O programa de hoje foi gravado no Estúdio Rastro, do grande Danny Dee, no Rio de Janeiro, no CB, estúdios em Brasília e na minha casa em São Paulo. Eu me despeço então dos meus amigos. Celso, tchau, Celso.
Celso Rocha de Barros: Tchau Fernando. Até semana que vem.
Fernando de Barros e Silva: Marina Dias. Tchau, Marina.
Marina Dias: Tchau Fernando. Tchau Celso. Tchau, gente! Até semana que vem.
Fernando Rocha de Barros: É isso gente! Uma ótima semana a todos e até a semana que vem.
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