“Pensei que fosse infarto”: como entendi minha ansiedade e criei estratégias para não deixar ela me parar

A dor era real, mas não era só física. Compartilho neste relato como transformei crises de ansiedade e pânico em uma rotina de enfrentamento com ciência, respiração e movimento — sem abandonar minhas responsabilidades. The post “Pensei que fosse infarto”: como entendi minha ansiedade e criei estratégias para não deixar ela me parar appeared first on InfoMoney.

Mar 22, 2025 - 18:21
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“Pensei que fosse infarto”: como entendi minha ansiedade e criei estratégias para não deixar ela me parar

Tenho uma condição chamada Síndrome de Tietze — uma inflamação na cartilagem da costela que causa dores agudas no peito. Convivo com ela há anos. Mas foi em meio a uma fase de sobrecarga extrema que tudo mudou. Comecei a sentir dores mais fortes, e junto com elas, um medo paralisante: “acho que estou infartando”.

A mente começou a reagir de forma diferente. Antes, eu sabia que era só a dor física. Mas, com o acúmulo de estresse, responsabilidades e excesso de demandas — como mãe, empresária, profissional e mulher — meu corpo começou a me enviar sinais mais confusos. E, sem perceber, entrei em um ciclo de ansiedade, taquicardia e pânico.

Foi ali que compreendi algo importante: a dor era real, mas não era apenas física. Era emocional, somatizada. E isso também pode estar acontecendo com você. A somatização é quando o corpo expressa dores e sintomas físicos por causa de um estado emocional alterado. Muito comum em pessoas que vivem em alerta constante, que se cobram demais, que nunca param.

Com o tempo, desenvolvi síndrome do pânico. Cheguei a não conseguir sair de casa, treinar ou trabalhar. Sentia que meu corpo gritava — e eu não sabia como acalmá-lo. Até que decidi parar. Respirar. Entender.

Comecei buscando referências sólidas. O livro “Não Acredite em Tudo que Você Sente”, de Robert L. Leahy, foi um divisor de águas. Com ele aprendi a identificar esquemas emocionais, nomear emoções, entender a diferença entre sentir e agir. Ele traz exercícios que ajudam a organizar o pensamento durante a crise:

• Onde sinto essa emoção no corpo?

• Que significado atribuo a ela?

• Que comportamento isso gera em mim?

Essa estrutura simples me deu clareza para respirar. E respirar virou minha primeira ferramenta prática. Toda vez que sinto que a ansiedade se aproxima, paro tudo e começo técnicas respiratórias guiadas — com apps de meditação. Esse momento de pausa me devolve o controle e reorganiza meus pensamentos.

Incluí também exercícios físicos na rotina. Mas, dessa vez, não para buscar performance — e sim para voltar ao eixo. A ciência mostra que o exercício físico regular reduz em até 30% os níveis de estresse e ansiedade, além de melhorar o sono e o humor. Treinar virou meu ponto de equilíbrio.

E, por fim, algo que ninguém fala, mas eu precisei: o ócio. Todos os dias, reservo 30 minutos sem estímulos — nada de redes sociais, agenda ou cobranças. É nesse tempo que me escuto. E, nesses silêncios, encontro a minha força.

Talvez você esteja vivendo algo parecido. A dor emocional pode ser silenciosa, mas seu corpo sente. Não ignore os sinais. Ansiedade não é fraqueza. É o seu corpo pedindo ajuda. E com rotina, ciência, apoio profissional e pequenas pausas intencionais, dá para atravessar — um passo por vez.

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